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Foto: Samy Oliveira – ASCOM Campinense Clube

O futebol, especialmente no nosso Brasilzão, muito mais que um esporte é um fenômeno cultural, capaz de moldar nossa forma de ver, ser, agir e viver. Basta notar que a contusão e cirurgia do Neymar foram dos assuntos mais repercutidos do país nos últimos dias. A tal cultura futebolística ganha mais forma em dias nos quais as motivações passionais são mais intensas. Ou seja, em dias de jogos importantes. Como os clássicos, que falam por si. Já dizia o sábio que clássico é clássico e vice-versa. É quando a paixão fala mais alto. Mas até que ponto a paixão deve falar mais alto? Por que, afinal, o que é o futebol pra você? Muitas perguntas, não?

 

Como um meteoro da paixão, o futebol nos causa uma explosão de sentimentos, capaz de mudar em questão de segundos, e, algumas vezes, chega a nortear nosso humor. Atire a primeira pedra quem nunca ficou pê da vida, chegou em casa chateado, foi grosseiro com familiar, amigo ou namorada e passou uma noite que poderia ser agradável com um sentimento negativo. Certamente é isso que se passa com o torcedor trezeano. Porque, amigo, com o devido respeito, o Campinense foi soberano no quadringentésimo quarto Clássico dos Maiorais. A vitória começou a ser construída nas arquibancadas, com os raposeiros em maior número criando uma atmosfera favorável. O time entrou em campo determinado a vencer. Apresentou uma postura diferente sob a batuta do estreante Ruy Scarpino. Primeiro, porque taticamente, contava com a amplitude gerada pelos laterais jogando no campo ofensivo, Felipe Macena, um monstro em campo, um pouco mais centralizado em relação ao que vinha sendo visto, Marcinho igualmente centralizado, contando com a velocidade de Tarcísio e Thiago Potiguar mais abertos. Segundo, porque a entrega dos atletas em campo também foi determinante. Não demorou para começar a levar perigo e com quinze minutos já estava à frente do placar.

 

No Treze, como também já dissemos aqui, Flávio Araújo vai ter trabalho. A partida serviu de comparativo entre os treinadores recém-chegados. Se do lado do Campinense a mudança de postura foi gritante, do lado do Treze não se vê tanta diferença nesses dois jogos a cargo de Flávio Araújo. Não desmerecendo o profissional, muito pelo contrário. Seu currículo falar por si. Mas talvez não fosse ele a solução, se for levado em conta que o problema não era o comando técnico, mas o próprio plantel. Entendo dessa forma. Individualmente, o Treze tem grandes valores. Mas pegar esses grandes valores e fazê-los alcançar esse alto potencial coletivamente não parece ser uma tarefa das mais fáceis. Precisa encorpar. Em relação ao jogo, o Galo encontrou um goleiro Jefferson em tarde inspirada. Apesar de criar algumas boas chances de gol, parou no arqueiro rubro-negro e não pareceu ameaçar a vitória do adversário, que durante toda a partida esteve melhor postado em campo.

 

Assim como na partida do primeiro turno, quem se mostrou mais disposto nos primeiros momentos da partida soube se valer da vantagem para administrar o resultado enquanto o adversário corria atrás do prejuízo. Também merece ser destacada a atuação de personalidade do árbitro central, Pablo Alves, que chamou a responsabilidade para si e coordenou o Clássico sem maiores dificuldades, apesar de os ânimos ensaiarem se exaltar em alguns poucos lances. Mérito do homem do apito.

 

No fim, como consolo ao torcedor trezeano, o empate surpreendente do CSP – ao contrário do que este que vos fala imaginou ao longo da semana -, lhe garantiu, apesar da derrota, a liderança na chave B da competição. No futebol também é preciso ter sorte. Assim, os Maiorais estão assegurados diretamente na fase semifinal e esperam um adversário já conhecido nessa primeira fase. O Campinense aguarda o vencedor de CSP ou Serrano, enquanto o Treze deve ter um adversário, em tese, mais indigesto: encara Botafogo ou Sousa.

 

Se serve de parâmetro, contra o CSP o Campinense venceu as duas partidas por dois a zero. Contra o Serrano, ganhou por três a zero e empatou sem gols. Já o Treze empatou uma contra o Botafogo em um a um e perdeu a outra por quatro a dois. Contra o Sousa, duas derrotas por dois a um.

 

Mas não só de Clássico falará este post. Lá se foi a primeira parte do nosso Campeonato Paraibano. Um certame no qual o Campinense garantiu liderança absoluta, com 23 pontos em 30 disputados. Mas vale olhar com carinho para o Botafogo. O Belo segue invicto com seis vitórias e quatro empates. Conta, ainda, com o melhor ataque: 27 tentos. Só nos últimos três jogos, foram 13 gols. Aí, balançou as redes mais vezes que oito times. Apenas o Campinense escapa – marcou 17 vezes (mesmo número de gols que o Botafogo no returno da peleja). Mas agora, o time da Capital vai precisar provar sua força. Isso porque, não havendo nenhuma alteração, já encara o Sousa na próxima quarta-feira feira, 07, no sertão. Depois, segue para o Piauí, para jogo válido pela Copa do Nordeste contra o Altos, em cidade de mesmo nome, na segunda-feira, 12. Na quinta, 15, faz o jogo de volta contra o Sousa em João Pessoa. Considerando as distâncias em linha reta, são mais de 1700km. Cansei de imaginar. Sei lá como vão fechar a logística, mas vai dar trabalho.

 

A disparidade entre o Grupo A e B foram enormes. Os números comprovam. O Nacional de Patos, talvez maior injustiçado da competição, terminou na quarta colocação no Grupo A e, portanto, está no quadrangular da morte. O Naça conquistou 19 pontos, com seis vitórias na competição. Com essa pontuação no Grupo B, seria líder isolado. O Treze, com quatro vitórias e dois empates nos dez jogos, soma 14 pontos.

 

O destaque negativo foi o Auto Esporte. Mais forte candidato ao descenso, com apenas três pontos conquistados: empate sem gols contra a Desportiva Guarabira na sétima rodada, dois a dois contra o Atlético na nona e um a um contra o CSP no último suspiro.

 

Pois bem, amigos, ganhando contornos finais, o Campeonato Paraibano esquentou de vez. A partir de agora, tudo é decisivo. Chegou a hora em que a paixão deve falar mais alto.