OPINIÃO – O cantor desencantou!

Carne e unha, alma gêmea, bate coração! Parecia uma tarde qualquer de 2008. Se tem alguém que vai botar a cabeça no travesseiro pra dormir feliz da vida, num sonho lindo de viver, esse é o Fábio Júnior. 

Era 10 de outubro de 2009, uma noite de sexta-feira, 30ª  rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Campinense e Ponte Preta, Estádio Amigão. Com menos de um minuto de jogo, Fábio Júnior fazia seu último gol pelo rubro-negro. É bem verdade que o time não só perdeu  aquela partida como acabou rebaixado, gerando ao torcedor uma das maiores saudades do que não se viveu. 

Em seguida, Fábio Júnior atuou no futebol português e egípcio. Ele esteve em campo e inclusive marcou o único gol do Al-Ahly no que ficou conhecida como a Tragédia de Port Said, uma briga generalizada entre torcedores ao término da partida entre Al-Masry e Al-Ahly que vitimou mais de 70 pessoas, em 1 de fevereiro de 2012. Depois deste episódio triste, Fábio parou de jogar futebol. 

Fábio Júnior e Givanildo Sales, técnico do Campinense. Foto: Daniel Lins

E eis que no início desta temporada, ele topou o desafio de largar a aposentadoria e voltar a jogar futebol profissionalmente depois de mais de 7 anos de inatividade. Além de toda a dificuldade para ser regularizado, encontrar uma boa forma física, se motivar, ainda precisou de oito jogos para balançar as redes. Ficou no quase contra o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil. Ficou no quase contra o Treze, na final do Paraibano. Ficou no quase na paralisação: quase foi dispensado. Muitos disseram até que ele não tinha mais condições de jogar futebol. Se essa não é uma das melhores histórias do futebol paraibano, honestamente, eu não sei que tipo de superprodução da Disney você espera. 

Foto: Daniel Lins

O dia do reencontro chegou. Um Amigão vazio transbordando em pura nostalgia. Podia ser 2005. Podia ser 2008. Podia ser 2009. Quantas pessoas não sonharam viver novamente dias assim? Sei lá, faz um exercício: fecha os olhos e tenta lembrar de quantas tardes felizes e memoráveis o torcedor raposeiro teve, comemorando grandes exibições. O futebol une. Entende a importância de ter um jogador identificado com o clube? Estamos em 2020 e o rei não perdeu a majestade. Fábio Júnior foi coroado pela persistência, pela determinação e nos apresenta lições que transcendem o esporte. 

O instrumentista deu o tom e algo soou como “demorei muito pra te encontrar, agora eu quero só você”. O cantor desencantou! O casamento perfeito. Vê-lo comemorar ao melhor estilo “cantor” aquece o coração. À propósito: Fábio Júnior é até aqui, certamente, o maior jogador do Campinense neste século. E aqui não se trata de torcer por A ou B. É uma torcida pelo próprio futebol. 

 

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