OPINIÃO – O desempenho precisa melhorar

O Campinense nunca foi uma constante nos quatro meses corridos na temporada 2018. Talvez nunca inspirou confiança em sua torcida. Porque embora o bom aproveitamento defensivo – muito pela capacidade de defender o próprio gol que William Goiano e Rafael Jensen possuem -, ofensivamente o rubro-negro é total dependente de espasmos individuais.

Uma bola parada do ótimo Alex Murici, a criatividade de Marcinho, ou até o irregular Thiago Potiguar que pouco apresentou individualmente na temporada, mas que possui alguns lampejos na conta de 2018; principalmente no início do estadual.

Foi assim com Celso Teixeira, e segue com Ruy Scarpino. Os mais polvorosos torcedores tentam eleger um culpado; natural de quem é movido pela paixão e a ânsia por resultados. Mas será que existe um atleta que precise carregar esse martírio?

Muller Fernandes é a bola da vez. É inegável que o atleta erra muito em suas decisões, e carrega o peso da baixa efetividade frente ao gol. Piora quando comparado ao concorrente – e atualmente entregue ao Departamento Médico – Rodrigo Silva, que entregou eficiência e eficácia nas vezes que participou.

Mas o fato é que, coletivamente falando, o Campinense é pobre. As dificuldades para abrir espaços em defesas mais bem coordenadas e fechadas; circular a bola com velocidade; construir apoios para progredir com a bola e ser agressivo quando precisar, são os maiores problemas de um time que parece usar a bola como uma mera formalidade do jogo em suas ações.

É inegável que falta um norte ofensivo – os excessivos cruzamentos comprovam isso. O que fazer e quando executar (?!). Repertório para desequilibrar os adversários. Nos últimos jogos, a equipe compensa com encaixes defensivos bem ajustados, que negam espaço ao oponente. Por isso defende “bem”.

Porém é dependente do acaso. Do gol achado que muda panoramas e ritmos de jogos, como no primeiro jogo decisivo contra o Botafogo-PB. Marcar cedo concedeu ao Campinense a imposição e vantagem mental para controlar o oponente. Mas quando precisou se impor novamente perante ao adversário mais forte e organizado, sentiu dificuldades e veio à perda do título.

Após o estadual, Scarpino e sua comissão técnica tiveram 10 dias de trabalho. O que foi feito? Poderia entregar mais diante de um CRB fragilizado, assim como perante ao Fluminense-BA na primeira rodada da Série D. Sustentou-se no fio de cabelo da individualidade para vencer.

De 1×0 em 1×0 a história vai se desenhando. Além do lapso individual, em algum momento precisará ir além do que apenas inverter o lado dos extremas; ou esperar um escanteio para William Goiano marcar, ou Marcinho deixar um companheiro na cara do gol.

Uma hora o desempenho tem que melhorar… e para isso é preciso criar repertório. Treinar para executar. Treino é jogo e jogo é treino.

Opinião – A transição defensiva é o principal ajuste para o Treze competir contra o Botafogo

Pode-se dizer que o Treze fez um bom jogo na primeira decisão da semifinal do Paraibano. Flávio optou por três zagueiros para ser combativo por cima e negar ao Botafogo sua principal arma em organização ofensiva: disputa da primeira bola por cima para que Marcos Aurélio e Hiroshi – este partindo de fora para dentro – recebam a bola de frente para o jogo e ativem as infiltrações de Dico e a passagem de uns dos laterais.

No desenho, o 5-4-1 se instaurou com os alas alinhando aos zagueiros e as extremas fechadas por Hugo Freitas e Leílson que formavam a linha de meio com Dedé e Alberto; Canutama na frente.

E mesmo quando Flávio percebeu a desvantagem por dentro – principalmente quando um dos zagueiros saía para caçar -, a mudança para o 4-1-4-1/4-3-3 com o deslocamento de Ítalo para o meio-campo não mudou a ideia principal para o comportamento defensivo. O Treze foi efetivo por cima.

Mas a passividade em trocas de ações com a perda da bola, e em organização defensiva, são marcos do alvinegro desde os tempos de Canindé, como mostra o vídeo mais abaixo no último jogo do ex-técnico no comando do Galo.

Débil nessa fase de transição defensiva, a consequência é sofrer quando o adversário ataca rápido pelo chão mesmo quando está em superioridade numérica defensiva. Porque os jogadores não entendem a necessidade de pressionar o portador da bola no momento de perda, ou recuar para trás e retomar a defesa organizada, como no lance do primeiro gol do Botafogo.

Obviamente, Flávio Araújo pouco conseguiria ajustar totalmente as debilidades do Treze. Pegou o carro andando. Mas pode focar em conversas com o grupo e apresentação de vídeos das fases de transição defensiva e organização defensiva. Usar a tecnologia a seu favor. Tudo isso, também, aliado ao estímulo nas sessões de treinos que teve em mãos, caso contrário, nenhum efeito surtirá porque o jogador precisa entender aquilo que está fazendo. Precisa ser convencido!

O mata-mata ainda dá a possibilidade para que as equipes possam sobressair no fator mental. Concentração para evitar sofrer gols nos minutos finais – como no primeiro duelo. O mais equilibrado deverá vencer.

Panorama inicial das equipes para o jogo de volta da semifinal.

Opinião – O que vale mais: gestão, ambiente ou resultado?

O ex-comandante técnico do Campinense Clube optou seguir por um caminho perigoso. Não entendeu que talvez seu gosto por cobrança – enquanto treinador – em vários setores do clube, não funciona em todo canto. Seu time não agrada este que escreve, mas tinha aproveitamento. E por respeitar as inúmeras formas que existem para se ganhar um jogo, é preciso dar os devidos créditos para o número superior a 70% de aproveitamento.

Mesmo que sua equipe fosse altamente dependente de espasmos individuais que, quando não surgiam, pouco produzia. Carecia de coletivo.

Como exemplo o jogo do último domingo (25). Ainda que o goleiro Rhuan, do Serrano, tenha feito grandes defesas em várias conclusões do Campinense, a impressão era de que as chances da raposa partiam muito mais pelos espaços concedidos pelo Lobo.

Pouco foi feito para desequilibrar. Mas a superioridade se instaurou pela discrepância física, mental – esta comprovada no gol perdido por Erivan, no final do segundo tempo, por afobação, talvez – e técnica para os confrontos que se estabeleciam em campo.

No convívio diário, de fora o que transparecia era um ambiente pesado. Ainda na pré-temporada, por decisão do comandante, o preparador de goleiros Anderson Cardoso foi preterido e deixou a comissão técnica rubro-negra. Mais tarde, em declaração oficial, o técnico paulista abriu brechas para diversas interpretações sobre a situação do afastamento do auxiliar técnico Dinho.

Fora de campo, existia a necessidade de intervir no que saía da boca da imprensa. Se algo não agradava, corria atrás de jornalistas para tentar convencer sob outra perspectiva e ótica. Sempre com discurso firme!

Em declarações oficiais, parecia se equivocar nas palavras. Na sua apresentação como novo treinador, quis dar a entender que o Treze perdeu muito e o Campinense ganhou na mesma proporção. Algo que ultrapassava a natural valorização do trabalho pessoal.

Com o passar da pré-temporada, seguia com discursos de traição por parte do alvinegro de Campina Grande, e outras coisas mais. Até que estourou na derrota em um clássico dos maiorais. A primeira e única no campeonato.

Podendo dar satisfações a torcida que ele respondia, e ao clube que pagara seu salário para vê-lo ser expulso de campo, talvez por pura inocência; resolveu atacar pessoas do lado rival. Acusando de traição e persuasão ao trio de arbitragem – algo ainda mais grave.

Sendo assim, o que vale mais: gestão, ambiente ou resultado?

E segue o jogo.

Opinião – O Treze carece de organização

Oliveira Canindé: sinônimo de grande profissional. Campeão em muitas equipes por onde passou. Elevou a Paraíba a umas das maiores glórias para o futebol do estado quando seu Campinense, que saltava aos olhos do torcedor e da mídia, sagrou-se campeão da Copa do Nordeste em 2013.

Cinco anos se passaram e o treinador retornou ao estado. Agora no Treze que gerava grandes expectativas ao entorno de sua contratação. Início de temporada que causou dúvidas na cabeça do torcedor, mas que um rendimento abaixo se tornava compreensível pelo pontapé precoce em competições oficiais.

Da pré-Copa do Nordeste até aqui, eliminação na Copa do Brasil e dois resultados ruins na competição regional. Porém, entre os insucessos, uma vitória contra o Campinense – maior rival – que daria sobrevida ao treinador.

O fato, no entanto, é que o Treze de Canindé é confuso. Carente de ideias que possam fornecer um norte aos atletas em campo. Um plano. Para defender, atacar e transitar entre essas fases; além da bola parada. Mas o que se enxerga é uma equipe pobre.

A circulação de bola lenta, com poucas alternâncias de ritmos, já escancara uma equipe pouco criativa coletivamente. Dependente de espasmos individuais para desequilibrar o adversário. E quando o individual não surge, nada produz. Basta comparar que o Afogados-PE, em organização ofensiva, causou maiores problemas ao Santa Cruz.

Em organização defensiva, por sua vez, os encaixes individuais dão espaços por dentro quando os volantes são arrastados para zonas laterais e os extremos – quando estão em lado oposto – não fecham em diagonal de cobertura na faixa central.

Além da baixa agressividade. O alvinegro carece de qualidade na pressão ao portador da bola que, com espaços, faz a defesa sofrer. A marcação que deveria iniciar na frente, estoura o sistema defensivo inteiro principalmente em bolas lançadas às costas da linha defensiva que, quebrando constantemente, tende a ficar exposta contra adversários de maior mobilidade.

Este que escreve não analisa resultados. Sempre busca enxergar desempenho. O Treze vem devendo isso há um bom tempo. E ainda que o autor defenda trabalhos baseados em convicção e tempo para amadurecimento de ideias, para tudo existe exceção. A equipe de Canindé poderia se rebuscar dentro das competições que disputa e se recuperar? Talvez. Mas aparentemente não existe mais lastro para evolução no trabalho atual.

Que a diretoria alvinegra reflita com responsabilidade. O ano ainda não acabou!

As informações dos colunistas não representam a opinião do site PB Esportes; a responsabilidade do texto é do autor.

Opinião – A vitória do Treze equilibrado

Quando o Campinense oficializou o nome do seu novo comandante técnico, ficaram claras as intenções. Da resposta ao rival que havia anunciado o responsável pelo maior título da história da instituição; até a necessidade por encontrar um perfil mais firme, desconsiderando – mais uma vez – o campo e bola.

Diagnosticar o que será do clube e equipe até o fim da temporada é equívoco. Mas é necessário apontar sintomas: as vitórias em um contexto de baixo nível técnico e tático, como o Paraibano, não poderiam mascarar como já mencionado aqui, o empirismo e a dependência individual que reinam em uma equipe desorganizada e mal explorada.

Um modelo de jogo bem estruturado não significa “castrar” o poder individual e do improviso dos atletas. Os lances que decidem uma partida, em sua maioria, partem da aleatoriedade e talento. Mas não se pode seguir apenas nessa linha. Como diz Tite: “O futebol brasileiro é de organização no primeiro e segundo terço, e qualidade individual no terço final de campo”.

Os três terços do campo e o que representam. (Foto: reprodução/Caio Gondo)

Saber construir bem significa atacar bem. Abrir espaços, induzir o adversário ao erro e, depois, deixar a qualidade de seus melhores jogadores aflorar em condições ideais para um drible, passe ou finalização. Treinar e conseguir executar comportamentos nas seis fases do jogo são pré-requisitos atuais. Mas quando não são aparentemente treinados, restam apenas os espasmos de Thiago Potiguar ou Marcinho para desafogarem os lances de um Campinense pobre.

Por isso Oliveira Canindé foi estratégico. Inteligente perante ao contexto de pressão que a equipe se apresentava para o primeiro clássico do ano. A coluna mencionou no último texto que lançar Fábio Neves e Tininho seria uma boa opção. Ainda que não tenham partido do 4-3-2-1 aqui dito, a dinâmica de flutuação dos dois atletas impulsionou o Treze a construir bem seu jogo. Dedé saindo da direita abria o corredor para Ferreira e iniciava as ações com Johnnattan e Alberto para encontrar espaços generosos entre as linhas do Campinense.

Porque a leveza por dentro gerava vantagem contra o pesado Fábio Silva e o desnorteado Fernando Pires que, desde a estreia no estadual, atua em baixa intensidade. Restava Marcelo altamente sobrecarregado.

Aproveitar a lentidão na transição defensiva rubro-negra também foi trunfo do Galo. Roubar, principalmente com o ótimo Johnnattan, e sair em velocidade. Assim como no lance do gol. Rayro conduzindo em velocidade com liberdade e espaço. Com Reinaldo Alagoano, chegou a gerar situação de 2×2 contra Rafael Jensen e Rafael Araújo. O camisa 9 aproveitou a indecisão do Araújo na marcação e finalizou. Gol defensável e que caracterizou falha do goleiro Jeferson, na opinião deste que escreve.

Campinense volta a defesa com primeira linha de quatro, mas cedeu muito espaço entre as linhas. Treze aproveitou com mobilidade partindo do 4-2-3-1.

A frente no placar, recuperar a confiança para a sequência talvez fosse a melhor escolha. Ceder a bola ao Campinense e negar espaços com sabedoria. Deslocar Fábio Neves para o centro e retirar Tininho na volta do intervalo – talvez por necessidade da recente saída do Departamento Médico – anulou uma das melhores peças do rival no primeiro tempo. Alex Murici pouco produziu ofensivamente pela preocupação em fechar os espaços do impetuoso e vertical Caíque.

Assim como lançar Guto entre 25 e 30 minutos para ganhar em posse e pausas no meio-campo. Controlou e não sofreu. Entendeu que o desempenho poderia ficar para depois e que ganhar o clássico pode significar um novo pontapé para solidificar o processo.

Merecer para ganhar!

Campinense muda para o 4-2-3-1 no segundo tempo, mas esbarra na lentidão dos atletas centrais. Sofreu para abrir espaços, como de costume.

Twitter: @Adriano_Dantas1

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