O Rei Pelé na Paraíba

Tudo ocorreu no dia 14 de novembro de 1969, uma noite inesquecível de sexta-feira, no antigo estádio governador José Américo de Almeida, o saudoso campo olímpico do Boi Só, onde hoje funciona uma Vila Olímpica, no tradicional bairro dos Estados.

Naquele dia histórico, em que a capital do estado da Paraíba literalmente parou para assistir o jogo do nosso Botafogo PB versus o Santos Futebol Clube, de Pelé, Carlos Alberto Torres, Manuel Maria e outras feras.

O nosso alvinegro tinha sido bicampeão paraibano, possuia um elenco de excelentes jogadores como Lula, Fernando, Lúcio Mauro, Lando, Valdo, Zezito, Nininho, Chico Matemático, Valdeci Santana, Dissor, Zito Camburão e tantos outros que nos deram muitas alegrias.

A então maior praça de esportes da capital, tinha passado por reformas em suas estruturas, principalmente na iluminação e merecia uma partida comemorativa para mostrar ao público as benfeitorias realizadas pelo governo de plantão.

Pois bem, o alvinegro paulista havia jogado na quarta-feira em Recife, contra o Santa Cruz Futebol Clube, e o governo da paraíba conseguiu imprensar esse histórico amistoso para ser realizado com menos de 72 horas de intervalo, apesar da inicial negativa e contrariedade da então CBD, que depois cedeu aos apelos de ordem política.

Amistoso a parte, a população queria mesmo era ver o atleta Édson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, que já havia disputado três copas do mundo e conquistado as duas primeiras, em 58, 62 e 66. Pelé estava com 29 anos de idade, bem próximo de marcar o seu milésimo gol e se preparando para disputar e ganhar a sua terceira copa mundial.

Naquele dia muita gente faltou ao trabalho ou encerrou o expediente mais cedo. As escolas e faculdades encerraram as suas atividades e liberaram os alunos e docentes. Houve uma sessão especial e conjunta da câmara municipal e da assembleia legislativa, outorgando títulos ao maior jogador de futebol do planeta.

A Rádio Tabajara, patrimônio imensurável de todos os paraibanos, junto com o centenário jornal A União, forneceram aos amantes do futebol uma cobertura completa daquela partida em que poderia ser marcado o milésimo gol de Pelé. Destaque para Eudes Moacir Toscano.

Veio exclusivamente do Recife – não tínhamos ainda canal de televisão -, uma equipe de TV para cobrir o jogo que poderia ser marcado como a partida do milésimo gol do filho de seu Dondinho e de dona Celeste.
As dezoito horas a arquibancada, o alambrado, as cabines de imprensa, a pista que circundava o gramado, os corredores e demais dependências da praça de esportes já estavam tomados de torcedores, dirigentes, políticos e curiosos. Os portões foram fechados com duas horas de antecedência e a briosa Polícia Militar passou a ter redobrado trabalho em evitar os famosos penetras que escalavam e pulavam o alto muro. O início da partida teve um atraso de quase duas horas, tamanho era a festa e os imprevistos daquela noite histórica.

O Santos Futebol Clube venceu o jogo por três tentos a zero, dois gols de Manoel Maria e um de Pelé, através de penalidade máxima. Depois o Rei foi jogar de goleiro, acertadamente, para aqui não marcar o seu milésimo gol. A festa já estava reservada para ocorrer no maior templo do futebol do mundo: o Maracanã!

Aliás, poucos anos depois as nossas insensíveis autoridades desativaram aquela belíssima e histórica praça de esportes – estádio José Américo de Almeida – e a transformaram em uma vila olímpica; equipamento muito útil ao nosso estado, mas que poderia ter sido construído em inúmeros terrenos então existentes em nossa cidade, sem precisar inutilizar um já existente e bastante útil.

Na minha humilde ótica, aquela praça de esportes jamais deveria ter sido desativada, só precisava de mais lances de arquibancadas, adaptações arquitetônicas aos novos tempos…

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem citar a fonte PB Esportes. Textos, fotos, artes e vídeos do PB Esportes estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral.

Deixe um comentário