OPINIÃO – No futebol, é preciso ser letal

No futebol, é preciso ser letal. Numa decisão, leva vantagem quem decide melhor. Lá fomos nós para João Pessoa, ver Botafogo e Campinense subirem ao tapete do Almeidão para o ato final do Campeonato Paraibano 2018. Era de se esperar que os donos da casa tomassem as rédeas da partida, naturalmente por precisar da vitória e pelo apoio do torcedor. Surpreende foi ver que, após dois ou três minutos de bola rolando, quem comandou as ofensivas foi o time visitante. O Campinense criou logo duas boas chances com Jackinha e Felipe Macena. Podia ter matado o jogo nos primeiros minutos e decidido a partida. Não decidiu. A Raposa estava melhor até por volta dos vinte minutos, quando prevaleceu o fator jogar em João Pessoa. Uma confusão entre gandulas e o banco de reservas do Campinense exaltou os ânimos de todo mundo e culminou com a expulsão de dois atletas do banco de reservas rubro-negro. Honestamente? Acho ridículo. Acho que as atenções devem ser voltadas para dentro das quatro linhas. Mexeu com o psicológico – tão importante para os atletas – dos visitantes e a partir de então, só deu Belo. As circunstâncias até pediam isso, tinha que correr atrás do prejuízo, mas não precisava que o marco central da virada de jogo partisse de uma confusão com os gandulas. A partir de então, um ciclo. Os alvinegros da estrela vermelha tentavam criar, eram parados com faltas pelos rubro-negros, Marcos Aurélio cobrava com perigo, Jefferson salvava como dava, um bate-rebate, um Deus nos acuda, os raposeiros afastavam… Bola com o Belo, falta, Marcos Aurélio, salve-se quem puder…  Botafogo no ataque, Marcos Aurélio na bola parada e por aí vai…

À parte: eu sou muito contrário a cera, cair pra lá e pra lá, tentar ganhar tempo nos mínimos detalhes. Especialmente quando a vantagem é mínima. O Campinense desse Campeonato Paraibano foi um time que fez isso sempre que pôde. Para mim, não é postura de um time vencedor. Ter gandulas próprios que brigam com o banco de reservas do time adversário também não é, mas não vem ao caso.

O Campinense conseguiu segurar o empate que lhe garantia o título, ainda que debaixo de sufoco, até o final do primeiro tempo. Desceu para os vestiários campeão. Mas na segunda etapa, foram precisos menos de cinco minutos e a vantagem do gol aos cem segundos de Tarcísio caiu por terra e mudou de lado. Felipe Cordeiro cruzou para a área que tinha – sinta a pressão – quatro botafoguenses. Dico cabeceou pra trás e desmontou a defesa do rubro-negro. Nando, fazendo valer a lei do ex, estufou as redes. No futebol, tudo muda muito rápido. As circunstâncias então mudaram e o Campinense se viu obrigado a fazer algo. Pouco fez. Bola pra lá e pra cá e faltava poder de decisão. O ímpeto ofensivo do Botafogo prevalecia perante a ineficiente criação rubro-negra. Se na primeira partida, beirou a perfeição, na volta deixou a desejar. O Belo esteve quase sempre mais perto do segundo gol – exceto quando Muller Fernandes ganhou pelo lado direito e fez a bola passar na cara do gol sem que Ortigoza conseguisse empurrar para as redes. No lance seguinte, falta para o Belo e Lula, solto na área, marcou o segundo. Um abraço!

O Campinense sonhou e foi valente, brigou e talvez tenha ido até além das expectativas com o vice-campeonato. Restam amadurecimento, lições valiosas e reflexões que podem fazer a diferença nas competições que restam: Série D e Fase Preliminar da Copa do Nordeste, cujo adversário será conhecido já nessa segunda-feira para que as partidas aconteçam em 18 e 25 de abril (ainda deve ser ajustado pela TV e CBF).  No conjunto dos 180 minutos, o Belo foi superior. Era, aliás, esperado que fosse assim. Diz o ditado que a melhor defesa é o ataque. Terminados os 72 jogos que envolveram as disputas do Campeonato Paraibano 2018, foi campeão quem melhor atacou – ou decidiu, como queiram entender. O Belo marcou 35 dos 158 gols da competição, mais de 22% das vezes em que a rede balançou. Teve também o artilheiro, Nando, com 10 gols. Letal. Confirmou o favoritismo do início da competição e foi mais merecedor do título.

 

Em tempo: Doda, Magno e Adalgiso Pitbull no Mato Grosso com o Cuiabá; Thaciano no Gaúcho com Grêmio; Arthur Cabral e Pio no Cearense com Ceará; Wanderson no Paranaense com o Atlético; Renatinho no Carioca com o Botafogo; Negretti no Pernambucano com o Náutico; Jerfeson Recife e Fernandes com o Remo no Pará; Ricardo Maranhão no Maranhense com o Moto Club; e Daniel Costa no Alagoano com o CSA, todos campeões estaduais neste domingão. Certamente esqueci alguém. 

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2 Responses

  1. Carlos Campello

    Os jogadores do Campinense estão de parabéns pela garra e determinação dentro de campo, isto não se pode negar. A superioridade técnica do Botafogo era evidente e foi mais do que merecido ter conquistado o título. Willian Simões será que o senhor viu o Marcos Aurélio do Botafogo? Viu a diferença que faz ter um meia que a qualquer momento decide o jogo? Pois bem esta já é a quarta competição consecutiva que a torcida pede pelo menos um meia e nada foi feito. Só vem jogador meia boca pra esta posição, este é o resultado, títulos ou acesso que é bom, nada.

  2. Olisvaldo

    O campinense começou a entregar o título ao botafogo no momento em que o treinador da raposa substitui de forma errada o zagueiro rafael araujo ao invés de tirar de campo o zaqueiro Rafael jansen que estava com o cartão amarelo. Assumiu o risco é se deu mal. Pois logo depois veio a expulsão e o segundo gol por falha no míolo da zaga, onde faltava um zagueiro para rebater a bola. Futebol e detalhe!!! Depois dos vinte do segundo tempo o bota queria só se defender. Este foi o grande erro amigos.
    Ficou fácil para o belo.

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