OPINIÃO – Tudo para ser o time a ser batido

Quanto vale um título? A empolgação do torcedor, um troféu na galeria, a zoação ao rival. O ápice da emoção estampado num grito de campeão também tem um valor, não apenas sentimental. Com a conquista do Campeonato Paraibano 2020, em especial sobre o Campinense – não por serem a maior rivalidade do estado, que fique claro -, o Galo se posiciona fortemente na cena local e pode consolidar uma base hegemônica para os anos que virão. O Treze tem tudo para ser o time a ser batido na Paraíba nas próximas temporadas.

Foto: Ester Vasconcelos

 

Antes de falarmos das finanças envolvidas, falemos do processo. O Treze talvez não fosse a melhor equipe do Campeonato Paraibano, mas foi a mais determinada em conquistar o título. Prova disso foram os gols decisivos nos instantes finais, sempre no segundo tempo: aos 36’ com Nilson Júnior para avançar às semifinais; aos 37’ com Ermínio para chegar à final; e aos 43’ com Bruno Mota para ser campeão. Uma conquista na base da raça. Mérito total à garra do Treze. 

Se engana, no entanto, quem pensa que o trabalho está feito. Na verdade, ele começa agora. A confiança gerada pelo título pode resultar em duas situações. A primeira é motivação elevada que pode melhorar o rendimento de uma equipe. O time cresce. Mas por outro lado, existe o risco de os gestores considerarem que está tudo bem e que a equipe não precisa de reforços, quando, na verdade, o Treze apresentou problemas de posicionamento, cobertura defensiva, criação de jogadas e, principalmente, finalização. Mais que bem-vindos, reforços são necessários para disputar a Série C sem maiores percalços.

Foto: Daniel Lins

Para os mais supersticiosos, os últimos títulos estaduais conquistados pelo Treze foram bicampeonatos. Foi assim nos biênios 2000-2001, 2005-2006 e 2010-2011. Mas 2021 é promissor para o Galo por outros motivos. O Programa Paraíba Esporte Total, publicado no Diário Oficial do Estado no último dia 09 de julho, prevê aporte financeiro de R$ 4 milhões de reais ao esporte profissional no estado, dos quais, 75% (R$ 3 milhões de reais) é destinado aos clubes da elite do futebol paraibano, divididos de acordo com a participação no estadual do ano anterior e em competições regionais e nacionais. A lei prevê que o campeão têm direito a 10,1128%, que representa R$ 303.346,00; o vice-campeão recebe 8,4173%, ou R$ 252.519,00; os clubes da Série C dividem 13,4231%, ou R$ 402.693,00; Na Série D, a cota destinada representa 4,7316%, totalizando R$ 141.948,00; aos participantes da Copa do Brasil, 9,5829%, ou R$ 287.487,00; e pela Copa do Nordeste, 9,1422%, que totaliza R$ 274.266,00. O percentual restante de 44,5901%, é dividido entre os clubes não finalistas no campeonato estadual, que resulta em R$ 167.212,00 para cada equipe. 

Saliente-se que nessas contas ignorei os centavos, para não abusar das minhas habilidades matemáticas. Ademais, a quantia é destinada à competição como um todo e não às equipes, ou seja, o valor total é dividido entre os clubes participantes. Por exemplo, caso Atlético de Cajazeiras ou Campinense consigam o acesso à Série C, a quantia que hoje é dividida por dois clubes (Treze e Botafogo), será dividida por três ou quatro. O mesmo vale em caso de possível descenso à D, Copa do Brasil e Copa do Nordeste, neste último caso valendo apenas a fase de grupos.  

Ou seja, por ora, o Treze têm direito a R$ 303.346,00 pelo título. Pela Série C, dividindo cota com o Botafogo/PB, deve receber mais R$ 201.346,00. Na Copa do Brasil junto ao Campinense, recebe R$ 143.743,00. Pela Copa do Nordeste, já garantiu R$ 137.133,00, sendo possível dobrar esse valor caso o Botafogo/PB não avance na Pré-Copa do Nordeste. 

Deste modo, apenas via Paraíba Esporte Total do governo do estado, o Treze pode alcançar R$ 922.740,00, dos quais R$ 785.606,00 já garantidos para 2021. Some-se a isso as cotas da participação na Copa do Brasil e Copa do Nordeste, que neste ano pagaram, respectivamente, R$ 540.000,00 e R$ 775.000,00, mas que costumam ser reajustados ano a ano. Considerando a conjuntura e os valores atuais, 2021 deve ser de vacas gordas, com pelo menos R$ 2.100.606,00 na conta. Isso mesmo. Mais de dois milhões e cem mil reais. 

Num esporte tão dinâmico, onde tudo muda com tanta rapidez, o Treze, até desacreditado após longos anos de jejum, ressurge muito vivo e sob condições financeiras extremamente favoráveis.  

 

Quanto receberão os demais clubes via Paraíba Esporte Total em 2021?

  • Campinense: R$ 252.519,00 (pelo vice-campeão); R$ 70.974,00 (Série D); R$ 143.743,00 (Copa do Brasil); Total: R$ 467,236,00
  • Botafogo/PB: R$ 167.212,00 (por jogar o estadual); R$ 201.346,00 (Série C); Total: R$ 368.558,00, podendo ascender à R$ 505.691,00 caso avance à Copa do Nordeste
  • Sousa: R$ 167.212,00 (por jogar o estadual); R$ 70.974,00 (Série D); Total: R$ 238.186,00
  • Demais clubes da Primeira Divisão do Campeonato Paraibano: R$ 167.212,00

 

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1 Response

  1. Marcos Siqueira

    Excelente análise, Ademar. Veremos agora como essa Diretoria administrará esse dinheiro todo ano que vem, fazendo com que essa hegemonia, de fato, se concretize. Pois até agora fez futebol com poucos recursos.

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