OPINIÃO – Parceria é algo bom?

Era terça-feira, dia 11, por volta de 15h, véspera do jogo de ida da final do Campeonato Paraibano. Meu telefone tocou: 

– Fala, Ademar! Me diz uma coisa: o Nei Júnior foi demitido? Acabei de receber uma ligação pedindo indicação de treinador pro Campinense. – Perguntou-me um amigo dos bastidores do futebol, do outro lado da linha.

Àquela altura, Nei seguia no comando do rubro-negro. A manutenção do técnico, inclusive, era bancada por algumas fontes ligadas à diretoria. No dia seguinte, um revés no primeiro jogo da final. Dois dias depois a demissão foi confirmada.  

Dificilmente saberemos se, de fato, já se procurava um novo treinador para a equipe.

Particularmente, compreendo a decisão da diretoria quando trouxe Nei. Em meio a indefinições, um nome com aval do elenco poderia ser promissor. O risco existe e a consequência pode ser ingrata. Se desse certo, seria uma decisão mais que acertada. Como deu errado, resulta em chuva de críticas pela aposta. São torrentes pretéritas. Sigamos adiante.

A aura nebulosa que ronda o Campinense não ajuda. A desconfiança ano após ano, gestão após gestão, é crescente. Todos querem criticar. Poucos querem assumir.

Givanildo Sales, novo treinador do Campinense, conversa com atletas. Foto: Daniel Lins

Em parceria com o repórter Iago Sarinho, do Jornal União – que, aliás, é fera pra caramba! – fizemos um levantamento contabilizando todos os atletas que já passaram pelo Campinense na temporada 2020, seja por anúncio, apresentação ou regularização junto à CBF através do BID. Até 20 de agosto, foram 6 técnicos e 61 jogadores. A matéria foi publicada na página 16 da edição de 21.08.2020, e o PDF pode ser encontrado aqui, para download. Um número bastante considerável, né!? 

Com poucos recursos e pouco apoio, poucas opções restaram à diretoria, que optou por uma parceria com uma empresa de agenciamento de atletas, para que essa viesse a gerir o departamento de futebol do clube. Parceria essa que, é bem verdade, poderia ser melhor explicada publicamente e que carrega consigo o preconceito por tantas outras parcerias Brasil afora que não terminaram bem. 

Não é de hoje que os empresários e agenciadores de atletas participam ativamente dos bastidores do futebol. Isso não faz deles mocinhos ou bandidos. É sempre o resultado que define a avaliação positiva ou negativa por parte dos torcedores. 

Lembro-me de 2015. Passado não muito distante. Ano do centenário do Campinense. A rotatividade no elenco era altíssima. Não é difícil encontrar arquivos que apontem mais de 70 atletas naquele ano. O torcedor de memória um pouco mais apurada deve lembrar que não foi incomum jogadores recém-chegados serem alçados à titularidade e em seguida perderem espaço. É bem verdade que muitos bons jogadores passaram pelo clube naquele ano. Um deles foi Leandro Sobral. Contratado em 19/03, encarou jogos difíceis contra Bahia, 25 e 28/03 pela Copa do Nordeste e Grêmio, 01/04 pela Copa do Brasil. Dias depois, 06/04, o Campinense foi até João Pessoa para enfrentar o Auto Esporte pelo estadual. Lá estava Sobralzinho, como era carinhosamente chamado por Francisco Diá, envergando a camisa 10, um inovador “falso-armador”, jogando à frente da linha defensiva. O Campinense perdeu por 2 a 0, fora o baile do Macaco Autino. Com o tempo, Sobral se mostrou um ótimo executor de funções, com pegada e intensidade. Mas longe de um camisa 10.

Aquele time é lembrado com saudosismo, não pela suposta interferência do empresariado e alta rotatividade do elenco, mas por ser campeão paraibano, pelas participações satisfatórias nas Copas do Brasil e do Nordeste e pela eliminação na Série D nos pênaltis contra o Operário/PR com gostinho de que poderia ter ido mais além.

Foto: Daniel Lins

A linha tênue entre sucesso e fracasso, aos olhos de muitos torcedores, se define basicamente pelo resultado. A parceria FDA Sports e Campinense Clube sabe disso. Sabe também da sede do torcedor raposeiro pelo acesso à Série C. Se dará certo… só os resultados dirão.

 

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