OPINIÃO – Quem é o verdadeiro culpado?

Futebol é aleatório. Não há receita pronta ou uma trilha do que é “correto” a seguir. Planejar, estruturar, buscar a profissionalização.

Ainda que existam raras exceções, mais numerosas em um nível tão baixo quanto a quarta divisão nacional – com todo respeito aos profissionais que a disputam -, as virtudes citadas acima são o que os campeões geralmente apresentam.

Campina Grande viveu o mesmo lado no tocante a preparação para a Série D 2018, mas as duas equipes obtiveram resultados diferentes. O Treze vive a expectativa de sagrar-se campeão brasileiro; e o Campinense torna a seguir no seu maior pesadelo nas quases duas décadas.

O que dizer? Mensurar o que foi competência ou incapacidade é uma tarefa difícil. Mas resgatar o que foi dito na primeira frase deste texto talvez seja o mais justo: aleatoriedade. Inúmeras formas de buscar o mesmo objetivo: o resultado.

Ainda assim se faz necessária algumas reflexões no cenário que envolve o enterro das pretensões do Campinense em 2018.

Porque a cada 90 minutos estamos diante de um jogo. E como tal se faz necessário esperar ações que prevaleçam estratégias, formas de pensar, armadilhas criadas e a tentativa de manipular o oponente. Tudo isto como produto da organização. Trabalho e transpiração que transformarão ideias e conceitos em execução no campo.

Então de quem é a culpa? Ora, se duas equipes entram no gramado para vencer, como apontar o dedo e escolher um culpado?

É bem verdade que as ações em campo partem primeiro de um plano individual. Também é fato que más decisões ou erros individuais podem custar um resultado. No entanto, esqueçamos um pouco a cultura de caça às bruxas que consome o torcedor brasileiro, e tentemos enxergar o macro.

O preparador físico espanhol Pedro Gómez Piqueras – respaldado por seus bons trabalhos em categorias de formação no seu país -, abordou em sua obra “EL FUTBOL ¡NO! ES ASÍ. ¿QUIÉN DIJO QUE ESTABA TODO INVENTADO?” a tendência que as pessoas têm em avaliar o futebol em âmbito subjetivo.

Com “Efeito Borboleta” (teoria do caos) relacionou os momentos críticos do jogo que influenciara a avaliação final. Quantas vezes já não nos deparamos com um amigo ou familiar proferindo um “Se o árbitro expulsa o cara que já tinha cartão, venceríamos o jogo!”?

Indagando a afirmação do suposto familiar ou amigo: se de fato ocorresse a expulsão, o jogo seria outro, ou não? O adversário poderia se defender melhor em função da desvantagem numérica. Ou não. O fato é que este “ou” é a chave para tudo. O esporte que tanto amamos é caótico e imprevisível – reitero como palavra chave para este escrito.

As ações anteriores condicionam às seguintes. Como o gol contra que desestabilizou Fernandinho no confronto entre Brasil x Bélgica. Ou puxando para a organização tática e coletiva, os problemas em transição defensiva que cederam tempo e espaço para Juninho Quixadá ser lançado nas costas dos zagueiros rubro-negros, além do 1×1 seguinte.

Transição defensiva confusa do Campinense. A dúvida entre encaixar a marcação, correr juntos para se reorganizar defensivamente, ou pressionar o oponente com a bola foram alguns dilemas que custaram caro.

Consciente dos problemas do Campinense nesta fase do jogo, Marcelo Vilar assumiu o risco e optou por não contar com o retorno defensivo do ótimo desafogo Juninho Quixadá. Foi letal.

Não existe culpado nas quatro linhas. O campo apenas é um reflexo de milhares de situações que ocorrem no cotidiano de um clube de futebol. As sessões de treinos, além da conduta interna dos profissionais envolvidos. E ainda que todo o universo que envolve a temporada de um clube conspire para o sucesso, a aleatoriedade do jogo trata de amassar e estragar todas as pretensões.

E quando se alcança tal estágio e o sucesso não é alcançado, resta reconhecer méritos. Ser um vencedor não se resume apenas ao ato de ganhar. Expandir horizontes para ir além do “minha equipe perdeu” para atingir “o adversário me venceu”.

@Adriano_Dantas1

 

OPINIÃO – O desempenho precisa melhorar

O Campinense nunca foi uma constante nos quatro meses corridos na temporada 2018. Talvez nunca inspirou confiança em sua torcida. Porque embora o bom aproveitamento defensivo – muito pela capacidade de defender o próprio gol que William Goiano e Rafael Jensen possuem -, ofensivamente o rubro-negro é total dependente de espasmos individuais.

Uma bola parada do ótimo Alex Murici, a criatividade de Marcinho, ou até o irregular Thiago Potiguar que pouco apresentou individualmente na temporada, mas que possui alguns lampejos na conta de 2018; principalmente no início do estadual.

Foi assim com Celso Teixeira, e segue com Ruy Scarpino. Os mais polvorosos torcedores tentam eleger um culpado; natural de quem é movido pela paixão e a ânsia por resultados. Mas será que existe um atleta que precise carregar esse martírio?

Muller Fernandes é a bola da vez. É inegável que o atleta erra muito em suas decisões, e carrega o peso da baixa efetividade frente ao gol. Piora quando comparado ao concorrente – e atualmente entregue ao Departamento Médico – Rodrigo Silva, que entregou eficiência e eficácia nas vezes que participou.

Mas o fato é que, coletivamente falando, o Campinense é pobre. As dificuldades para abrir espaços em defesas mais bem coordenadas e fechadas; circular a bola com velocidade; construir apoios para progredir com a bola e ser agressivo quando precisar, são os maiores problemas de um time que parece usar a bola como uma mera formalidade do jogo em suas ações.

É inegável que falta um norte ofensivo – os excessivos cruzamentos comprovam isso. O que fazer e quando executar (?!). Repertório para desequilibrar os adversários. Nos últimos jogos, a equipe compensa com encaixes defensivos bem ajustados, que negam espaço ao oponente. Por isso defende “bem”.

Porém é dependente do acaso. Do gol achado que muda panoramas e ritmos de jogos, como no primeiro jogo decisivo contra o Botafogo-PB. Marcar cedo concedeu ao Campinense a imposição e vantagem mental para controlar o oponente. Mas quando precisou se impor novamente perante ao adversário mais forte e organizado, sentiu dificuldades e veio à perda do título.

Após o estadual, Scarpino e sua comissão técnica tiveram 10 dias de trabalho. O que foi feito? Poderia entregar mais diante de um CRB fragilizado, assim como perante ao Fluminense-BA na primeira rodada da Série D. Sustentou-se no fio de cabelo da individualidade para vencer.

De 1×0 em 1×0 a história vai se desenhando. Além do lapso individual, em algum momento precisará ir além do que apenas inverter o lado dos extremas; ou esperar um escanteio para William Goiano marcar, ou Marcinho deixar um companheiro na cara do gol.

Uma hora o desempenho tem que melhorar… e para isso é preciso criar repertório. Treinar para executar. Treino é jogo e jogo é treino.

Opinião – A transição defensiva é o principal ajuste para o Treze competir contra o Botafogo

Pode-se dizer que o Treze fez um bom jogo na primeira decisão da semifinal do Paraibano. Flávio optou por três zagueiros para ser combativo por cima e negar ao Botafogo sua principal arma em organização ofensiva: disputa da primeira bola por cima para que Marcos Aurélio e Hiroshi – este partindo de fora para dentro – recebam a bola de frente para o jogo e ativem as infiltrações de Dico e a passagem de uns dos laterais.

No desenho, o 5-4-1 se instaurou com os alas alinhando aos zagueiros e as extremas fechadas por Hugo Freitas e Leílson que formavam a linha de meio com Dedé e Alberto; Canutama na frente.

E mesmo quando Flávio percebeu a desvantagem por dentro – principalmente quando um dos zagueiros saía para caçar -, a mudança para o 4-1-4-1/4-3-3 com o deslocamento de Ítalo para o meio-campo não mudou a ideia principal para o comportamento defensivo. O Treze foi efetivo por cima.

Mas a passividade em trocas de ações com a perda da bola, e em organização defensiva, são marcos do alvinegro desde os tempos de Canindé, como mostra o vídeo mais abaixo no último jogo do ex-técnico no comando do Galo.

Débil nessa fase de transição defensiva, a consequência é sofrer quando o adversário ataca rápido pelo chão mesmo quando está em superioridade numérica defensiva. Porque os jogadores não entendem a necessidade de pressionar o portador da bola no momento de perda, ou recuar para trás e retomar a defesa organizada, como no lance do primeiro gol do Botafogo.

Obviamente, Flávio Araújo pouco conseguiria ajustar totalmente as debilidades do Treze. Pegou o carro andando. Mas pode focar em conversas com o grupo e apresentação de vídeos das fases de transição defensiva e organização defensiva. Usar a tecnologia a seu favor. Tudo isso, também, aliado ao estímulo nas sessões de treinos que teve em mãos, caso contrário, nenhum efeito surtirá porque o jogador precisa entender aquilo que está fazendo. Precisa ser convencido!

O mata-mata ainda dá a possibilidade para que as equipes possam sobressair no fator mental. Concentração para evitar sofrer gols nos minutos finais – como no primeiro duelo. O mais equilibrado deverá vencer.

Panorama inicial das equipes para o jogo de volta da semifinal.

Opinião – O que vale mais: gestão, ambiente ou resultado?

O ex-comandante técnico do Campinense Clube optou seguir por um caminho perigoso. Não entendeu que talvez seu gosto por cobrança – enquanto treinador – em vários setores do clube, não funciona em todo canto. Seu time não agrada este que escreve, mas tinha aproveitamento. E por respeitar as inúmeras formas que existem para se ganhar um jogo, é preciso dar os devidos créditos para o número superior a 70% de aproveitamento.

Mesmo que sua equipe fosse altamente dependente de espasmos individuais que, quando não surgiam, pouco produzia. Carecia de coletivo.

Como exemplo o jogo do último domingo (25). Ainda que o goleiro Rhuan, do Serrano, tenha feito grandes defesas em várias conclusões do Campinense, a impressão era de que as chances da raposa partiam muito mais pelos espaços concedidos pelo Lobo.

Pouco foi feito para desequilibrar. Mas a superioridade se instaurou pela discrepância física, mental – esta comprovada no gol perdido por Erivan, no final do segundo tempo, por afobação, talvez – e técnica para os confrontos que se estabeleciam em campo.

No convívio diário, de fora o que transparecia era um ambiente pesado. Ainda na pré-temporada, por decisão do comandante, o preparador de goleiros Anderson Cardoso foi preterido e deixou a comissão técnica rubro-negra. Mais tarde, em declaração oficial, o técnico paulista abriu brechas para diversas interpretações sobre a situação do afastamento do auxiliar técnico Dinho.

Fora de campo, existia a necessidade de intervir no que saía da boca da imprensa. Se algo não agradava, corria atrás de jornalistas para tentar convencer sob outra perspectiva e ótica. Sempre com discurso firme!

Em declarações oficiais, parecia se equivocar nas palavras. Na sua apresentação como novo treinador, quis dar a entender que o Treze perdeu muito e o Campinense ganhou na mesma proporção. Algo que ultrapassava a natural valorização do trabalho pessoal.

Com o passar da pré-temporada, seguia com discursos de traição por parte do alvinegro de Campina Grande, e outras coisas mais. Até que estourou na derrota em um clássico dos maiorais. A primeira e única no campeonato.

Podendo dar satisfações a torcida que ele respondia, e ao clube que pagara seu salário para vê-lo ser expulso de campo, talvez por pura inocência; resolveu atacar pessoas do lado rival. Acusando de traição e persuasão ao trio de arbitragem – algo ainda mais grave.

Sendo assim, o que vale mais: gestão, ambiente ou resultado?

E segue o jogo.

Opinião – O Treze carece de organização

Oliveira Canindé: sinônimo de grande profissional. Campeão em muitas equipes por onde passou. Elevou a Paraíba a umas das maiores glórias para o futebol do estado quando seu Campinense, que saltava aos olhos do torcedor e da mídia, sagrou-se campeão da Copa do Nordeste em 2013.

Cinco anos se passaram e o treinador retornou ao estado. Agora no Treze que gerava grandes expectativas ao entorno de sua contratação. Início de temporada que causou dúvidas na cabeça do torcedor, mas que um rendimento abaixo se tornava compreensível pelo pontapé precoce em competições oficiais.

Da pré-Copa do Nordeste até aqui, eliminação na Copa do Brasil e dois resultados ruins na competição regional. Porém, entre os insucessos, uma vitória contra o Campinense – maior rival – que daria sobrevida ao treinador.

O fato, no entanto, é que o Treze de Canindé é confuso. Carente de ideias que possam fornecer um norte aos atletas em campo. Um plano. Para defender, atacar e transitar entre essas fases; além da bola parada. Mas o que se enxerga é uma equipe pobre.

A circulação de bola lenta, com poucas alternâncias de ritmos, já escancara uma equipe pouco criativa coletivamente. Dependente de espasmos individuais para desequilibrar o adversário. E quando o individual não surge, nada produz. Basta comparar que o Afogados-PE, em organização ofensiva, causou maiores problemas ao Santa Cruz.

Em organização defensiva, por sua vez, os encaixes individuais dão espaços por dentro quando os volantes são arrastados para zonas laterais e os extremos – quando estão em lado oposto – não fecham em diagonal de cobertura na faixa central.

Além da baixa agressividade. O alvinegro carece de qualidade na pressão ao portador da bola que, com espaços, faz a defesa sofrer. A marcação que deveria iniciar na frente, estoura o sistema defensivo inteiro principalmente em bolas lançadas às costas da linha defensiva que, quebrando constantemente, tende a ficar exposta contra adversários de maior mobilidade.

Este que escreve não analisa resultados. Sempre busca enxergar desempenho. O Treze vem devendo isso há um bom tempo. E ainda que o autor defenda trabalhos baseados em convicção e tempo para amadurecimento de ideias, para tudo existe exceção. A equipe de Canindé poderia se rebuscar dentro das competições que disputa e se recuperar? Talvez. Mas aparentemente não existe mais lastro para evolução no trabalho atual.

Que a diretoria alvinegra reflita com responsabilidade. O ano ainda não acabou!

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