ARRUMADINHO NO CLÁSSICO DOS MAIORAIS?

Em cima do pé de goiaba, eu procurava um galho mais confortável e firme que pudesse me oferecer o mínimo de conforto e segurança. Rádio numa mão e a fruta na outra. De muito longe eu conseguia avistar o estádio. Uma parte da arquibancada geral e as torres de iluminação. O vento trazia o barulho dos fogos, com um pequeno delay. Assim eu estava pronto para mais um Treze e Campinense.  A narração de Joselito Lucena, aquela entonação típica e particular dos repórteres, as vinhetas, o barulho da torcida, me teletransportavam para o Amigão.

Anos depois, já devidamente sentado nos batentes da arquibancada sombra,  naquela parte em que a marquise não protege do sol das 16h,  assisti a um clássico dos maiorais. O primeiro em que eu fui sozinho. Lembro que foi no final dos anos 1990. O Campinense montou um time de garotos. A maioria da base. Magros, pernas finas e material esportivo muito do “péba”. O Treze, não. Ali era o Galo mesmo. Jogadores rodados entraram numa cancha daquelas, uma confiança vista somente no olhar de um gigante jebuseu.

Estava muito claro de que uma goleada era o mínimo que poderia acontecer. Mas, heroicamente os meninos do Raposinha conseguiram um empate em 0x0. Saíram aplaudidos de pé por sua torcida. Em jogos assim, tudo pode acontecer e normalmente, quando dá, o time que é tecnicamente inferior consegue igualar as ações, excepcionalmente em momentos como este. Desde que eu acompanho os confrontos das duas equipes,  raríssimas vezes goleadas aconteceram. O negócio é nivelado. Por cima ou por baixo, mas é.

Vale a pena também ressaltar que, diferente de outras rivalidades espalhadas pelo Brasil, entre os dirigentes de Galo e Raposa não há muita gentileza nos bastidores. Em 2002, o Campinense tomou um Wx0 num jogo em Cajazeiras que poderia ajudar o Treze, em caso de derrota do Atlético. Em 2018, suspeitaram da derrota do Rubro-Negro para o Serrano. Em 2012, muitos torcedores do Treze reclamaram de um suposto “corpo mole” que teria sido feito no jogo contra o Sousa para prejudicar o Alvinegro.

Se o Campinense vencesse aquela partida seria campeão direto e o rival ficaria com o vice-campeonato. O Sousa ganhou, venceu o segundo turno e na sequência perdeu a final para o time de Campina Grande. Eu estava lá e presenciei o estádio lotado vaiando o seu time, que tocava a bola de um lado para o outro. Teoria da Conspiração? Depois disso, movido por um atrevimento jamais visto no futebol brasileiro, o Galo, até então sem competição para jogar, peitou a CBF, a FIFA e arrancou da justiça comum uma vaga na Série C do Brasileiro.

Mesma Terceira Divisão que espera o Treze no segundo semestre de 2019. Só que uma catástrofe poderá acontecer antes disso. O rebaixamento para a Série B do Paraibano. No futebol é sabido que deixar para a última hora e ainda contar com o resultado alheio não é muito confiável. O Campinense já está classificado com uma tranquila antecedência e o técnico Francisco Diá já disse que não há vantagem ou diferença entre decidir em casa ou fora de seus domínios. Será que vai rolar um time misto?

Talvez valha muito, para alguns, rebaixar o arquirrival. Entraria para a história. Acho que teria até volta olímpica. É verdade que o Treze está caindo pelas tabelas nesse estadual, mas aquele amistoso preparatório da inauguração do gramado pode servir de inspiração para uma possível escapada. Quem sabe, no último momento o “grand finale”, em ritmo de forró, que nortearia um novo momento, já com a proximidade do São João. Está meio longe, mas o povo aqui só fala nisso.

Na Rainha da Borborema, se deseja feliz ano novo depois dos 30 dias de festejos juninos. Os mesmos fogos de artifício ouvidos nos anos 90, na goiabeira, serão motivo de comemoração ou de tristeza, na noite que ficará para sempre lembrada como a quarta-feira em que o Treze foi rebaixado pelo rival, se salvou ao triunfar sobre o inimigo, ou contou mais uma vez com a sorte. O Galo de hoje lembra muito o Campinense que conseguiu arrancar um empate, naquele distante domingo do século passado. É só aproveitar o tempo que resta para deixar tudo arrumado. Estaremos lá. Mais próximo do que nas outras ocasiões.

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