OPINIÃO – Um jogo faz diferença, quiçá três

Há exatamente um mês, o Treze entrava em campo em João Pessoa para encarar o Botafogo/PB pela partida de ida da semifinal do Campeonato Paraibano. Dias antes, havia vencido o Clássico dos Maiorais com gol salvador de Nilson Júnior, na base da pressão. O detalhe é que, não fosse esse tento, o Treze sequer teria se classificado à semifinal do estadual. 

Naquele 31 de julho, o Galo perdeu por 2 a 0. Talvez houvesse espaço pra mais, mas o Belo jogava no limite, pro gasto, à lá Mogli: somente o necessário. 

Naquele momento, era notório que o Treze tinha limitações técnicas e táticas que precisavam ser revistas. Dias depois, na base da raça, conseguiu reverter a derrota pro Botafogo, venceu o Campinense e acabou campeão. 

Talvez muitos não gostem de saber isso: o Treze foi Campeão Paraibano sem ser melhor time. Foi o mais determinado na fase final e aqui não há nenhum demérito. Soube aproveitar-se da queda livre de Botafogo/PB e Campinense e da falta de sorte do Atlético de Cajazeiras. Engana-se, porém, quem pensou que o estadual poderia ser parâmetro ou um bom presságio. Só por milagre há mudanças da água pro vinho. 

Escrevi aqui mesmo que o título poderia elevar a confiança da equipe e fazê-la subir de rendimento, ao tempo em que também poderia mascarar a necessidade por reforços necessários à equipe. Três jogos depois, nada mudou. Com três derrotas, o Treze é o lanterna. O Botafogo/PB é o 8ª, à frente do próprio Treze e do Imperatriz/MA, que tem dois jogos a menos que o Belo. Quer maior demonstração de que o Paraibano não poderia ser parâmetro? De quebra, a seleção oficial do Campeonato, divulgada essa semana, tem como base o time alvinegro, com 9 jogadores e o treinador. Parabéns aos envolvidos.

Na atual conjuntura, o Treze é um forte candidato ao rebaixamento e isso precisa ficar bem claro. E essa não é uma conclusão de agora. Não se dá apenas pela derrota vexatória e revoltante frente ao Ferroviário/CE. Não pelas derrotas anteriores, para Santa Cruz/PE e Paysandu/PA, também nos instantes finais da partida. Qualquer pessoa longe de motivações passionais e com um mínimo entendimento de futebol pode constatar.

Não acho que se deva mudar tudo. Com todas limitações, nem tudo está errado. É bem verdade que o Treze tem um bom setor defensivo, transições rápidas e bem organizadas e se apega a um bom contra-ataque. Não acho que o técnico Moacir Júnior deva ser demitido. Talvez precise explicar melhor algumas de suas escolhas. E sim, ele precisa explicar! Não pela imprensa, mas por respeito ao torcedor. Ao tempo, precisa mostrar mais de suas credenciais e aptidões para seguir no comando e superar essa maré de quatro derrotas seguidas. Seja Moacir ou não, o plantel precisa de mais opções. O Treze sequer tem um time titular competitivo para o nível da Série C, quanto mais elenco. Reforços, no plural, são necessários. 

Na últimas duas vezes em que disputou a Série C, em 2014 e 2019, o Galo definiu sua vida na última rodada. Em 2014, enquanto o Treze venceu o Salgueiro/PE por 3 a 0 no PV e chegou aos 19 pontos, o Águia/PA derrotou o Botafogo/PB por 2 a 1 em Marabá e alcançou 20 pontos. Treze rebaixado. Ano passado, o Treze empatou com o Botafogo/PB por 2 a 2 no Amigão e fez os mesmos 19 pontos de cinco anos antes, e o ABC/RN venceu o Globo/RN por 2 a 0, sendo os potiguares os rebaixados com 18 e 16 pontos, respectivamente. Ou seja, um único jogo pode fazer a diferença na Série C. Quiçá três. 

 

 

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