OPINIÃO – As Copas do Mundo

Eu queria começar esse texto de uma forma diferente. Queria falar sobre as Copas do Mundo que todos nós enfrentamos ao longo da vida. Foi semana de data Fifa, foi semana de ganhar da Alemanha e iludir todo mundo, foi semana de ver a Argentina perdendo de seis. Queria falar que a semifinal deste domingo no Amigão entre Galo e Belo foi uma Copa do Mundo para as duas equipes. Queria fazer piadinha zorra total de chocolates futebolísticos no domingo de páscoa ou falar do primeiro de abril. Mas ao final da Copa do Mundo do Campeonato Paraibano de Treze e Botafogo, vi uma chuva de garrafas pet, laranjas e copos descartáveis em minha direção. Sempre acompanho as partidas no mesmo local no setor de imprensa. À frente ficam as antigas cadeiras cativas que hoje foram destinadas a dirigentes do Botafogo. Nada me atingiu. Fisicamente. Mas havia um moleque de seus nove, dez anos ali no meio. Acuado, se escondendo na sombra de, imagino eu, um irmão adolescente. Me vi ali. Um dia já fui eu, sob a proteção das costas do meu pai. Devia me desmotivar, me dar abuso ou desgosto. Não foi o caso. As nossas paixões respiram mesmo quando não merecem. Que merda, hein!?

Dito isto, ao que importa. Há pouco menos de um ano, 23 de abril de 2017, Campinense e Treze empatavam sem gols no Amigão e o Galo garantia vaga na final estadual e participação na Copa do Brasil e Copa do Nordeste neste ano. Ao apito final, meu caríssimo amigo Paulo Pessoa, colega de TV Borborema, olhava para mim e dizia: “prepare-se, porque toda a hegemonia que a gente viu do Campinense nos últimos anos, com o aporte financeiro do torneio regional, mudou de lado e a tendência é que nos próximos anos, Treze e Botafogo mandem no futebol paraibano”. Menos de um ano se passou e a nossa previsão caiu por terra.  O Treze não conseguiu nem a vaga na Série D. Termina a competição em quarto lugar. Mas falamos sobre isso mais à frente. Sobre o jogo da noite deste domingo, a final de Copa do Mundo do Galo, a diretoria promoveu uma ação muito legal e distribuiu ovos de chocolate pra galera. Coisa simples, mas diferente. Um atrativo a mais. Acho que foi a primeira vez que me deram um chocolate no Amigão. Mas com a bola rolando, o chocolate amargou. O time de Flávio Araújo mostrou mais do mesmo. Troca de passes eficientes mas sem objetividade. Um time que não agride, não machuca, não sufoca. Um time que não se impõe. Um time que tem Marcelinho Paraíba e Reinaldo Alagoano e, ainda assim, não tem poder de decisão. Já o Botafogo estava mais ciente do que queria para a partida, mais bem postado. Precisou de uma cobrança de falta para balançar as redes e administrar o resultado. Flávio Araújo ainda tentou. Mudou no intervalo. Sacou Reinaldo Alagoano para entrada de Edinho Canutama. Achei que Canutama iria começar de primeira, mas imagino que a opção seria para dar mais possibilidade de mudança ao estilo de jogo do decorrer da partida. Mas estranhei tirar Alagoano. Justamente o único centroavante nato do elenco. O matador, justamente quando o time precisava de gols. Penso que seria uma tentativa de, sem referência ofensiva, forçar o avanço da linha defensiva de quatro homens do Belo para ganhar campo pra infiltração. Só que na prática, seis por meia dúzia, nada mudou. Com o avançar dos ponteiros do relógio, a torcida foi ficando sem paciência, os que berravam acreditar foram perdendo a esperança e o time foi ficando nervoso em campo até o apito final.

Com a vitória, o Belo garante decidir a final em casa, podendo jogar por resultados iguais diante do Campinense. Aliás, já são sete anos assim. A Paraíba fica entre Raposa e Belo, com três taças de cada lado. Chegou a hora do desempate. Ao ganhador, a vaga direta na fase da Copa do Nordeste. Ao perdedor, fase preliminar do torneio regional. As duas melhores equipes da competição chegam à final com méritos. Será o primeiro duelo dos dois times neste ano. De antemão, acho que o Botafogo é favorito, basicamente pelo fator decidir em casa. Ao Campinense, cabe abrir boa vantagem na primeira partida, próxima quarta-feira, no Amigão. Acho que o caminho é por aí. Decidir em João Pessoa é bem difícil.

Já o Treze… Cara, a quarta colocação no Campeonato Paraibano está muito aquém da expectativa gerada pelo elenco montado e pelo investimento feito. Na prática – e desconsiderando o quadrangular da morte – só fez mais pontos que Atlético de Cajazeiras, CSP, Desportiva Guarabira e Auto Esporte. Deveria ser bem diferente. O único ponto positivo, se é que existe, é que a Série D desse ano será de suma importância para a sobrevivência do Galo, a única esperança, a última ficha. Precisa jogar para subir e não pode pensar em nada diferente disso. O sempre tão falando projeto Série B precisa, efetivamente, ser posto em prática. Falar é sempre muito fácil. Se não subir, ano que vem só tem atividade por três ou quatro meses, no máximo. Lá vai o Galo para outra Copa do Mundo. A estreia já acontece daqui a vinte dias, contra o Vitória da Conquista, no interior baiano. Para o torneio nacional, deve haver uma grande reformulação no plantel. Já era esse o diálogo no Amigão. E talvez as mudanças afetem não apenas o elenco. Vamos aguardar. O Galo tem bons valores. Mas precisa transformar esses bons valores em um time.

No fim das contas, feliz da vida está o Serrano. História bonita de contar. Um time que até outro dia estava inativo. Volta ao futebol por uma “herança”. Dentro das quatro linhas, em três anos, consegue desbancar times mais tradicionais e lá vai para a disputa de um torneio nacional. Só pra situar, quando um jogador troca de clube e vai jogar em um time de outro país, 5% do valor da transação é dividido entre os clubes formadores do atleta, onde ele jogou entre os 12 e 23 anos de idade. Salve Hulk! E bendito seja o mecanismo de solidariedade da Fifa!

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