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Finalizei meu último post, há quase vinte dias, dizendo que era chegada a hora em que a paixão deveria falar mais alto. Pois bem. A gente começa falando sobre Copa do Nordeste. Treze sem chances de clasificação e Botafogo a um empate da próxima fase. Desde a volta do torneio regional, sob a chancela da CBF, em 2013, apenas um clube paraibano passou da primeira fase. Todos sabemos quem foi. O Campinense chegou à final em 2013, quando levantou a orelhuda, e 2016 e às quartas-de-final em 2015 e 2017. Sempre competitivo, o rubro-negro levou a sério a competição e por isso é respeitado e temido pelos adversários. Em 2013, o segundo representante paraibano foi o Sousa, que somou apenas dois pontos e terminou na última colocação de seu grupo, que tinha Sport, Fortaleza e Confiança. Em 2014, Botafogo e Treze foram os nossos representantes e também amargaram a lanterna. 2015, e o Campinense chegava às quartas com gol de Negretti no último minuto e o Botafogo, em último, com apenas um ponto ganho. No ano seguinte, 2016, o Campinense é vice-campeão do Nordeste, e o Botafogo, outra vez, lanterna de seu grupo. Ano passado, 2017, o Campinense foi eliminado pelo Sport/PE nos pênaltis e o Botafogo, pasmem, de novo lanterna em seu grupo. Eis que chega 2018. Campinense fora do Nordestão e Treze e Botafogo sonhando com campanhas históricas. E a gente chega a última rodada com o Botafogo, de fato, fazendo história. Pode se classificar se empatar com o Bahia em casa. Parece ter rompido a barreira da última colocação. O Treze, com quatro pontos, não tem mais chances de classificação. Ambos prometeram muito. O Botafogo ainda segue na briga, mas o Galo entregou quase nada. No jogo diante do Santinha, era notória a disparidade entre os times, apesar do empate sem gols no Amigão. O time do São José ainda mostra o déficit de criação que tanto se fala desde o início da temporada. Entra e sai jogador, muda treinador, e o problema persiste. O jogador mais perigoso do Galo vem sendo Edinho Canutama. Nenhum demérito, pelo contrário. Mas foi contratado ano passado, em tempo de vacas magras, é muito menos badalado que alguns do elenco alvinegro e é quem assume a responsabilidade e tenta alguma coisa. E aí, faço a pergunta: onde está a paixão? Cadê os outros? Está errado e precisa ser revisto.

Agora falando sobre o Campeonato Paraibano, após tanta polêmicas, Botafogo e Treze finalmente vão começar suas disputas por uma vaga na final. Acho que o Botafogo é favorito, não apenas pelo que faz, mas pelo que o Treze não faz. Apesar disso, acredito que serão dois jogos bem disputados onde tudo pode acontecer.

Do outro lado da semifinal, Campinense e Serrano devem protagonizar um duelo bem interessante. Um passe preciso, com GPS. Até pareceu lance de videogame, no saudoso tempo do SuperStar Soccer. Diz o Teorema de Pitágoras que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Me dei o trabalho de fazer as contas com os dados imprecisos que temos em mãos. Se o Amigão mede em torno de 110m x 70m, como se diz, a gente chega a cinquenta e um metros. Pode até ser mais. Foi essa a média da distância percorrida pela bola desde a ponta da chuteira de Diego Baiano até os pés de Rafael Ibiapino. Lance – ou lançamento – que garantiu a vantagem ao Grêmio Serrano, que agora joga pelo empate para chegar pela primeira vez na história à final do Campeonato Paraibano. Já o Campinense precisa correr atrás do prejuízo e necessita da vitória. Em jogo, não apenas a presença na final, mas também a participação na Copa do Brasil e Série D em 2018. Caso perca, a Raposa garante a D se o Treze não passar pelo Botafogo, por estar à frente na pontuação geral. Já o Serrano, atualmente com o mesmo número de pontos que o Galo no geral, caso seja eliminado, torce para que o Treze perca as duas partidas da semifinal contra o Botafogo. Índice técnico.

Parágrafo à parte. As más-línguas dizem muitas coisas. Mas imaginar que, valendo vaga na final e presença nas competições nacionais do próximo ano, um time seria cavalheiro com o outro, é desacreditar na essência do futebol. Infelizmente, o extracampo sempre existiu no esporte e certamente sempre vai existir. Mas quando a bola rola, eu prefiro crer que os homens que ali estão honram seus distintivos e atuam com a sede de vitória que deles se espera. Especialmente, valendo o que vale. Isso é paixão.

Mais um à parte. Eu esperava mais do Campinense essa semana. Valendo o que vale, poderia ter havido promoção de ingressos antecipados. Tudo em preço de meia-entrada, comprando dois antecipados ganha o terceiro. Compra um ingresso e ganha um picolé, compra dois picolés e ganha um ingresso. Comprando camisa, calção e meiões entra jogando. Porque é isso, é preciso que o torcedor jogue junto. Tem hora que vale tudo, justamente porque vale muito. O prejuízo financeiro e moral de não passar pelo Serrano – com todo respeito ao Serrano – é muito maior do que a renda da partida deste domingo no Amigão.

 

Vale lembrar que, seguindo o que foi divulgado pela CBF, em menos de um mês já acontecem as disputas da Pré-Copa do Nordeste, em 18 e 25 de abril, cujo participante será definido pelo ranking (Botafogo ou Campinense, se o Belo ganhar o estadual); e a estreia na Série D para Treze e Campinense está marcada para o dia 22. Menos de um mês. A preço de hoje, não acho que os Maiorais tenham forças para almejar o que deles mais se espera: o acesso à Série C.

Mas voltando, nas três partidas entre Campinense e Serrano no ano, a Raposa venceu a primeira sem muitas dificuldades por três a zero, uma das melhores exibições do ano. Nos últimos dois jogos não balançou as redes. Para garantir vaga na final, o time rubro-negro vai precisar reencontrar o caminho das redes do Lobo, que, por sua vez, não sofre gols há três partidas e mais de 350 minutos, além dos 100% de aproveitamento no mata-mata, que fazem dele a sensação do momento no Campeonato Paraibano. Resta saber entre Raposa e Lobo de quem será o uivo mais alto.