OPINIÃO – Toda dúvida é uma incógnita?

Foto: Daniel Lins

Logo mais, a bola rolará! Hoje é dia de Clássico Emoção. Botafogo/PB e Campinense entrarão em campo para o reinício das disputas do certame estadual. Clássico Emoção sob fortes e variadas emoções. O clichê nunca foi tão válido. Muito se questiona se este retorno se dá no momento certo. 

Para que reflitamos juntos, reuni alguns dados antes de falarmos do jogo em si. Dados estes que estão disponíveis nos borderôs oficiais e também disponibilizados pela Secretaria de Saúde da Paraíba. Pois é, o Campinense teve, até aqui, quatro jogos sob seu mando de campo neste Campeonato. Foram eles contra o Sport Lagoa Seca, Botafogo/PB, Treze e Perilima, nessa ordem. Em se tratando do público, foram 3.862 pagantes contra o Treze, em 16 de fevereiro, pela 5ª rodada. Três dias depois, 19 de fevereiro, mas em jogo atrasado da 3ª rodada, encarou o próprio Botafogo/PB, com público total de 2.277 torcedores. Dia 21 de janeiro, na rodada de abertura, recebeu o Sport Lagoa Seca para 1.200 adeptos. E na última partida do rubro-negro antes da paralisação, contra a Perilima em 07 de março, pela 7ª rodada, um público total declarado de 803 presentes. 

O Campinense, portanto, declarou um público total de 8.142 torcedores, tendo média de 2.035 pagantes por partida no Campeonato Paraibano 2020. Aliás, bom que se diga desde já: o Campinense detém a maior média de público dentre os três grandes clubes do estado – resguardando o devido respeito aos demais, evidentemente. Também deve-se levar em consideração que teve os dois clássico sob seus domínios, o que com certeza fez diferença. 

O Treze, por sua vez, apesar de média de público inferior, com 1.910 torcedores, a menor entre os três, foi bem mais uniforme. O maior público foi registrado na 4ª rodada, em 09 de fevereiro, quando 2.102 pessoas acompanharam a partida contra o Nacional de Patos. Na 1ª rodada, em 22 de janeiro, contra o CSP, foram 1.878 torcedores. Contra o Sousa, no último jogo antes da parada, foram 1.841 presentes, isso no dia 15 de março. Contra o São Paulo Crystal, em 08 de março pela 7ª rodada, foram 1.819 pagantes.

O Botafogo/PB foi quem teve o calendário mais complicado, por ter jogos adiados em decorrência das participações simultâneas na Copa do Brasil e Nordestão, que não entram no levantamento por serem competições com atrativos diferentes. Além disso, disputou também a última partida antes da paralisação, contra o Sousa em 18 de março, válido pela 4ª rodada sem presença de torcedores. Desse modo, teve apenas duas partidas com presença de público, contabilizando média de 2.026 torcedores no Campeonato Paraibano. Foram 2.728 torcedores contra o São Paulo Crystal na estreia, 21 de janeiro, e 1.324 contra o Nacional de Patos na 7ª rodada, 15 de março.

Dito isso, me sinto obrigado a trazer os números mais recentes da Covid-19 na Paraíba. Só nesta quarta-feira, 15, foram 1.477 novos casos de coronavírus, totalizando 63.939 infectados e 1.383 mortes, das quais 41 foram registradas ontem. Isso quer dizer que morreu mais gente na Paraíba do que o Campinense levou a campo em duas de suas partidas no Campeonato Estadual. Isso também vale pro Botafogo, teve jogo com menos público por lá também. O número de infectados no Estado é quase oito vezes maior que o público do Campinense em toda a competição. A soma do público total das três equipes nas dez partidas disputadas sob seus mandos de campo (4 do Campinense, 4 do Treze e 2 do Botafogo/PB), 19.843 torcedores, representa 31% do número total de infecções no estado. Não podem ser só números.

Em se tratando do jogo, o principal destaque se deve ao fato de que de 2012 pra cá, as duas equipes foram hegemônicas e se revezaram nas conquistas do Campeonato Paraibano. E em todo esse tempo, certamente nunca houve tanto desnível entre as duas equipes como se imagina para logo mais, em especial pelas mudanças pelas quais passa o rubro-negro e principalmente diante da saída precoce e surpreendente de Evandro Guimarães do comando técnico. Desde o início do ano, o Botafogo/PB já tendia a estar pelo menos um degrau acima dos adversários. A situação do Campinense nos faz questionar até se o clube não teria descido alguns degraus. Isso não significa uma sentença de desequilíbrio, mas em uma análise prévia tudo isso precisa ser posto à mesa. Tudo pode acontecer, porque, afinal, o futebol é imprevisível. Mas mesmo com tantas dúvidas, seria muita petulância dizer que a partida de logo mais é uma incógnita.

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