Por que os volantes afetaram a fluidez do Botafogo contra o CSP?

Leston Júnior apresentou durante a pré-temporada um time que gostava da bola. Embora o carro-chefe não seja a posse, os esboços dos amistosos contra o América-RN escancararam a busca pelo equilíbrio, e adaptação para os diversos contextos que surgirão.

Com Marcos Aurélio estreando, a equipe que enfrentou o CSP, no estádio Almeidão, procurou circular menos a bola. Trabalhar a partir de lançamentos ativando a profundidade com as paredes de Nando e Humberto, ou as diagonais e situações de 1×1 com Dico pelo lado esquerdo, foi o caminho traçado.

Porque a ausência de Hiroshi diminui a capacidade da equipe sair limpo desde trás. Talvez por isso a opção por Fábio Alves iniciar a construção mais fixo, pelo lado esquerdo, fazendo a saída de 3 com Gladstone e Lula, na execução do 4-2-3-1.

Potencializar a qualidade de passe de Marcos Aurélio também estava entre os objetivos. Os lançamentos forneciam ao Botafogo a possibilidade de afundar a linha defensiva do CSP e alimentar o meia que recebia de frente entre as linhas média e de defesa do adversário.

Dico, Nando e Humberto afundando a linha defensiva do CSP. Marcos Aurélio deslocando para disputar a bola de frente para o jogo. (Foto: Montagem Adriano Motta)

Mas faltava infiltração. Por vezes o time de Leston conseguia abrir espaços, mas ninguém os atacava. Porque com Jataí e Allan Dias a equipe ganhou em combatividade e força por dentro em momento defensivo e de transição, mas perdeu em qualidade e densidade ofensiva.

Como a orientação era explorar lançamentos e o jogo direto, a bola estava constantemente em disputa. Retardando os contra-ataques do CSP e disputando as segundas bolas por cima ou por baixo, a dupla de volantes conseguiu cumprir o que fora determinado. Mais posicionados, funcionaram como gestores da posse sempre trabalhando por trás dos lances ofensivos.

Allan Dias e Jataí fazendo a cobertura ofensiva em lance de ataque do Botafogo. (Foto: Montagem Adriano Motta)

Embora as virtudes no ganho defensivo, o Belo apresentou muito pouco para a expectativa criada. Obviamente as características dos jogadores que possuía em mãos não facilitaram o processo. Mas é fato que poderia mais.

Para um contexto em que a equipe precise reagir mais do que propor o jogo – possível cenário para a partida contra o Bahia, na quinta-feira -, o executado na segunda rodada do estadual apresenta bons comportamentos e atesta a busca pelo equilíbrio. Mas é impossível desprezar que a perda de Djavan, emprestado ao Mirassol, e a ausência de Hiroshi talvez apontem desequilíbrio individual nas peças do elenco.

A intenção de utilizar os volantes para gerir a posse e combater corpo-a-corpo por dentro é extremamente válida; mas a infiltração precisa existir. A surpresa é de quem vem de trás. É fato novo para confundir a marcação e desequilibrar.

O mau momento vivido no segundo semestre de 2017 pode ter contribuído para a liberação do jogador para o Cuiabá, mas Magno poderia ter sido aproveitado no elenco do Belo para este tipo de situação. Sabe atacar espaços, é forte e possui boa gestão da posse de bola.

Como não permaneceu, mesmo que Humberto também possa jogar por dentro, a busca por um jogador com tais características pode se fazer necessária devido a ideia da comissão técnica em usar o atleta como extremo.

Twitter: @Adriano_Dantas1

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