OPINIÃO – Um jogo frio de aquecer corações

Tarde chuvosa de domingo. Clima propício para Netflix, cafuné, edredom e chocolate quente. Mas Campinense e Flu de Feira abriam suas participações na Série D. O reencontro de dois clubes cujo histórico recente se mostra bem equilibrado. Ano passado, por exemplo, em quatro confrontos só deu empate. A chuva deixou o campo pesado. Aliás, o gramado pode até não ser padrão Fifa, mas a drenagem tá de parabéns. Os dois times têm plantéis similares, com jogadores experientes e de qualidade. São, de longe, os favoritos a avançar num grupo que ainda conta com Flamengo de Arcoverde-PE e Murici-AL.

A Série D a gente já conhece. A receita é vencer em casa e arrancar pontos fora. Num primeiro tempo debaixo d’água, destaque para os muitos guarda-chuvas na arquibancada e para alguns gatos pingados – me perdoem o trocadilho, não me contive, levem na esportiva – que se propuseram a cantarolar um bocado. Só imagino esse pessoal chegando no trabalho amanhã sem voz. Dentro de campo, pouquíssimo. Escassas oportunidades de gol e nenhum chute de longa distância. A novidade no rubro-negro em relação ao time que vinha jogando foi a ausência de Muller Fernandes para entrada de Dan, o que fez com que o time atuasse sem referência no ataque, já que Tarcísio, que não tem esse perfil, atuava mais centralizado. Eram duas perdas: primeiro por não ter a referência que precisava para o esquema utilizado, segundo por não ter Tarcísio na ponta direita, seu habitat natural. Curiosamente, ainda assim, o time insistia em algumas jogadas de linha de fundo. Sem sentido. Nada mais a declarar de um dos primeiros tempos mais frios – em todos os sentidos – dos últimos tempos. Na segunda etapa, Muller no lugar de Dan. Em dia de campo pesado e futebol sem objetividade, alguém de maior estatura, que prenda os zagueiros e segure a bola lá na frente, de fato, era o ideal na minha humilde opinião. O jogo tinha cheirinho de zero a zero, mas o rubro-negro já mostrava um pouco mais de disposição ofensiva. A boa entrada de Thiago Potiguar deu mais dinâmica à equipe. Foi com essa dinamicidade que a bola chegou à ponta esquerda e coube a Danilo Bala penetrar por entre a defesa (como já tinha ensaiado momentos antes) para marcar um belo gol. Talvez um achado, mas desequilibrou. A partir daí, o time baiano precisou se expor um pouco mais e deixou espaços lá atrás. Foi quando o Campinense conseguiu criar mais oportunidades. Há de se destacar a breve participação de Marcelinho. Em pouco tempo, agradou e conseguiu provocar a expulsão de Rodolfo Potiguar. Deixou uma primeira impressão positiva e gera expectativa de que seja uma ótima opção para Ruy Scarpino. Vale lembrar que alguns jogadores ainda não estrearam, como os volantes Gustavo Henrique, Fábio Leite e Jorginho, e o centroavante Denilson.

Resultado importantíssimo. Um jogo frio, mas que aqueceu os corações. Não apenas pelos três pontos, mas por não permitir que, teoricamente, seu grande concorrente pontue. O Flu de Feira atuou maior parte do tempo se defendendo, mas mostrou não ser um time bobo. Tem boa organização, valores individuais e levou perigo em algumas oportunidades. Ao rubro-negro, agora, creio que é necessário se impor. Serão dois jogos fora, contra Murici e Flamengo. Mesmo longe de seus domínios, precisa jogar com seriedade em busca da vitória. Não pode se dar ao luxo de não pontuar fora de casa contra adversários, em tese, mais fracos.

Amanhã é a vez do Galo. Vitória da Conquista/BA, Santa Rita/AL e Itabaiana/SE. Meu palpite é que deve ser um grupo mais equilibrado. O único porém é que o time do Treze é bem diferente em relação à equipe que iniciou o ano. Desde a eliminação no estadual, já foram mais de vinte mudanças no plantel, entre chegadas e partidas. Fica difícil supor alguma coisa, mas tem atletas qualificados, tem camisa e, espero eu, deve brigar com o Itabaiana pela primeira posição na chave.

 

Só pra não esquecer, período chuvoso tá aí, a tendência é que a caminhada na Série D seja debaixo d’água. Recomendo aos torcedores a aquisição de casacos e capas de chuva. Anunciantes, me procurem, estamos à disposição.

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