OPINIÃO – Futebol no Domingo de Ramos

Domingo de Ramos. Para os católicos, o primeiro dia da Semana Santa é o marcado pela memória da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O Rei dos Judeus, motivo pelo qual Jesus Cristo foi morto, ao contrário do que se espera da alta realeza, chegou em um jumentinho, que significa serviço. Ato de simplicidade, de humildade. Religiosidade à parte – ainda que aguardando piadas de chocolate no Domingo de Páscoa semana que vem -, estamos aqui para falar de futebol. E dentro de campo, poderia também ser um domingo de Ramos. De dois, para ser mais preciso. Os irmãos Irvison Guerbson Ramos Oliveira e Izaías Gabriel Ramos Oliveira, filhos do saudoso Gabriel Cabelo de Fogo e, respectivamente camisas oito e nove do Grêmio Serrano na tarde deste domingo no Estádio Amigão. Izaías defende o Serrano desde 2016 enquanto Ramos chegou no ano seguinte. Dois atletas que simbolizam dias felizes para o Lobo da Serra. Um time que, com pés no chão, simplicidade, trabalho, organização e determinação, fez bonito e desbancou times de maior tradição. O domingão poderia ser deles e não do Faustão. O Amigão recebeu um bom número de raposeiros, dispostos a empurrar o time pressionado de Ruy Scarpino que precisava da vitória. Em campo, pode-se dizer que a equipe correspondeu. Antes da partida, conversava que seria um jogo de primeiro tempo. Que se o Campinense não marcasse gols na primeira etapa, dificilmente conseguiria furar a barreira do Lobo e o desgaste emocional para reverter a vantagem. Assim o fez. O rubro-negro teve mudanças, entrou com três zagueiros, soltou os laterais, contou com o puro reflexo de Jeferson, a braveza de Neto, a maestria de Marcinho e venceu por dois a zero. Resultado que merece ser comemorado. Raposa garante, além da vaga na final, presença na Série D e Copa do Brasil em 2019. Mas alguns aspectos precisam ser reavaliados, especialmente porque houve momentos na partida em que o time cartola não jogou absolutamente nada. Se retraiu, permitiu que o Lobo gostasse do jogo, criasse oportunidades e brincou com os nervos dos torcedores raposeiros. Para pensar na Série D deste ano, é preciso pensar também em reforços. Agora, o Campinense aguarda Treze ou Botafogo na final. Quanto ao Serrano… Bem que, de certa forma, foi mesmo um Domingo de Ramos. A eliminação dói, e tem que doer mesmo. Vencer é a essência do esporte. Mas o Grêmio Recreativo Serrano nos mostrou que é possível ir longe com humildade, com respeito, com trabalho. Mostrou como se reconstruir ao longo da competição, venceu várias adversidades, fazendo das tripas coração quando necessário, mas sempre com a simplicidade e simpatia bem peculiares. Foi valente, foi guerreiro. Foi Serrano. E assim, fez sua melhor campanha na história. Fica-se a torcida. Diz o risível regulamento do Campeonato Paraibano, no parágrafo quarto do artigo nono:

“Os clubes perdedores, para efeito de classificação final serão definidos como terceiro e quarto colocados considerando os resultados dessa fase”

Como venceu um dos jogos contra o Campinense, o Serrano tem três pontos. Do outro lado, o Botafogo já está na Série C, então a vaga restante da D fica entre Treze e Lobo. Como o Galo perdeu para o Belo, se não vencer no jogo da volta, terá menos pontos. É essa a torcida do Serrano, para garantir participação na Série D em 2019.

Sobre Botafogo e Treze, foram dois jogos dentro de um só. Um no primeiro tempo, em que só deu Belo. O Treze foi bem modificado em relação ao time que empatou com o Santa Cruz no meio de semana, com quatro alterações. Saíram Travassos, Elielton, Beleu e Rayro para as entradas de Leonardo Luiz, Talisson, Alberto e Hugo Freitas, num time que entre linha de cinco atrás, linha de quatro ou cinco no meio e dois ou três no comando de ataque. Na teoria, um 3-5-2 com variáveis de 5-4-1, 3-4-1-2 e 3-4-3. O Galo só acordou pro jogo depois dos trinta minutos e quando começou a ensaiar algo, o Belo saiu na frente. O lançamento de Dico pro gol de Hiroshi merecia voto de aplauso, alguma honraria do tipo. No segundo tempo, sai Alberto, volante, e entra Marcelinho Paraíba, que dispensa descrições, voltando aos gramados vinte e quatro dias depois de sofrer uma isquemia, e o Galo se transforma. E o alvinegro melhorou em campo, fez um jogo completamente diferente, especialmente com a entrada de Beleu, por volta dos dez minutos. Aliás, gostei muito da movimentação ofensiva de Beleu. O gol saiu da qualidade da bola parada de MP20 (hoje tava com a camisa número vinte). É pra isso que servem os craques, para fazer a diferença. No final, o gol de Allan Dias foi justo com o que Belo fez ao longo do jogo e injusto com o que o Treze fez no segundo tempo. Merecia um pouco mais de sorte. Agora, Belo e Galo olham para a Copa do Nordeste. Para o time da capital, a partida contra o Bahia quinta-feira, no Almeidão, vale classificação à segunda fase do Nordestão. Para o alvinegro, o jogo contra o CRB, também quinta-feira, mas em Maceió, não vale mais nada. Entre ter em jogo a classificação e uma viagem para outro estado, pode-se dizer que os desgastes se equivalem. Só que, próximo domingo a coisa fica séria. Para mim, tudo aberto. Acho que o Botafogo tem mais time, mas pelo que apresentou no segundo tempo e, especialmente, contando com o apoio em massa dos ávidos trezeanos, o alvinegro tem totais condições de reverter a vantagem. O Treze precisa da vitória para avançar à final e assegurar vaga na Copa do Brasil e Série D no próximo ano. Caso não avance, conforme parágrafo quarto do artigo nono já citado anteriormente, aí, amigo, deu ruim pro Galo. Se vencer, tá dentro. O Belo joga pelo empate, mas deve querer ir além. Isso porque, também de olho no regulamento, na final: “…os clubes jogarão entre si, e aquele de melhor índice técnico com resultados obtidos na Primeira e Terceira Fases do Campeonato, terá direito ao mando de campo na segunda partida e de jogar pelo empate em pontos ganhos e saldo de gols”.

Considerando que os critérios de desempate são número de vitórias, saldo de gols, número de gols, entre outros, nessa ordem, vamos às contas: O Campinense, finalista, somou 23 pontos na primeira fase, com 7 vitórias e saldo de +14. Na segunda fase, somou 3 pontos, 1 vitória e +1 de saldo, totalizando 26 pontos, 8 vitórias e +15 de saldo. O Treze somou 14 pontos na primeira fase, não precisa nem fazer as contas. Já o Botafogo, na primeira fase, soma 22 pontos, 6 vitórias e +16 de saldo, e, com mais 3 pontos e +1 de saldo na vitória de hoje, chega aos 25 pontos, 7 vitórias e +17 de saldo. Se o Treze vencer, teremos Clássico dos Maiorais decidindo o estadual, duas finais no Amigão e o Campinense com vantagem de resultados iguais. Se o Botafogo vencer, chega a 28 pontos e faz a segunda partida no Almeidão. Mas se for empate, o Belo fica com 26 pontos, assim como o Campinense, mas em desvantagem no primeiro critério de desempate, o número de vitórias: 8×7. Nesse caso, segundo jogo na Rainha da Borborema e Campinense na vantagem.

Em tempo: Lamentável a situação do Auto Esporte. Mas mais lamentável ainda foi chegar à última rodada podendo rebaixar o Nacional de Patos, que tinha melhor campanha que todos os times do Grupo B. O Naça fica na elite por merecimento. O Macaco Autino cai, infelizmente, também por merecimento.

Simbora dançar que o baile tá chegando ao fim!

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