Duas vitórias que não podem mascarar as debilidades do Campinense

A definição que melhor caracterizou Celso Teixeira enquanto técnico de futebol talvez tenha sido “El Loco”. O perfil exigente e personalidade forte podem ter induzido à uma comparação ao técnico argentino Marcelo Bielsa. Mas a semelhança aparenta só abranger as características pessoais do treinador.

A complexidade em estruturar equipes e construir um modelo de jogo se restringem apenas ao argentino. Porque o experiente paulista parece se resumir ao trabalho motivacional e psicológico de seus comandados. Talvez por este motivo consiga alguma vantagem em confrontos de maior peso ou importância, e ainda atraia olhares para se manter no mercado.

Já dentro de campo, visando executar situações que venham a desequilibrar o adversário, deixa a desejar. Afinal, o atleta em campo é produto do treino a que é exposto. É consequência de semanas de trabalho de aprofundamento, manutenção em treinamentos, e orientação de uma comissão técnica, mais especificamente, o raciocínio de um treinador.

Ainda durante os amistosos de pré-temporada, o Campinense já se moldava a uma equipe que aproveita muito mais os espaços que lhe são cedidos, do que tenta construí-los desequilibrando o oponente.

Na estreia diante da Desportiva Guarabira, a confirmação da visão deste que escreve. Alguns problemas estruturais já identificados, mas que foram mascarados pelo placar elástico e o adversário limitado.

Perante ao Atlético de Cajazeiras, maiores dificuldades foram encontradas e problemas do jogo anterior se repetiram. É bem verdade que existem problemas externos aos atletas que dificultam a fluidez do jogo. Como o gramado ruim do Estádio Amigão, que retira do jogador a confiança de uma condução ou passe vertical. Ainda assim, os problemas são estruturais. Coletivos. Estes potencializados pelo oponente mais qualificado e organizado em campo.

Panorama inicial das duas equipes. (Foto: TacticalPad)

Em fase de construção ofensiva, má ocupação de espaços, circulação de bola lenta, ou execução ruim das poucas situações trabalhadas, são alguns dos problemas facilmente detectáveis no Campinense. Limitações que podem ser exploradas pelos adversários.

Tais debilidades não significam dizer, no entanto, que Celso possui peças ruins. O Campinense tem atletas de qualidade individual interessantes. Mas ainda que o futebol, em grande parte, seja oriundo do improviso, do aleatório e do espasmo individual do jogador; se faz necessário executar e passar pelo processo de construção. Abrir e atacar espaços. Quando uma equipe faz isso mal, a tendência é jogar mal.

Defensivamente os problemas não passam despercebidos. Baixa pressão ao portador da bola, e tentativas mal executadas de subir pressão no campo do adversário, deixam a equipe exposta ou descompacta em campo.  Além da defesa trabalhada em encaixes individuais que já trazem desequilíbrios naturais pelas perseguições em campo.

Mas o jogo não é de uma equipe apenas. Se o Campinense encontrou dificuldades, muito do crédito precisa ir ao bom Atlético comandado por Índio Ferreira. Desestruturou e desequilibrou o adversário em vários momentos. O segundo lance apresentado no vídeo dos momentos defensivos do Campinense, por exemplo, poderia ter sido eleito a jogada mais bem construída do Campeonato, se não fosse o equívoco do assistente marcando impedimento e a jogada se concluísse em gol.

Enxergar além do resultado é um costume que precisa ser introduzido na cultura do torcedor e da imprensa que leva a informação. Duas vitórias e 100% de aproveitamento para um Rubro-Negro pobre e que pode entregar mais do que vem apresentando. Seus pontos negativos não podem ficar em segundo plano.

Twitter: @Adriano_Dantas1

As informações dos colunistas não representam a opinião do site PB Esportes; a responsabilidade do texto é do autor.

Deixe um comentário