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O francês Jérôme Valcke era secretário-geral da FIFA. Foi ele mesmo que sugeriu que o Brasil precisava de um chute no traseiro, por causa do atraso nas obras para a Copa de 2014. Vítima de seu próprio conselho, ele foi escorraçado da instituição maior do futebol, por causa de um esquema ilegal de venda de ingressos para o Mundial daquele ano. Lembrei-me dele, não sei por quê. Deve ter sido por causa dos gramados em péssima condição na Copa América. Cinco anos depois, o porco volta a chafurdar na lama. Não somos capazes de administrar nossos legados e nem mesmo preservar o básico, que também precisa ser pisoteado por fãs de rock e outras bandas, para que o vil metal mantenha as vigas levantadas pela Odebrecht.

Na mesma França, de Jérôme e Platini – que recentemente passou 12 horas preso, por causa de supostas e possíveis maracutaias na escolha do Catar 2022 – está acontecendo a Copa do Mundo de futebol feminino. Pelo menos lá, os gramados, são irretocáveis, sem mácula, perfeitos. O passe pode ser dado com confiança e rasteiro. Não há a necessidade de bater embaixo da bola, para que ela aterrisse próximo ao destinatário. Por isso, o argentino Messi ficou na bronca com os campos de jogo no Brasil. Perdeu até um gol de frente para a trave, isolando a bola, numa cena que não combina com o protagonista. É o preço a ser pago por quem nunca jogou na várzea. Se o comparam tanto com Pelé, deviam ver onde o rei do futebol teve de jogar em toda a sua carreira.

Em contrapartida, naquele tempo, as marcações eram mais amenas. Não dá para fazer analogias mais profundas, por causa das épocas muito distintas. Mas quem é criado na buraqueira de um terreno baldio, joga tanto na rua Javari, como no Camp Nou. Já o contrário, não garanto que aconteça. Os memes com Lionel, a mão no rosto, cabeça baixa, são os mais esperados e previsíveis antes de um jogo decisivo da sua seleção. Será uma maldição? No papel, os caras não ficam devendo a nenhuma equipe do mundo, mas com a bola rolando, as situações de jogo não se encaixam. Na contramão das seleções historicamente inexpressivas como Peru e Venezuela, as tradicionais precisam esquecer-se do passado de glórias e reconhecer que é necessário se adequar à nova ordem futebolística.

Quanto ao Brasil, parece que o pontapé nas nádegas aconteceu em dose dupla. Primeiro com a Alemanha e depois foi a vez da Bélgica. Pode ser que agora haja o resgate do bom futebol, a genialidade, aliada à obediência tática , com foco no resultado. Só que é muito cedo para qualquer análise. Afinal, infelizmente os adversários da América do Sul não servem muito como parâmetro. Mesmo que o título venha, não dá para saber se já estamos prontos. Pelo menos, treinando em gramados ruins, na Copa de 22 estaremos afiados. E Messi? Volta para sua realidade galáctica, possivelmente pronto para receber o menino Neymar novamente no Barcelona. O conselho será o mesmo, talvez: “Seja você. Atue como jogava no Santos e não tenha medo de mim, nem de ninguém”. Para o Lionel da Seleção Argentina, bem que um chute no traseiro também não faria mal. O Messi do Barça segue sendo extraterrestre.