OPINIÃO – O cantor desencantou!

Carne e unha, alma gêmea, bate coração! Parecia uma tarde qualquer de 2008. Se tem alguém que vai botar a cabeça no travesseiro pra dormir feliz da vida, num sonho lindo de viver, esse é o Fábio Júnior. 

Era 10 de outubro de 2009, uma noite de sexta-feira, 30ª  rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Campinense e Ponte Preta, Estádio Amigão. Com menos de um minuto de jogo, Fábio Júnior fazia seu último gol pelo rubro-negro. É bem verdade que o time não só perdeu  aquela partida como acabou rebaixado, gerando ao torcedor uma das maiores saudades do que não se viveu. 

Em seguida, Fábio Júnior atuou no futebol português e egípcio. Ele esteve em campo e inclusive marcou o único gol do Al-Ahly no que ficou conhecida como a Tragédia de Port Said, uma briga generalizada entre torcedores ao término da partida entre Al-Masry e Al-Ahly que vitimou mais de 70 pessoas, em 1 de fevereiro de 2012. Depois deste episódio triste, Fábio parou de jogar futebol. 

Fábio Júnior e Givanildo Sales, técnico do Campinense. Foto: Daniel Lins

E eis que no início desta temporada, ele topou o desafio de largar a aposentadoria e voltar a jogar futebol profissionalmente depois de mais de 7 anos de inatividade. Além de toda a dificuldade para ser regularizado, encontrar uma boa forma física, se motivar, ainda precisou de oito jogos para balançar as redes. Ficou no quase contra o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil. Ficou no quase contra o Treze, na final do Paraibano. Ficou no quase na paralisação: quase foi dispensado. Muitos disseram até que ele não tinha mais condições de jogar futebol. Se essa não é uma das melhores histórias do futebol paraibano, honestamente, eu não sei que tipo de superprodução da Disney você espera. 

Foto: Daniel Lins

O dia do reencontro chegou. Um Amigão vazio transbordando em pura nostalgia. Podia ser 2005. Podia ser 2008. Podia ser 2009. Quantas pessoas não sonharam viver novamente dias assim? Sei lá, faz um exercício: fecha os olhos e tenta lembrar de quantas tardes felizes e memoráveis o torcedor raposeiro teve, comemorando grandes exibições. O futebol une. Entende a importância de ter um jogador identificado com o clube? Estamos em 2020 e o rei não perdeu a majestade. Fábio Júnior foi coroado pela persistência, pela determinação e nos apresenta lições que transcendem o esporte. 

O instrumentista deu o tom e algo soou como “demorei muito pra te encontrar, agora eu quero só você”. O cantor desencantou! O casamento perfeito. Vê-lo comemorar ao melhor estilo “cantor” aquece o coração. À propósito: Fábio Júnior é até aqui, certamente, o maior jogador do Campinense neste século. E aqui não se trata de torcer por A ou B. É uma torcida pelo próprio futebol. 

 

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OPINIÃO – Público nos estádios: É hora de voltar?

Diz o ditado: na volta, ninguém se perde. Será? Foi dado o sinal verde para o retorno de público aos estádios, ainda que o amarelo reluzente esteja piscando. 

No total, são mais de 4,6 milhões de casos de covid-19 no Brasil, dos quais mais de 212 mil foram registrados na semana passada, o 11º maior número de casos por semana dentre as 39 semanas acompanhadas. O país ultrapassou 138 mil óbitos. 

É sob este cenário que o Ministério da Saúde aprovou um estudo da CBF para liberação de público com limitação à 30% da capacidade total dos estádios, cabendo aos estados e municípios o consentimento, bem como a elaboração de protocolos de segurança e desde que essa liberação seja feita de modo uniforme em todo o país. Em alguns lugares, como no Rio de Janeiro, há um movimento em prol da abertura. Em outros, como no estado de São Paulo e na cidade de Porto Alegre, o veto está mantido. Aqui na Paraíba, o movimento se mostra contrário à liberação, embora clubes façam lobby por público, motivados pela necessidade de arrecadação. Uma reunião por videoconferência com representantes dos clubes da Série A está prevista para a tarde desta quinta-feira, 24, para discutir o retorno do público.

A questão é: o que 30% representa para os clubes?

O gráfico abaixo, reproduzido do ge.com, mostra um bom retrato da taxa média de ocupação, ou seja, a relação entre a média de público e a capacidade dos estádios em que os jogos aconteceram. Dentre os 60 times que disputam as Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, apenas 14 equipes tem média de ocupação superior à 30%, sendo 11 da Série A e 3 da Série C. 

Os argumentos mais fortes para o retorno de público envolvem o fato de diversos setores da economia terem reaberto e o fator financeiro, com clubes alegando ser necessária a arrecadação com bilheteria para fechar as contas. 

Público nos estádios no Brasil em 2020 / Reprodução: ge.com

 

 

Para compreendermos a situação no Futebol Paraibano, dentre Atlético de Cajazeiras, Botafogo/PB, Campinense e Treze, nossos quatro representantes no Campeonato Brasileiro, é importante destacar que de acordo com o Cadastro Nacional de Estádios de Futebol – CNEF, da CBF, os estádios Almeidão e Amigão possuem capacidade para 19 mil espectadores. Desse modo, caso haja liberação de público reduzido a 30% da capacidade, cada praça poderia receber 5.700 torcedores. No caso do Perpetão, a capacidade é de 12 mil torcedores e, portanto, estaria apto a receber 3.600 torcedores. Já no Presidente Vargas, a capacidade real é de 8.890 torcedores, número checado instantes antes da publicação deste conteúdo, e portanto poderia receber 2.667 espectadores. 

Dito isso, vamos aos números reais: Neste ano, as equipes paraibanas que disputam a competição nacional fizeram 19 jogos com torcida antes da paralisação, em março. De acordo com os boletins financeiros, o maior público foi registrado na partida entre Botafogo/PB e Náutico/PE, pela Copa do Nordeste, jogo este que marcou a estreia de Léo Moura no Belo e foi acompanhado por 5.449 torcedores. Nenhum dos jogos alcançou 30% da capacidade total dos estádios. Há ainda duas partidas que registraram prejuízo: Campinense e Perilima, no Amigão, com público declarado de 803 torcedores, gerando déficit de R$ 77,15 e Atlético de Cajazeiras e São Paulo Crystal, 693 torcedores e prejuízo de R$ 2.898,25. Abaixo, os números de cada equipe.

Treze:

Com público total de 7.640 torcedores nos quatro jogos que fez como mandante, obteve média de 1.910 espectadores. Com exceção do jogo contra o CSP, no Amigão, as demais partidas aconteceram no Estádio Presidente Vargas. A receita líquida, ou seja, o valor a ser recebido após descontar as despesas da arrecadação, gerou um total de R$ 69.960,50 (sessenta e nove mil, novecentos e sessenta reais e cinquenta centavos) nos quatro jogos.

Treze x CSP1.878 pagantesR$ 24.353,10
Treze x Nacional2.102 pagantesR$ 20.182,90
Treze x São Paulo Crystal1.819 pagantesR$ 11.467,55
Treze x Sousa1.841 pagantesR$ 13.956,95

 

Campinense: 

O rubro-negro levou um total de 12.442 torcedores nos cinco jogos, com média de 2.488 pessoas. Há de se destacar os clássicos contra Galo e Belo e a participação na Copa do Brasil, cuja renda líquida é dividida entre o clube vencedor (60%) e o perdedor (40%). Na tabela abaixo, em parênteses, o valor recebido pelo Campinense. A receita total foi de R$ 121.074,38 (cento e vinte e um mil e setenta e quatro reais e trinta e oito centavos). Houve ainda uma partida, contra a Perilima, que gerou prejuízo.

Campinense x Sport LS1.200 pagantesR$ 10.747,00
Campinense x Botafogo/PB2.277 pagantesR$ 17.014,15
Campinense x Treze3.862 pagantesR$ 80.063,90
Campinense x Perilima803 pagantes– R$ 77,15
Campinense x Atlético/MG4.300 pagantesR$ 33.315,48 (R$ 13.326,19)

 

Botafogo/PB:

Com disputas mais atrativas na Copa do Nordeste, foi a equipe que obteve maior público, média e receita. No total, foram 15.834 torcedores, com média de 3.166 e renda líquida de R$ 165.500,00 (cento e sessenta e cinco mil e quinhentos reais).

Botafogo/PB x Confiança/SE3.366 pagantesR$ 38.513,85
Botafogo/PB x Náutico/PE5.449 pagantesR$ 75.267,02
Botafogo/PB x Imperatriz/MA2.967 pagantesR$ 20.763,03
Botafogo/PB x SP Crystal2.728 pagantesR$ 23.526,60
Botafogo/PB x Nacional1.324 pagantesR$ 7.429,80

 

Atlético de Cajazeiras:

O time sertanejo obteve os resultados mais discretos. Levou a campo 6.699 torcedores nos cinco jogos no Perpetão, com média de 1.339 torcedores. Teve arrecadação líquida de R$ 23.461,45 (vinte e três mil, quatrocentos e sessenta e um reais e quarenta e cinco centavos) nas cinco partidas, das quais o confronto contra o São Paulo Crystal lhe rendeu prejuízo superior ao lucro somado das duas primeiras partidas, contra Nacional e Campinense.

Atlético x Nacional1.280 pagantesR$ 1.818,00
Atlético x Campinense867 pagantesR$ 750,65
Atlético x Sousa3.025 pagantesR$ 21.118,75
Atlético x CSP834 pagantesR$ 2.672,30
Atlético x São Paulo Crystal693 pagantes– R$ 2.898,25

 

Cabe mais uma vez salientar que estes são os números declarados nos boletins financeiros das partidas e podem ser consultados nos sites da CBF e da FPF junto às súmulas dos confrontos. 

Hipoteticamente, caso houvesse limitação de 30% do público mesmo antes da pandemia, nenhuma das partidas dos clubes paraibanos como mandantes teria lotação máxima. 

Treze e Campinense se manifestaram em prol do retorno de público, em quaisquer que sejam as condições, desde que tomadas medidas sanitárias adequadas. O que pesa é a necessidade financeira. 

Em contato, um dos dirigentes trezeanos destacou que o Galo não dispõe, no momento, de cotas de participação ou transmissão, apesar da expectativa de recebê-las em 2021, e não recebe investimentos do poder público, seja na esfera estadual ou municipal, há dois anos. Ademais, com patrocínio interrompidos em decorrência da pandemia, sobrevive às custas de abnegados. 

Já o Campinense, que conseguiu equilibrar as contas após firmar parceria com a FDA Sports, se manifestou através do presidente Paulo Gervany destacando como extremamente necessário o retorno do torcedor, desde que sejam seguidos protocolos sanitários que permitam a segurança e a proteção da saúde dos adeptos. 

Por outro lado, exemplos como o surto de casos no Flamengo em evidência, onde 27 membros da delegação que viajou ao Equador acabaram contaminados levantam dúvidas quanto à viabilidade dessa proposta. Saliente-se que o clube carioca passa pelos mais rígidos protocolos de segurança, com testes realizados a cada partida. Ora, se nesse nível de monitoramento foi possível a proliferação, será que é seguro permitir público no estádio? Ao tempo em que, com bares abertos e transmissão televisiva, como evitar aglomerações de torcedores em restaurantes espalhados pela cidade? E as praias, parques, shoppings, academias? Todos liberados. Por que os estádios não?

Não faltam argumentos, sejam contrários ou favoráveis e sob as mais variadas motivações. Alguns se mostram válidos e outros, no mínimo, questionáveis. Independentemente da decisão que for tomada, é necessário que o monitoramento persista. Cedo ou tarde, o público vai voltar aos estádios. E quando isso acontecer, que ocorra não por interesses terceiros, mas em nome da segurança de todos os envolvidos.

 

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OPINIÃO – Pra sonhar, é preciso manter os pés no chão

Pelo visto, guardei todas as minhas impressões sobre o Campinense para externá-los de uma só vez. Depois de acompanhar aos amistosos contra Central e Jaciobá em Campina Grande, o jogo-treino contra a Picuiense no Renatão e a estreia na Série D contra o América de Natal, já podemos traçar melhor um panorama do que se pode esperar o rubro-negro na competição nacional. Então, se prepara que lá vem textão. 

Nos primeiros amigáveis e declarações do treinador Givanildo Sales, ficou claro para mim que o rubro-negro adotaria uma postura reativa e teria um formato bem definido: um esquema tático com três zagueiros e algumas variações, de mentalidade defensiva com transições rápidas. De antemão, destaque-se: esse formato necessita, sobretudo, de treino.

Foto: Samy Oliveira

Após atuações interessantes – ou nem tanto, como no jogo-treino contra a Picuiense -, o verdadeiro teste de fogo foi contra o América, que, em tese, deve ser o adversário mais complicado nessa primeira fase da Série D. O resultado foi mais que satisfatório. Um ponto fora de casa que empolga, mas não ilude. Apesar de mostrar um caminho, precisa de ajustes para crescer na competição. Mais que aspectos positivos, propicia a observação dos pontos negativos para que sejam corrigidos, coisas que talvez fossem encobertas em caso de vitória.

Tendo em conta um time base jogando prioritariamente num 3-5-2 com Waldson no gol; Cláudio Baiano, Anderson Schmoeller e Rômulo formando a primeira linha; Travassos (Murici) na direita, Júnior Gaúcho e Pedro Victor (Caio Breno) no meio e Fabinho na esquerda; Echeverría ou Allef Diego mais à frente, Ibiapino flutuando e Fábio Júnior na referência, ponderemos: 

Um bom time começa por um bom goleiro. Waldson e Wellington, mostram que podem assumir a titularidade. Waldson parece ser o preferido. De fato, acho que ele tem reflexo mais apurado. Entretanto, entre amistosos e estreia, notei insegurança em jogadas aéreas e uso dos pés e falta de atenção em saídas de bola. Wellington é mais regular. Na minha opinião, o que os difere é que por ter mais reflexo, Waldson tende a defender as bolas mais difíceis. Porém, precisa estar mais atento. Se der brecha, Wellington vai estar pronto para assumir a titularidade.

O conjunto defensivo se mostrou organizado. Cláudio Baiano e Anderson Schmoeller transmitem segurança. Júnior Gaúcho é peça chave, pela versatilidade que permite variações táticas e boa cobertura dos avanços dos alas. Murici chegou como preferido na disputa à titularidade na direita, mas Travassos subiu de rendimento. Do outro lado, Fabinho até então pouco tinha mostrado nos amistosos, fez um partidaço contra o América/RN, apoiando sempre que possível e bem no desarme e recomposição, foi, na minha opinião, o principal destaque do rubro-negro na estreia.

A posição que nesse primeiro momento merece mais atenção: o segundo volante. A vaga seria de Renato Cruz, que se lesionou durante a intertemporada e ainda aprimora a parte física. Pedro Victor vem agradando ao comandante. É jovem, promissor, tem qualidade técnica, bom posicionamento e não se esconde do jogo. Contra o América/RN não foi bem, tanto que acabou substituído no intervalo. Aparentou estar nervoso e perdido taticamente, além de erros de passes cruciais nas saídas de bola, o que é natural pela pouca idade e pressão da estreia. É preciso, porém, encontrar o equilíbrio entre ter paciência para deixar o menino jogar e não colocar em risco o desempenho do conjunto. Caio Breno entrou bem e conseguiu encaixar os passes que Pedro Victor errou, mas pesa contra si não ser um jogador de condução. Funcionou bem contra o América, mas vai chegar o momento em que a equipe vai precisar de mais ímpeto ofensivo. Caso não vá ao mercado, Kiko Alagoano pode ser uma opção.

Foto: Samy Oliveira

Mais à frente, o titular, Echeverría, ficou de fora acometido por Covid-19. Allef Diego me agrada pela movimentação e pode fazer frente ao paraguaio. No ataque, Ibipiano no melhor momento da carreira e Fábio Júnior, motivado e cada vez melhor fisicamente, me agradam. Respeitem essa dupla. Jobson corre por fora. E aliás, corre muito. Não está na forma ideal mas mostra muita vontade. Caso se mantenha focado, agrega demais quando melhor condicionado.

Contra o time potiguar, a proposta de jogo do rubro-negro era clara: primeiro defender, depois atacar. Em alguns momentos, o Campinense tinha uma linha defensiva com até 5 atletas. O América/RN se lançou ao ataque e não conseguiu furar o setor defensivo do time cartola, muito bem postado, que se aproveitava dos espaços cedidos para contra-atacar em transições rápidas. É um ponto positivo. Entretanto, é preciso que se leve em conta dois fatores: a maioria dos gramados não tem a mesma qualidade da Arena das Dunas; e a maioria dos adversários não vai jogar tão ofensivamente. Quando o Campinense foi testado contra uma equipe que se fechou num num campo de jogo não tão bom, neste caso o Renatão no jogo-treino contra a Picuiense, o rubro-negro encontrou dificuldades na criação. É parâmetro? Não necessariamente, mas é um fato que não se pode descartar.

Por fim, não subestimem a dificuldade da Série D. Gosto do exemplo do Red Bull Brasil. Com estrutura e aporte financeiro, foi mais fácil comprar um time e ser campeão da Série B do que ascender de divisão gradualmente. No grupo A3, além do América/RN, o Campinense irá enfrentar o Salgueiro/PE, não apenas o atual campeão pernambucano, mas simplesmente o primeiro campeão pernambucano do interior em 105 edições do estadual; o Globo/RN, que começou mostrando as garras pra cima do Atlético, em Cajazeiras; o próprio Atlético de Cajazeiras que tem um trabalho de continuidade que merece respeito; o Afogados da Ingazeira, que sofreu desmanche após chegar à terceira fase da Copa do Brasil mas deve ter bala na agulha; O Floresta/CE, que conta com boa organização e tem o gabaritado Leston Júnior no comando técnico; além do Guarany de Sobral que costuma ser forte sob seus domínios. Não é um grupo fácil.

O discurso em torno do acesso como objetivo central é uníssono. O início do rubro-negro se mostra animador. O caminho é longo e pra sonhar, é preciso manter os pés no chão.

 

 

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OPINIÃO – Um jogo faz diferença, quiçá três

Há exatamente um mês, o Treze entrava em campo em João Pessoa para encarar o Botafogo/PB pela partida de ida da semifinal do Campeonato Paraibano. Dias antes, havia vencido o Clássico dos Maiorais com gol salvador de Nilson Júnior, na base da pressão. O detalhe é que, não fosse esse tento, o Treze sequer teria se classificado à semifinal do estadual. 

Naquele 31 de julho, o Galo perdeu por 2 a 0. Talvez houvesse espaço pra mais, mas o Belo jogava no limite, pro gasto, à lá Mogli: somente o necessário. 

Naquele momento, era notório que o Treze tinha limitações técnicas e táticas que precisavam ser revistas. Dias depois, na base da raça, conseguiu reverter a derrota pro Botafogo, venceu o Campinense e acabou campeão. 

Talvez muitos não gostem de saber isso: o Treze foi Campeão Paraibano sem ser melhor time. Foi o mais determinado na fase final e aqui não há nenhum demérito. Soube aproveitar-se da queda livre de Botafogo/PB e Campinense e da falta de sorte do Atlético de Cajazeiras. Engana-se, porém, quem pensou que o estadual poderia ser parâmetro ou um bom presságio. Só por milagre há mudanças da água pro vinho. 

Escrevi aqui mesmo que o título poderia elevar a confiança da equipe e fazê-la subir de rendimento, ao tempo em que também poderia mascarar a necessidade por reforços necessários à equipe. Três jogos depois, nada mudou. Com três derrotas, o Treze é o lanterna. O Botafogo/PB é o 8ª, à frente do próprio Treze e do Imperatriz/MA, que tem dois jogos a menos que o Belo. Quer maior demonstração de que o Paraibano não poderia ser parâmetro? De quebra, a seleção oficial do Campeonato, divulgada essa semana, tem como base o time alvinegro, com 9 jogadores e o treinador. Parabéns aos envolvidos.

Na atual conjuntura, o Treze é um forte candidato ao rebaixamento e isso precisa ficar bem claro. E essa não é uma conclusão de agora. Não se dá apenas pela derrota vexatória e revoltante frente ao Ferroviário/CE. Não pelas derrotas anteriores, para Santa Cruz/PE e Paysandu/PA, também nos instantes finais da partida. Qualquer pessoa longe de motivações passionais e com um mínimo entendimento de futebol pode constatar.

Não acho que se deva mudar tudo. Com todas limitações, nem tudo está errado. É bem verdade que o Treze tem um bom setor defensivo, transições rápidas e bem organizadas e se apega a um bom contra-ataque. Não acho que o técnico Moacir Júnior deva ser demitido. Talvez precise explicar melhor algumas de suas escolhas. E sim, ele precisa explicar! Não pela imprensa, mas por respeito ao torcedor. Ao tempo, precisa mostrar mais de suas credenciais e aptidões para seguir no comando e superar essa maré de quatro derrotas seguidas. Seja Moacir ou não, o plantel precisa de mais opções. O Treze sequer tem um time titular competitivo para o nível da Série C, quanto mais elenco. Reforços, no plural, são necessários. 

Na últimas duas vezes em que disputou a Série C, em 2014 e 2019, o Galo definiu sua vida na última rodada. Em 2014, enquanto o Treze venceu o Salgueiro/PE por 3 a 0 no PV e chegou aos 19 pontos, o Águia/PA derrotou o Botafogo/PB por 2 a 1 em Marabá e alcançou 20 pontos. Treze rebaixado. Ano passado, o Treze empatou com o Botafogo/PB por 2 a 2 no Amigão e fez os mesmos 19 pontos de cinco anos antes, e o ABC/RN venceu o Globo/RN por 2 a 0, sendo os potiguares os rebaixados com 18 e 16 pontos, respectivamente. Ou seja, um único jogo pode fazer a diferença na Série C. Quiçá três. 

 

 

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OPINIÃO – Parceria é algo bom?

Era terça-feira, dia 11, por volta de 15h, véspera do jogo de ida da final do Campeonato Paraibano. Meu telefone tocou: 

– Fala, Ademar! Me diz uma coisa: o Nei Júnior foi demitido? Acabei de receber uma ligação pedindo indicação de treinador pro Campinense. – Perguntou-me um amigo dos bastidores do futebol, do outro lado da linha.

Àquela altura, Nei seguia no comando do rubro-negro. A manutenção do técnico, inclusive, era bancada por algumas fontes ligadas à diretoria. No dia seguinte, um revés no primeiro jogo da final. Dois dias depois a demissão foi confirmada.  

Dificilmente saberemos se, de fato, já se procurava um novo treinador para a equipe.

Particularmente, compreendo a decisão da diretoria quando trouxe Nei. Em meio a indefinições, um nome com aval do elenco poderia ser promissor. O risco existe e a consequência pode ser ingrata. Se desse certo, seria uma decisão mais que acertada. Como deu errado, resulta em chuva de críticas pela aposta. São torrentes pretéritas. Sigamos adiante.

A aura nebulosa que ronda o Campinense não ajuda. A desconfiança ano após ano, gestão após gestão, é crescente. Todos querem criticar. Poucos querem assumir.

Givanildo Sales, novo treinador do Campinense, conversa com atletas. Foto: Daniel Lins

Em parceria com o repórter Iago Sarinho, do Jornal União – que, aliás, é fera pra caramba! – fizemos um levantamento contabilizando todos os atletas que já passaram pelo Campinense na temporada 2020, seja por anúncio, apresentação ou regularização junto à CBF através do BID. Até 20 de agosto, foram 6 técnicos e 61 jogadores. A matéria foi publicada na página 16 da edição de 21.08.2020, e o PDF pode ser encontrado aqui, para download. Um número bastante considerável, né!? 

Com poucos recursos e pouco apoio, poucas opções restaram à diretoria, que optou por uma parceria com uma empresa de agenciamento de atletas, para que essa viesse a gerir o departamento de futebol do clube. Parceria essa que, é bem verdade, poderia ser melhor explicada publicamente e que carrega consigo o preconceito por tantas outras parcerias Brasil afora que não terminaram bem. 

Não é de hoje que os empresários e agenciadores de atletas participam ativamente dos bastidores do futebol. Isso não faz deles mocinhos ou bandidos. É sempre o resultado que define a avaliação positiva ou negativa por parte dos torcedores. 

Lembro-me de 2015. Passado não muito distante. Ano do centenário do Campinense. A rotatividade no elenco era altíssima. Não é difícil encontrar arquivos que apontem mais de 70 atletas naquele ano. O torcedor de memória um pouco mais apurada deve lembrar que não foi incomum jogadores recém-chegados serem alçados à titularidade e em seguida perderem espaço. É bem verdade que muitos bons jogadores passaram pelo clube naquele ano. Um deles foi Leandro Sobral. Contratado em 19/03, encarou jogos difíceis contra Bahia, 25 e 28/03 pela Copa do Nordeste e Grêmio, 01/04 pela Copa do Brasil. Dias depois, 06/04, o Campinense foi até João Pessoa para enfrentar o Auto Esporte pelo estadual. Lá estava Sobralzinho, como era carinhosamente chamado por Francisco Diá, envergando a camisa 10, um inovador “falso-armador”, jogando à frente da linha defensiva. O Campinense perdeu por 2 a 0, fora o baile do Macaco Autino. Com o tempo, Sobral se mostrou um ótimo executor de funções, com pegada e intensidade. Mas longe de um camisa 10.

Aquele time é lembrado com saudosismo, não pela suposta interferência do empresariado e alta rotatividade do elenco, mas por ser campeão paraibano, pelas participações satisfatórias nas Copas do Brasil e do Nordeste e pela eliminação na Série D nos pênaltis contra o Operário/PR com gostinho de que poderia ter ido mais além.

Foto: Daniel Lins

A linha tênue entre sucesso e fracasso, aos olhos de muitos torcedores, se define basicamente pelo resultado. A parceria FDA Sports e Campinense Clube sabe disso. Sabe também da sede do torcedor raposeiro pelo acesso à Série C. Se dará certo… só os resultados dirão.

 

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