Justiça com os próprios pés

Existe injustiça no futebol? Não me refiro a erros de arbitragem ou fatores extracampo. Mas, quando um time que – aos olhos dos que se julgam entendedores – merecia vencer ou ser campeão, simplesmente fica pelo caminho e não alcança o objetivo traçado, o que teria ocasionado o insucesso? Depende do ponto de vista. O goleiro caiu para um lado só, na hora dos pênaltis? O lateral colocou para escanteio e deu origem ao lance do gol sofrido, como Júnior Capacete em 1982? Se Dunga tivesse derrubado Maradona na Copa de 1990, Caniggia não teria eliminado o Brasil. Se Roberto Carlos deixasse para arrumar o meião depois da falta, Henry não faria aquele golaço. Se a bola não tivesse ido na trave da Bélgica e a de Renato Augusto fosse centímetros mais para a esquerda? Se o torcedor ficar mastigando isso no juízo, entra em depressão. Vai ter que chamar o VAR, para se livrar.
O árbitro de vídeo no Brasil parece que não vai acabar com as , cada vez mais, fervorosas reclamações. Existem os programas esportivos de TV que vivem só de reprisar lances em câmera lenta para que os comentaristas possam esbravejar e fingir que estão se desentendendo, para tentar aumentar a audiência. Tem até os ex-jogadores que defendem as cores dos seus times. Tudo isso, ao longo do tempo, serviu para acirrar ainda mais os ânimos e a não aceitação da derrota. Enquanto tiver e, sempre vai ter, a questão subjetiva da interpretação do lance, o fator humano continuará a decidir e não dá nunca para saber o que se passa no cerebelo alheio. A corrupção é companheira do gênero humano desde sempre. E nem sempre se erra por que quer, tem o fator humano também que precisa ser levado em consideração. Cabe a cada um responder pelos seus procedimentos e ser julgado por outros homens, suscetíveis aos mesmos sentimentos e influências.
Não sei o tal do VAR um dia chegará à Paraíba. Mas, esse ano foi perceptível a evolução da arbitragem, que contou com reforços de outros estados, como Sergipe e São Paulo. O receio era grande, antes de o campeonato começar, em virtude do passado recente e tenebroso, com a manipulação de resultados sendo possivelmente responsável por inúmeros títulos , que a história não vai mais apagar e nem corrigir. Assim como em muitos livros, fatos históricos talvez sejam relatados de forma distorcida, em que não se há certeza de sua veracidade, da mesma forma, muitos campeonatos podem ter sido decididos de maneira escusa. Não só na Paraíba. Se for puxar, chega até em Copa do Mundo. Pelo menos em 2019, ninguém está botando a boca no trompete, como Felipão do Palmeiras,no Paulistão.
Podemos concluir que a eliminação do Atlético de Cajazeiras, para o Campinense, foi uma daquelas “injustiças” do futebol. Ou talvez não. Na seleção natural do esporte, os melhores avançam. Podemos identificar fatores que ocasionaram as falhas e desencadearam no insucesso do time sertanejo. Da mesma forma que , o Rubro-Negro foi um exemplo grandioso de superação. Venceu os desfalques, a falta de dinheiro e turbulências internas. Perdeu até o favoritismo antes do jogo. Se desse a lógica, a Raposa daria adeus ao certame. Só que essa palavra proparoxítona nem sempre aparece nos gramados. “É glorioso e é de decisão”. Essa mística cai muito bem no time de Campina Grande. Vingou a ousadia dos sertanejos, que fizeram o que quiseram com o rival Treze em dois confrontos. Agora é só tentar mudar a lógica de novo. Porque nunca um campeonato, antes mesmo de acabar, deu tantos sinais de que a taça já tem dono,como o de 2019. Justiça seja feita.
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