Opinião: O paraíso de Marcos Aurélio

“É importante, para qualquer elenco do Brasil, ter um jogador como Marcos Aurélio”, disse o técnico do Botafogo, Evaristo Piza, após mais uma vitória sobre o Campinense, em 2019, desta feita na primeira final do campeonato estadual. O jogador, elogiado pelo seu comandante, tem 35 anos e já teve passagens por Corinthians, Atlético Paranaense, Santos, Coritiba, Internacional, atuou no Japão e outros tantos times em sua trajetória. Mas é na Paraíba, que o experiente jogador ganhou status de super craque. Não há como negar que ele é diferenciado, tem recursos técnicos indispensáveis para que a jogada sempre possa prosseguir, é um exímio cobrador de faltas e é aquele referencial no meio campo, pelo qual a bola precisa sempre passar, para receber o toque refinado de qualidade.
Aqui ele encontrou o seu porto seguro para encerrar suas atividades dentro de campo. Assim como fez o também consagrado e renomado Warley, que até virou W9. Na reta final da carreira, conseguiu a façanha de ser campeão por Treze, Campinense e Botafogo, já beirando os 40 anos. O que isso mostra? Não que eles não sejam talentosos e merecedores de conquistar o que vem ganhando, mas essa é a prova do baixíssimo nível técnico do nosso futebol. Recentemente Douglas, ex-Grêmio, Corinthians e Vasco, afirmou que não iria parar de jogar ainda, porque tem muito jogador ruim atuando. E são muitos os exemplos, como: Léo Moura, Ricardo Oliveira, Fred, Zé Ricardo – que parou há pouco tempo, mas jogava em alto nível até os 42. O Vasco desaposentou Maxi Lopes, que ajudou a evitar mais um vexame de um novo rebaixamento em 2018. O Flamengo, já tem Diego Ribas de 34 anos, e está de olho em Ramires, ex-Chelsea de 32 , que também já passou pela Seleção Brasileira.
Agora fica a dúvida; Será que os jogadores estão se cuidando mais, aproveitando a evolução das tecnologias e medicina do esporte e, com isso prolongando sua vida útil, ou essa geração do futebol brasileiro não dá nem um caldo para as que passaram? Um pouco das duas coisas eu diria, mas estamos já chegando perto do jejum de copas, como foram os 24 anos, quebrados pela seleção raiz de 1994. Talvez os fiascos nas últimas edições de mundiais sejam uma boa resposta para essa questão. Toda seleção agora joga de igual para igual com a gente. Cadê os craques que resolvem a parada, naquela hora difícil? Precisamos de mais Marcos Aurélios, com as devidas atualizações e ressalvando as necessárias proporções, inclusive no time de Tite.
Com essa problemática da Reforma da Previdência, é justo e bastante pertinente, que também os bons jogadores , que sabem administrar suas carreiras, demorem mais a bater na porta do INSS. Talento e qualidade, sempre prevalecem, em qualquer situação.O menino Marcos do Botafogo, até já rejeitou proposta para voltar a atuar em Pernambuco. Você acha que o camarada vai deixar o paraíso, com belas praias, salário pago em dia, pegando garapa no estadual, tendo só um pouco mais de vida dura nos outros campeonatos? Lembrando que a Série C é a terceira força do futebol nacional, que já tem uma elite muito fragilizada. Se eu fosse ele, jogava até os 45 e depois ainda virava gerente de futebol. É preciso saber se fazer e ter habilidade dentro e fora de campo. Isso ele tem de sobra. É melhor não ir de vez no baixinho, para não tomar sopa de garfo.

Justiça com os próprios pés

Existe injustiça no futebol? Não me refiro a erros de arbitragem ou fatores extracampo. Mas, quando um time que – aos olhos dos que se julgam entendedores – merecia vencer ou ser campeão, simplesmente fica pelo caminho e não alcança o objetivo traçado, o que teria ocasionado o insucesso? Depende do ponto de vista. O goleiro caiu para um lado só, na hora dos pênaltis? O lateral colocou para escanteio e deu origem ao lance do gol sofrido, como Júnior Capacete em 1982? Se Dunga tivesse derrubado Maradona na Copa de 1990, Caniggia não teria eliminado o Brasil. Se Roberto Carlos deixasse para arrumar o meião depois da falta, Henry não faria aquele golaço. Se a bola não tivesse ido na trave da Bélgica e a de Renato Augusto fosse centímetros mais para a esquerda? Se o torcedor ficar mastigando isso no juízo, entra em depressão. Vai ter que chamar o VAR, para se livrar.
O árbitro de vídeo no Brasil parece que não vai acabar com as , cada vez mais, fervorosas reclamações. Existem os programas esportivos de TV que vivem só de reprisar lances em câmera lenta para que os comentaristas possam esbravejar e fingir que estão se desentendendo, para tentar aumentar a audiência. Tem até os ex-jogadores que defendem as cores dos seus times. Tudo isso, ao longo do tempo, serviu para acirrar ainda mais os ânimos e a não aceitação da derrota. Enquanto tiver e, sempre vai ter, a questão subjetiva da interpretação do lance, o fator humano continuará a decidir e não dá nunca para saber o que se passa no cerebelo alheio. A corrupção é companheira do gênero humano desde sempre. E nem sempre se erra por que quer, tem o fator humano também que precisa ser levado em consideração. Cabe a cada um responder pelos seus procedimentos e ser julgado por outros homens, suscetíveis aos mesmos sentimentos e influências.
Não sei o tal do VAR um dia chegará à Paraíba. Mas, esse ano foi perceptível a evolução da arbitragem, que contou com reforços de outros estados, como Sergipe e São Paulo. O receio era grande, antes de o campeonato começar, em virtude do passado recente e tenebroso, com a manipulação de resultados sendo possivelmente responsável por inúmeros títulos , que a história não vai mais apagar e nem corrigir. Assim como em muitos livros, fatos históricos talvez sejam relatados de forma distorcida, em que não se há certeza de sua veracidade, da mesma forma, muitos campeonatos podem ter sido decididos de maneira escusa. Não só na Paraíba. Se for puxar, chega até em Copa do Mundo. Pelo menos em 2019, ninguém está botando a boca no trompete, como Felipão do Palmeiras,no Paulistão.
Podemos concluir que a eliminação do Atlético de Cajazeiras, para o Campinense, foi uma daquelas “injustiças” do futebol. Ou talvez não. Na seleção natural do esporte, os melhores avançam. Podemos identificar fatores que ocasionaram as falhas e desencadearam no insucesso do time sertanejo. Da mesma forma que , o Rubro-Negro foi um exemplo grandioso de superação. Venceu os desfalques, a falta de dinheiro e turbulências internas. Perdeu até o favoritismo antes do jogo. Se desse a lógica, a Raposa daria adeus ao certame. Só que essa palavra proparoxítona nem sempre aparece nos gramados. “É glorioso e é de decisão”. Essa mística cai muito bem no time de Campina Grande. Vingou a ousadia dos sertanejos, que fizeram o que quiseram com o rival Treze em dois confrontos. Agora é só tentar mudar a lógica de novo. Porque nunca um campeonato, antes mesmo de acabar, deu tantos sinais de que a taça já tem dono,como o de 2019. Justiça seja feita.

Fórmulas do Cariocano

Primeiro que ninguém tem certeza se o nome é fórmula, formato ou forma de disputa. Já começa errado daí. Depois , o que bate mesmo é aquela saudade do tempo em que não havia preocupação em complicar o simples. Dois turnos, vencedores distintos em cada um deles , fariam a final e quem faturasse os dois seria campeão direto.

Se existissem datas disponíveis, teríamos semifinais e finais em cada turno. Jogos decisivos , estádios cheios , todo mundo feliz. Também existe a possibilidade dos pontos corridos , que traz consigo aquele senso de justiça , dando a impressão de que o melhor foi o ganhador e merecido. Existia antigamente um tal de campeão moral. Aquele que não havia erguido o troféu , mas tinha apresentado um futebol mais agradável aos olhos , como o Brasil na Copa do Mundo de 1982.

Mirando como exemplo os estaduais da Paraiba e do Rio de Janeiro,  percebo o quanto existem pessoas criativas no futebol. No Paraibano, não há aquela história de todos se enfrentam. Treze X Botafogo mesmo, não jogarão. Somente na Série C. Confrontos dentro do próprio grupo em turno e returno e para acabar de lascar , até as semifinais são entre times da mesma chave.

Se pelo menos o segundo turno fosse programado com partidas entre os times dos dois grupos, todos jogariam entre si. Semifinal com primeiro de A versus segundo de B e vice-versa, com o time de melhor campanha tendo vantagem de dois resultados iguais , exceto duas derrotas,  claro. Seria mais sensato.

No Carioca,  o Vasco pode ganhar a Taça Guanabara,  a Taça Rio e não ser campeão. Ali é “coi de louco”. Esvazia estádios em clássicos , provoca uma enxurrada de jogos com times mistos e isso vai assassinando de vez os estaduais ,a essência do nosso futebol, a mais autêntica manifestação espontânea do nosso povo , que agora sequer tem acesso às arenas.

Vamos voltar a fazer o fácil. O velho feijão com arroz de leite. Toca e sai para receber. E isso serve também para o futebol brasileiro de uma forma geral. Precisamos valorizar o “dibre” e deixar que os jogadores resolvam dentro de campo. O Botafogo, nessa fase final do nosso estadual se assemelha ao Flamengo. Maior poder aquisitivo,  estrelas e favoritismo. O Campinense seria o Vasco, carregando sempre o peso de um possível vice. O Atlético poderia lembrar o Fluminense,  enquanto que o Nacional de Patos representa o Bangu. Agora é só esperar para var. Digo, esperar para ver.

ARRUMADINHO NO CLÁSSICO DOS MAIORAIS?

Em cima do pé de goiaba, eu procurava um galho mais confortável e firme que pudesse me oferecer o mínimo de conforto e segurança. Rádio numa mão e a fruta na outra. De muito longe eu conseguia avistar o estádio. Uma parte da arquibancada geral e as torres de iluminação. O vento trazia o barulho dos fogos, com um pequeno delay. Assim eu estava pronto para mais um Treze e Campinense.  A narração de Joselito Lucena, aquela entonação típica e particular dos repórteres, as vinhetas, o barulho da torcida, me teletransportavam para o Amigão.

Anos depois, já devidamente sentado nos batentes da arquibancada sombra,  naquela parte em que a marquise não protege do sol das 16h,  assisti a um clássico dos maiorais. O primeiro em que eu fui sozinho. Lembro que foi no final dos anos 1990. O Campinense montou um time de garotos. A maioria da base. Magros, pernas finas e material esportivo muito do “péba”. O Treze, não. Ali era o Galo mesmo. Jogadores rodados entraram numa cancha daquelas, uma confiança vista somente no olhar de um gigante jebuseu.

Estava muito claro de que uma goleada era o mínimo que poderia acontecer. Mas, heroicamente os meninos do Raposinha conseguiram um empate em 0x0. Saíram aplaudidos de pé por sua torcida. Em jogos assim, tudo pode acontecer e normalmente, quando dá, o time que é tecnicamente inferior consegue igualar as ações, excepcionalmente em momentos como este. Desde que eu acompanho os confrontos das duas equipes,  raríssimas vezes goleadas aconteceram. O negócio é nivelado. Por cima ou por baixo, mas é.

Vale a pena também ressaltar que, diferente de outras rivalidades espalhadas pelo Brasil, entre os dirigentes de Galo e Raposa não há muita gentileza nos bastidores. Em 2002, o Campinense tomou um Wx0 num jogo em Cajazeiras que poderia ajudar o Treze, em caso de derrota do Atlético. Em 2018, suspeitaram da derrota do Rubro-Negro para o Serrano. Em 2012, muitos torcedores do Treze reclamaram de um suposto “corpo mole” que teria sido feito no jogo contra o Sousa para prejudicar o Alvinegro.

Se o Campinense vencesse aquela partida seria campeão direto e o rival ficaria com o vice-campeonato. O Sousa ganhou, venceu o segundo turno e na sequência perdeu a final para o time de Campina Grande. Eu estava lá e presenciei o estádio lotado vaiando o seu time, que tocava a bola de um lado para o outro. Teoria da Conspiração? Depois disso, movido por um atrevimento jamais visto no futebol brasileiro, o Galo, até então sem competição para jogar, peitou a CBF, a FIFA e arrancou da justiça comum uma vaga na Série C do Brasileiro.

Mesma Terceira Divisão que espera o Treze no segundo semestre de 2019. Só que uma catástrofe poderá acontecer antes disso. O rebaixamento para a Série B do Paraibano. No futebol é sabido que deixar para a última hora e ainda contar com o resultado alheio não é muito confiável. O Campinense já está classificado com uma tranquila antecedência e o técnico Francisco Diá já disse que não há vantagem ou diferença entre decidir em casa ou fora de seus domínios. Será que vai rolar um time misto?

Talvez valha muito, para alguns, rebaixar o arquirrival. Entraria para a história. Acho que teria até volta olímpica. É verdade que o Treze está caindo pelas tabelas nesse estadual, mas aquele amistoso preparatório da inauguração do gramado pode servir de inspiração para uma possível escapada. Quem sabe, no último momento o “grand finale”, em ritmo de forró, que nortearia um novo momento, já com a proximidade do São João. Está meio longe, mas o povo aqui só fala nisso.

Na Rainha da Borborema, se deseja feliz ano novo depois dos 30 dias de festejos juninos. Os mesmos fogos de artifício ouvidos nos anos 90, na goiabeira, serão motivo de comemoração ou de tristeza, na noite que ficará para sempre lembrada como a quarta-feira em que o Treze foi rebaixado pelo rival, se salvou ao triunfar sobre o inimigo, ou contou mais uma vez com a sorte. O Galo de hoje lembra muito o Campinense que conseguiu arrancar um empate, naquele distante domingo do século passado. É só aproveitar o tempo que resta para deixar tudo arrumado. Estaremos lá. Mais próximo do que nas outras ocasiões.

Quem foi melhor?

Virou moda agora os debates esportivos das televisões, sites e redes sociais, realizarem enquetes sobre quem foi o melhor. Aí a gente percebe o que a falta de pauta pode provocar nos seres humanos. Zico ou Roberto Dinamite?  Ronaldo Fenômeno ou Ronaldinho Gaúcho?  Messi ou Cristiano Ronaldo? Obina ou Eto’o? Romário ou Neymar? Pelé ou… Aí já complica! Muitos acham que não há quem possa ser comparado ao menino Edson Arantes,  enquanto outros já nem sabem que ele existiu e, ainda existe, ou simplesmente conseguem ignorá-lo.
Como mensurar quem foi melhor? Se for através dos números e estatísticas, podemos nos prender à quantidade de gols marcados, títulos conquistados em clubes, ou pela seleção, premiações individuais, capacidade de ser um “super-homem” nos momentos difíceis e protagonista nas decisões. Quem conseguiu permanecer no auge por mais tempo, não sofrer com muitas contusões e manter uma regularidade até o fim da carreira? Tudo fica a cargo da subjetividade, como no caso da beleza que está nos olhos de quem vê. 
Essas comparações se tornam cada vez mais difíceis e nunca chegam a um denominador comum, quando avaliam jogadores que atuaram em épocas muito diferentes e distantes. São inúmeras as variáveis a serem consideradas. Condições do gramado, bola, material esportivo, estádios, precariedade, amadorismo, preparação física, tática, psicologia, medicina esportiva, salários recebidos… Muito mudou do tempo em que o esporte bretão era algo mais romântico,  até chegar no “canibalismo” do marketing bilionário, em que os campos viraram arena, os ingressos são caríssimos e não há mais, dentro do campo, muito espaço para se pensar antes que chegue um Sérgio Ramos da vida e te imobilize com um golpe de judô.
Cada geração tem suas lendas: Cruyff, Di Stéfano, Puskas, Garrincha, Eusébio, Leônidas, Pelé, Maradona, Bobby Charlton, Beckenbauer, Platini, Cristiano Ronaldo e Messi. Há também as quase lendas como: Didi, Evaristo de Macedo, Jairzinho, Zico, Romário, Rivaldo, Kaká, Ibrahimovic, Zidane, Pirlo, Matthäus, Paolo Rossi e tantos outros, que vão fazer com que eu mereça receber xingamentos mentais pelo esquecimento de quem merecia estar na lista. Citei apenas alguns, que foram puxados pela lembrança. Seria preciso uma postagem só para tentar fazer justiça. Mas mesmo assim, faltariam muitos “animais”, como diria o narrador Osmar Santos. 
Será que Pelé permanecerá para sempre como o maior de todos os tempos e inalcançável?  O principal argumento do Rei, além de todas as “barbaridades” que ele fez com os adversários, se refere aos títulos de Copa do Mundo, que dependeram obviamente da coletividade, mas também de sua genialidade. Apesar de que Romário, por exemplo, foi mais protagonista em 1994 e o próprio Ronaldo em 2002, do que Edson Arantes em 1970. Mas também era garapa. O time era recheado de craques. 
Aterrissando nos nossos dias, o que Messi e CR7 vêm fazendo,  mostra um novo momento no futebol. Como chegar ao ápice e se manter lá por vários anos? Como fazer a diferença, ser o referencial no meio de tantos trogloditas obedientes à tática e fãs do contato físico? O futebol moderno, apesar de tudo, não é só um jogo de xadrez com peças de movimentos previsíveis. Seria bom criarmos uma lei avulsa para classificar os melhores apenas por época. Vamos combinar outra coisa também: deixem “Bilé” de fora desse joguete. Ele é um caso à parte. Mas, é inegável que o E.T e o Robozão estão assustando até os mais conservadores saudosistas. A retórica do vinho para eles continua servindo. Os trintões estão se aproximando da área e vão fazer mais gols, com menos desgaste. Receita da Vila da Penha, made in Brazil. O futebol sempre desemboca no nosso país, apesar de tudo. 

 

Opinião: Inveja do Belo

Tem gente que para tentar minimizar os efeitos danosos da palavra, confessa que está com inveja, mas que ela é branca. Deve ser aquela vontade de ter ou ser igual a outrem, sem que haja nenhum prejuízo para a pessoa que involuntariamente provocou no invejoso a cobiça. No esporte, também tem muito disso. Independente da cor do sentimento, a vontade de vencer e ser o melhor, obriga a superar os adversários, jogando limpo ou sujo.

O bairrismo de Campina Grande é conhecido internacionalmente. No quesito futebol,  tudo se agrava em progressão geométrica. Quando algum torcedor do Botafogo de João Pessoa é visto a andar tranquilamente pelas ruas ou shoppings de Campina, sem ser em dia de jogo, provoca olhares meio desconfiados e curiosos nos trezeanos e raposeiros. Aquele moído que Galvão Bueno inventou de que o Botafogo é a Paraíba na Copa do Nordeste parece que está meio fora de cogitação. Há exceções,  claro. Elas sempre existem,  felizmente.

Ano passado muita gente “secou” o Belo e não queria vê-lo jamais e de forma alguma na Série B do Campeonato Brasileiro. Soltaram até fogos quando nos pênaltis o time de Ribeirão Preto levou a melhor. Tem até quem comemore os dezoito anos dos 10×0 que o time paraibano tomou do São Paulo no Morumbi e esquece de 1980, quando o Flamengo de Zico foi surpreendido no Maracanã pelo Botinha. A rivalidade é grande. A turma da oposição insiste em dizer que a suposta máfia do apito ainda beneficia o time da capital, mesmo com os desdobramentos da Operação Cartola. Cada um acredita no que quer. É um direito que lhe assiste.

O que vejo em 2019, é um Botafogo maduro e pronto para grandes conquistas. Calejado por decepções e insucessos recentes – sem contar os títulos do estadual – , o elenco é forte e não faz força para jogar bonito. Por isso, vai bem na Copa do Nordeste,  Copa do Brasil e no  Campeonato Paraibano. Nadando de braçada. E só não está invicto no ano porque subestimou a Perilima. A derrota não fez falta por um lado, mas aquele status de não ter perdido para ninguém na temporada, poderia representar uma motivação a mais aos garotos de Piza.

No caso do Treze e Campinense, eles não precisam invejar ninguém. Mas não custa nada olhar o exemplo de quem está se dando bem na vida. Princípios básicos de administração e gestão, valorizar, fomentar as categorias de  base, dar condições para que um trabalho de longo prazo seja estabelecido,  é o que deveria ser feito por Galo e Raposa. Mas isso só se faz com habilidade e dinheiro. Se adquire recursos financeiros com resultados. Nossa realidade, enquanto estado pobre, dificulta ainda mais o processo.

Seja branca ou preta,  a inveja sempre existirá. Pode até mesmo ser alvinegra. Ao que parece, 2019 está sendo mais um ano para muitos correrem atrás dos meninos da Maravilha do Contorno. Isso está se tornando tão natural quanto ver um tricolor, com a camisa  da estrela vermelha, discutindo futebol no calçadão da Cardoso Vieira. Sempre espere o inesperado. Siga trabalhando sem olhar para o centro de treinamento do vizinho.

 

Neymar, Anitta e Lukaku

Entrei numa discussão em um grupo de whatsapp por causa de Neymar. Tudo começou depois da derrota do Real Madrid para o Ajax, pela Champions League.  Às vezes, a pessoa não se manifesta em determinadas situações, para não se estressar com bobagens, mas tem hora em que não dá para fingir que não viu. Disseram, no já citado agrupamento virtual, que Vinícius Júnior era melhor do que o menino Ney. Que este era o rei do cai-cai, que só queria saber de festa, glamour, de ser celebridade, nunca jogou nada e era uma invenção da mídia. Eu estava até concordando, mas nessa parte, não deu. O cara  é craque. Não tem como negar. Sua vida pessoal, seus desleixos e excessos só fazem com que ele mantenha um pequeno abismo entre os seus concorrentes a melhor do mundo e dão um amplo corredor para o garoto Mbappé, ameaçá-lo.

Estamos falando do quarto maior artilheiro da Seleção Brasileira. Passou Romário já. Só faltam Zico, Ronaldo e Pelé (será?). Foi protagonista na conquista do ouro olímpico e tudo caminhava para um evidente estágio de progressão até que veio a saída do Barcelona. Nos seus últimos anos, na Espanha, ele estava “comendo a bola”. Aquela virada histórica contra o PSG, seu então futuro time, num 6×1 absurdo, foi uma amostra de que o novo número um do mundo estava por vir. Naquela partida, Messi se escondeu na hora da pressão. Baixou a cabeça e o brasileiro resolveu junto com Suarez. E o ex-santista só tinha a ponta esquerda para jogar. Era até cobrador oficial de escanteio. A pressão atual e, de sempre em cima dele, no Brasil, é porque não existem outros do seu nível  na Canarinha. Em outros momentos, tínhamos craques para montar dois ou três selecionados. Jogadores maduros na faixa dos 25 anos para cima. Agora, a gente precisa engolir um monte de Gabriel Jesus, verde que nem goiaba no pé e perder Copa do Mundo para gato e cachorro, como se diz no popular.

As verbas bilionárias de marketing sempre vão escolher os seus alvos e ídolos. Difícil é saber administrar a própria carreira e se manter motivado como o “louco” do Cristiano Ronaldo. Após o vexame na Rússia,  quando esperávamos uma declaração convincente da nossa maior estrela, ele faz um comercial para mostrar mais uma vez a sua ausência de comprometimento e expressar a falta de sinceridade de quem, num sorriso meio irônico, sempre mostra que não está nem aí para quase nada. Estamos criando um monstro! Alertou René Simões. Não era para tanto, talvez. Pode ser que sejamos um país de pessoas mimadas também. Que não sabem perder e querem  levantar o troféu em todos os mundiais, de quatro em quatro anos.

Finalizei o breve debate na rede social concordando com praticamente tudo o que falaram do jogador do PSG, mas sem emojis ou figurinhas, afirmei que esses defeitos não anulam as suas qualidades. Ele é craque e diferenciado. Mas poderia ser o melhor. Fico a imaginar como será Neymar veterano. A gente percebe que está ficando velho quando acompanha carreiras inteiras de jogadores. Foi assim com Ronaldo, Edmundo, Adriano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e seus contemporâneos. Uns param ainda no auge. Outros definham física e tecnicamente. Essa geração ostentação-lacração ao que parece não trará o Hexa. Acho que eles não estão muito preocupados com isso. Querem mesmo é dar uma paradinha, ficar zen,  entrar no ritmo perfeito, recorrer à medicina, cair de boca no show das poderosas, sobreviver a um terremoto e no final gritar: vai malandra! Mas, que o menino merece estar entre os melhores, merece. O moleque é o cara. Requebrou até o chão e no outro dia, viu da arquibancada o seu time ser eliminado da Liga dos Campeões para o Manchester de Lukaku. Aquele mesmo, da Bélgica.

Opinião: Ninguém Solta o esporão de ninguém

Se a esmola é demais o santo desconfia,  conforme o dito popular. Quando cinco reais abrem as portas do velho e rejuvenescido Amigão, se faz necessário um momento para reflexão. O que estava por vir serve de inspiração para os mais variados e criativos protestos de arquibancada. “Quero meu dinheiro de volta!”, Dava para comprar meio quilo de galeto!”, “Olha a cara de fome do meu centroavante!”, “Passa a semana toda treinando para chegar no jogo e fazer isso?”

O torcedor do Treze está tendo que administrar uma série de sentimentos, simultaneamente. Medo, decepção, vergonha, indignação, raiva, tristeza, apreensão e aflição. Quando escolhemos um time para torcer, aquilo começa a fazer parte de nós. É algo particular da pessoa. Por isso, numa situação complicada,  surge logo o receio do que pode vir a acontecer. Comparações são inevitáveis. Na Paraíba, três times se autoproclamam os maiores do estado, baseados em argumentos próprios: Treze, Campinense e Botafogo.

Quando o rival vai bem, fica mais difícil sair de uma discussão saudável, em tom de brincadeira e o jeito é ter de levar na esportiva. Aguentar calado ou mesmo não se importar, mas por dentro , o sentimento é de esperança,  movido pela vontade de dar o troco, se vingar e terminar “por cima da carne seca”. Todos têm o seu próprio advogado voluntário. Diariamente procuramos nos defender de situações adversas. No futebol, precisamos convencer os outros de que o nosso time é bom, mesmo estando mal das pernas. Mas para que haja argumentos plausíveis de absolvição,  é indispensável que existam fatos concretos. Virar a casaca, nesses casos, é como desertar.

Estou falando de vitórias. Conquistas,  êxitos. O controle emocional no esporte conta bastante. E existe algo denominado de “moleza do rebaixado” que precisa ser suplantado. Trata-se de uma má sorte que acompanha o que já está à beira do precipício. O resultado até parece que vai acontecer,  mas ela aparece e muda tudo. Já vi isso no Grêmio, Vasco e outras equipes que lutaram, tentaram até o último instante permanecer mas não conseguiram.

O pior é que o Treze não está nem nesse patamar. Parece estar numa inércia,  aliada à letargia que não aparenta sinais de melhora. Uma sequência de derrotas estranhas e absurdas não nos faz enxergar melhores dias por vir. A não ser que essa parada para o Carnaval sirva para que a casa seja colocada em ordem e na reta final  do estadual, o Galo mostre que ainda é o mesmo de outrora. O panorama não se mostra muito favorável, mas ainda existem motivos para acreditar. Kleber Romero agora vai tomar conta dos pupilos.  Ninguém solta a mão de ninguém. Valeu a pena ter vindo. É isso que o trezeano quer dizer ao fim do próximo jogo.