Futebol no pico do Jabre

Sertão é teste de fogo. É sobrevivência em um ambiente que, de acordo com à sazonalidade, pode ir de hostil a paraíso, em que o básico supre todas as necessidades de uma vida minimalista. Fazer o simples para manutenção de uma vida sem luxos, mas isenta de privações. O sítio do meu avô, em Patos, era assim. A maior fonte de riqueza vinha de um rio temporário, que passava bem próximo.

A mobília era antiga e sem conforto. Quem se importava? O chão, após o almoço, no calor causticante, equilibrava a temperatura corpórea, enquanto as crianças aguardavam o sol baixar, para cumprir a agenda do dia. Nem sempre a paciência permitia que esse intervalo fosse cumprido. Banho no rio, mesmo com a água quente, ignorando os riscos e alertas dos mais velhos, sobre uma possível enfermidade posterior e futebol na caatinga no pingo do suor do meio dia. Traves de madeira, uma longa formação rochosa sob a areia fina. Este era o nosso estádio.

Perpétuo Correia Lima, o Péto, é considerado por muitos torcedores e pela crônica esportiva local, como o maior jogador da história de Cajazeiras. Antonio Marques da Silva Mariz, foi advogado, promotor de justiça e político. Prefeito de Sousa, deputado federal por quatro mandatos, senador e governador da Paraíba. José Cavalcanti da Silva era escritor, professor de história, deputado estadual e prefeito de Patos. Estes três homens tiveram seus nomes imortalizados em uma homenagem fincada no árido e fértil solo sertanejo, nas estacas, fundações, arquibancadas, gramados amarelados e esverdeados e nas traves, que já presenciaram tantos momentos de glória. A placa na entrada mostra para as atuais e vindouras gerações que os nomes escolhidos não foram por acaso.

De tão corriqueiro, falamos repetidas vezes nos estádios e esquecemos de quem deu nome a eles. Quatro títulos estaduais já foram comemorados nestas arenas raiz. Já se vão dez anos sem conquistas desta natureza, mas algo de diferente, sempre aguarda pelos visitantes distraídos. Apesar de o discurso cautelar de medida, ser praxe, geralmente Treze e Campinense caem na armadilha. Acredito que não há teste mais eficaz para saber se um time está pronto para ser campeão, do que vencer nestes três santuários do cangaço esportivo. Parece que lá o tempo não se rendeu à modernidade. Em dias de jogos importantes, Péto ainda faz o aquecimento às 15h, O governador é Antônio. A Paraíba é quem diz: Ronaldo , Humberto e Mariz. E o prefeito se chama José Cavalcanti. Escondam as bolas, trabalhem no vestiário dos visitantes, não se preocupem com a qualidade do gramado, mas sobretudo, joguem aquele futebol de outrora. Mostrem do que são capazes.

Façam equipes competitivas, gastando menos. Quem sabe, uma vez perdida, quando os poderosos vacilarem, farão história novamente. Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, Sertão de lampiões e marias bonitas, de secas severas e invernos generosos, do Rio da Cruz e do Açude de Jatobá. Quem é que manda no Maxixe? Terra de contrastes, que atrai olhares de admiração. Fazer muito, com poucos recursos. Ir no ponto nevrálgico. Ser pobre e ser rico ao mesmo tempo, como Seu Basílio e Dona Luísa.

Nunca subestimem a força de um sertanejo. Eles têm suas próprias razões para fazerem a escolha certa entre sobreviver e prosperar. Lá, Galo e Raposa, podem até conviver. Porém, em ambiente um pouco separados, por motivos óbvios. Os maiorais precisam mostrar que têm condições para superar os filhos da Morada do Sol, com sua eterna habilidade ao volante, sempre dispostos a subir para a próxima serra rumo ao ápice que é o Pico do Jabre, o lugar mais alto do pódio paraibano.

 

 

Como Tornar um campeonato fácil, difícil?

É simples. Coloque no mesmo grupo três favoritos, com a possibilidade de apenas dois passarem para a próxima etapa. Achou pouco? Aposto que sim. Então, acabe com o confronto direto, fazendo com que os times de uma chave enfrentem apenas os da outra. Treze, Botafogo e Atlético que se virem para conquistar duas vagas. Um ficará de fora e certamente terá ao fim da primeira fase, mais pontos do que o segundo, ou talvez até, do que o primeiro colocado do grupo B. O Campinense parece ter tirado a sorte grande, como no ano passado, na distribuição das equipes. Seria pedir demais um primeiro turno do jeito que está e o segundo, com todos se enfrentando entre si, internamente? Aí teríamos jogos como: Treze x Botafogo, Atlético x Treze, Botafogo x Atlético e Campinense x Sousa. Essa sinuca parece estar mesmo um pouco descaída.
Já pensou, você ganhar uma partida e não servir de muita coisa, se os rivais da chave também vencerem, como aconteceu na primeira rodada? Até agora, só a Raposa e o Dinossauro pontuaram do lado de lá. Se continuar assim, teremos uma semelhança com o quociente eleitoral, quando um candidato com menos votos se elege, ao vencer o que teve mais sufrágios. Essa sensação estranha de injustiça lastreia a promoção do mais fraco em detrimento do mais capacitado. E ainda tem jogador dizendo em entrevista que o Campeonato Paraibano é muito difícil e disputado. Para uns, até pode ser. O nível do futebol brasileiro já foi mais elevado. Aqui na Paraíba também. Agora, a dificuldade vem pelo fator extracampo.  É tanto que o Botafogo , sem muitos problemas, sagrou-se o atual tricampeão. Fácil, fácil.
Às vezes, me pego pensando como é que alguns times participam do campeonato, sem praticamente ter nenhuma aparente fonte de receita capaz de bancar o investimento. Tirando o Belo, aposto que o restante vai penar para, pelo menos, não ter prejuízo. Recorrer aos abnegados, é sempre uma necessidade. Imagine aí a situação daquelas agremiações que batem e voltam da Série A para a Série B? Lembram do calote que o uruguaio Acosta levou em Santa Luzia? Pois é. Está pensando que é fácil honrar com os compromissos assumidos, diante de uma folha de pagamento? O que eu mais vejo é jogador  colocando time na justiça, ganhando causas, às vezes à revelia. Sem contar que tem atleta que para jogar no Treze ou Campinense quer cobrar salários que fogem à nossa realidade. E a base? Cadê as categorias? Pode apostar nos meninos, que sai mais em conta.
O jeito é ver se cai alguma verba do governo estadual, no que se refere ao novo Gol de Placa com formato e nome diferentes, já que foram identificadas algumas fraudes no antigo, para variar. No meio desse imprensado, quem cada vez mais perde a motivação é o torcedor, que se por acaso encontrar um ingresso no chão, vai na bilheteria devolver. Fazer o simples pode ser a saída para o regresso da confiança. Jogar fácil, preferir o básico, nos momentos de dificuldade. Quem será o campeão em 2020? Seja um apostador. Dê um chute. Você pode se dar bem, ou talvez não. Diante de tudo o que o futebol da Paraíba já vivenciou ultimamente, em se tratando de manipulação de resultados pela arbitragem e agora a suspeita de combinação, para se faturar com apostas, é preciso avaliar se vale a pena continuar. Talvez, a saída seja tornar um campeonato difícil, em algo fácil de se conquistar.

O QUE ESPERAR DE 2020?

Não espero nada de tão espetacular ou diferente dos anos anteriores. Tentar enganar o torcedor é tão somente uma demonstração de arrogância. Já se foi a época em que havia os ditos formadores de opinião na imprensa, de uma forma geral, bem como na esportiva. Cada pessoa é, ou deveria ser, suficientemente capaz de elaborar as suas próprias convicções, baseada naquilo que lhe é passado por meio de tantas fontes de informação. Saber filtrar, checar e comparar é fundamental no processo de construção do pensamento. Acredito que o jornalismo tradicional vive uma crise existencial, em virtude do descrédito evidenciado pela abertura das barreiras, antes intransponíveis, que faziam com que as empresas de comunicação assumissem o trabalho de um atravessador, ao enviar a notícia para o consumidor final. Só que no meio do processo há algo que deve ser levado em consideração: a linha editorial.
Não posso garantir, pelo que vi nos amistosos, que Treze e Campinense estão com times fortes, são indicados a ganhar títulos e conquistar acessos em 2020. Está meio estranho. Futebol hoje em dia, com raras exceções, só funciona com dinheiro e muito. Organizar, controlar, planejar e dirigir. São quatro pilares básicos da administração , que eu aprendi enquanto aluno na Universidade Federal de Campina Grande, nos anos 2000. Antigamente, todos faziam times praticamente com a mesma força, gastando pouco e não havia tanta previsibilidade na percepção dos favoritos. Me diga aí, para o Campeonato Brasileiro do ano que vem, por exemplo, quem são os postulantes ao sucesso? Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Santos? Quem danado aposta no Vasco campeão? Fluminense, Botafogo, Bahia? É como corrida de Fórmula 1. Tenha o melhor carro e ganhe.
Por aqui, não tem como pensar diferente. O jeito é jogar o favoritismo para o  Botafogo paraibano de novo. Mesmo inconstantes, Galo e Raposa, seguem sendo os prováveis oponentes do Belo. Por mais que tenhamos equipes que, talvez possam dar alguns sustos nos três e um deles faça um campeonato capenga, como o Galo em 2019, é muito improvável que algum azarão incomode os gigantes. Embora eu possa queimar a língua, principalmente com relação ao Sport Lagoa Seca, que despachou com facilidade o anfitrião no Estádio Presidente Vargas, em jogo-treino e o Perilima, que está mostrando muita organização fora de campo –  o que já é um passo imprescindível para o êxito a curto ou longo prazo. Não esquecendo que lá estará o interminável Marcelinho Paraíba, que é um fenômeno , por ainda jogar profissionalmente aos 44 anos, quase 45. Deixando de lado essa estupenda particularidade do jogador, será que isso não demonstra também um pouco da baixa qualidade técnica do nosso futebol? Porque a ordem está bem definida. “Estourou” o moleque? É vendido aos 17 anos. Roda a Europa e quando estiver perto de parar vem para o Brasil. Para queimar a raspa do tacho, vai para o Nordeste.
No passado, em minhas últimas colunas do ano, nos meses de dezembro, tanto nos blogs , como no finado site Agora Esportes, eu sempre demonstrava a minha esperança de que  poderíamos aguardar algo de bom para os nossos times, mas após tantos fiascos, fora e dentro de campo, prefiro seguir o que a obviedade grita em me alertar. Teremos um estadual igual aos outros, sem muitas surpresas. Seremos figurantes nas Copas do Nordeste e do Brasil, no Brasileirão todos ficam onde estão e assim vamos em frente. Pode ser que eu esteja errado e tomara que eu incinere as papilas gustativas, mas não dá para ser inocente e acreditar em Papai Noel sempre.

O verdadeiro ganhador será aquele que começar a cuidar melhor do seu maior ativo – o torcedor, que está cansado de ver tanta cara feia na compra de ingresso, enfrentar fila, ser tratado como um Zé Ninguém, sentar em arquibancada quente, tomar sol na cara, apanhar e, em alguns casos, até dar a vida por um time num esporte que nunca será só futebol. Os torcedores não são mais e – na verdade – nunca foram bobos. Precisam ser tratados como parceiros e não somente servem para colaborar com a sacolinha, quando a quebradeira prevalece. Feliz ano novo. Pessimismo ou realismo? Escolha!

Opinião: A importância de um amistoso

Quando chega essa época do ano, o fenômeno da abstinência se repete. Acabaram todas as séries do Brasileirão e o jeito é ocupar o tempo com as da Netflix. Para quem gosta, domingo à tarde, sem futebol, é um troço chato de se encarar. Não há substitutos à altura. Eu, particularmente, não vejo graça naquelas partidas com amigos de fulano contra amigos de beltrano. A não ser por causa do caráter social, quando o jogo é beneficente, tudo bem, mas não dá para comparar com a velha disputa valendo três pontos. O calendário apertado do futebol brasileiro faz com que o final se encontre com o início da temporada. Quem entrou de férias antes, volta aos trabalhos mais cedo, para se concentrar na estreia do estadual. É quando surgem os amistosos preparatórios.
Não se pode ganhar cancha, entrosamento, ritmo de jogo, apenas com treinos. É preciso testar a garotada e os veteranos, que vão tentar dar o melhor de si para agradar ao professor que estará atento a cada lance. É o momento adequado para se deixar uma boa impressão. Aprimorar a parte física e já ensaiar possíveis, prováveis e futuras parcerias dentro de campo. Identificar as afinidades, ver o companheiro e pelo olhar saber o que se quer. Pensando assim, Treze e Campinense fizeram suas primeiras aparições, com seus novos contratados,  neste final de semana. O Galo venceu com facilidade. Já a Raposa, perdeu por um a zero em Lagoa Seca, para o glorioso Náutico do Retiro.
Aquela falácia de que o que vale é a movimentação e o placar pouco importa, não me convence. O argumento contradiz a afirmação. Uma boa disposição no gramado, será convertida em finalizações. Lógico que tem a questão das dificuldades envolvidas no processo. Geralmente, do outro lado tem jogadores amadores e peladeiros que dão a vida por um momento de fama. Atuam como se fosse final de Copa do Mundo. Existe também, nos profissionais, o medo de se machucar e a gana nunca será igual a de um compromisso oficial. Porém, quem joga, normalmente não gosta de perder. E ainda mais contra adversários inexpressivos. Acredito que o resultado é irrelevante quando se vence, mas quando a derrota surge, é necessário perceber que existe um forte sinal de alerta sendo ligado, mostrando uma possível fragilidade, que pode ser o prenúncio de que o elenco não é tão competitivo como se supunha.
Não sei se foi o caso do Rubro-Negro, mas a verdade é que o autor do gol, em Lagoa Seca, Bruno Renan, poderá contar para os filhos e netos a sua façanha. Só o tempo poderá dizer se o jogo realizado no sofrido tapete do estádio Titão serviu para alguma coisa. Os atletas mais conhecidos da torcida para 2020 são o bom Rafael Ibiapino, o sempre contestado e amado goleiro Pantera, além de Fábio Júnior, que estava parado há sete anos. Provavelmente, como sempre acontece, esse time que vemos agora, tanto no Treze quanto no Campinense, não será o mesmo do campeonato brasileiro. Geralmente á assim.
Para fecharmos o ano e iniciarmos a temporada que se avizinha, teremos mais um clássico no Amigão. Ano passado, foi um a zero para o Galo. Contudo, no Paraibano, o time da Bela Vista foi vice-campeão e o rival quase foi rebaixado. Mais um motivo para não dar tanto crédito a jogo festivo. O Alvinegro teve que se reformular no segundo semestre para permanecer na Série C. Sendo assim, continuo sem ser muito fã de amistoso, mas confesso que ele é um mal necessário. Aliás, por falar nisso, você lembra de algum jogo treino em especial que marcou a sua vida? Aquele golaço numa partida que não valia nada? Sinceramente, não sei, mas como advertia Don Corleone: Mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda. Adversários sim, inimigos jamais! Pena que o jogo será numa terça à noite, mas mesmo assim está valendo.

Intercâmbio de botafogos

Quando eu vi que alguns dirigentes estavam interessados em mudar o formato de disputa do Campeonato Paraibano 2020, me animei. Entretanto, tinha a questão das datas, cada vez mais reduzidas, para os estaduais, que nos grandes centros estão aos poucos perdendo o restinho da força. Nas províncias pequenas como a nossa, termina sendo até interessante menos tempo, o que representa um prejuízo menor para quem se aventura a colocar time em campo sem fontes de receita capazes de lastrear o sonho do título. O que está em jogo mesmo são as vagas na Série D , Copa do Brasil e Copa do Nordeste. Se não fosse por isso, acho que os velhos campeonatos estaduais já teriam sucumbido ao progresso e à modernidade. Sem mencionar que não tem nada mais chato do que ver dois ou três times revezando o levantamento de taça, como acontece alhures. Se há zebra, geralmente é porque não houve interesse dos favoritos.

Nos resta esperar que a raiva e a frustração do torcedor paraibano tenham sido deixadas para trás. Com exceção, em parte, do botafoguense tricolor, que ainda não digeriu a permanência na Série C.  Tricampeão paraibano incontestável. Pelo menos não podemos falar nada do título de 2019. Os que passaram , não somente os do time possoense,  podem em algum momento ter sido sujados pelo óleo cru da corrupção. Este é o grande diferencial do certame em 2020 – a confiança de que as práticas antigas identificadas pela Operação Cartola, não mais contaminarão a todos os inocentes envolvidos no processo. As maiores vítimas? Lógico que são os torcedores, sofridos, que separam o sacrificado dinheiro do ingresso, sem nunca ver um verdadeiro gol de placa. Página virada. Aguardemos os estádios serem liberados , para enfim a bola rolar, porque a saudade já começa a bater, daqueles domingos à tarde, sentado na arquibancada quente, com um travesseiro trazido de casa, sem a mulher ver, comendo amendoim e churrasco de carne sem procedência conhecida.

Será que já não passou da hora de Treze e Campinense destronarem o rival Botafogo da sua atual posição de zona de conforto? Os times do Sertão precisam parar de nadar na estiagem e morrer na beira da praia. Temos os dois caçulas que acabaram de subir da Segundinha e vão querer pelo menos permanecer. Além da Perilima, que pode se firmar como constante ameaça aos favoritos. O próprio Belo sentirá na pele a perseguição de todos contra um. Tirando isso, nada de novidade. Pode começar logo! Trilar o apito. Times de um grupo , enfrentando os do outro. É a única ideia de campeonato em que não se depende , necessariamente, somente de si para se chegar ao êxito esperado. Já pensou se todos os jogos forem vencidos por integrantes de um lado? Teríamos um grupo com as equipes somando 24 pontos e os do outro, com 0. Iríamos apelar para os critérios de desempate. Por que não termos agremiações jogando contra si dentro da chave no primeiro turno e no segundo, enfrentando as da outra? Dessa maneira teríamos todos os confrontos possíveis. Me pergunto isso desde o ano passado. O Cariocão já foi assim. Eu lembro. Diz a lenda que é o mais charmoso do Brasil. Pode ser que o melhor seja deixar tudo como está. Afinal, o Paraibano também tem o seu charme. E se rolasse um intercâmbio entre os botafogos? O do Rio jogasse aqui e o daqui jogasse lá? A zebra da década de 1980, no Maracanã, se repetiria? Segue o líder.

O Fenômeno Flamengo

Nas redes sociais, notadamente através dos  comentários jocosos, descontraídos, muitas vezes debochados e carregados de ódio, podemos perceber o que norteia o pensamento de uma parcela da população brasileira. Entre os torcedores, funciona da mesma forma. É onde entra também o senso de humor e criatividade do nosso povo. Quem nunca leu numa postagem, que não tinha nada a ver com o contexto, a frase: O Palmeiras não tem Mundial? A zoeira não tem mesmo limites, embora às vezes ,devesse ter. Enquanto for sadia a brincadeira, permanece no quesito aceitável. Dizem que a torcida do Santos só tem idosos, que o Corinthians é bicampeão mundial , mesmo com uma Libertadores apenas, afirmam que o Flamengo não possui estádio e que seria pequeno diante dos outros campeões do mundo. Pode ser que por fazer 38 anos da conquista maior dos cariocas, essa galerinha mais jovem, não dê o devido valor. Tem uma molecada que acha que o mundo só passou a existir de 2000 para cá. Pelé? Quem é esse? Só sei quem são Messi e CR7. É a famosa geração dos Enzo – desinformados. Sem generalizar, claro.
Dizem que o Mengão é o queridinho da TV Globo. Caso seja verdade, são negócios, ora pois. Não se pode negar que o fato de o Rubro-Negro ter a maior torcida do Brasil, se deveu em grande parte, à exposição e o espaço garantidos na mídia. É lógico que o sucesso da equipe principalmente na década de 1980, com uma geração maravilhosa de craques comandada por Zico ,também era merecedora e digna de uma cobertura à altura. Só que mesmo após o time ter de dividir o estrelato, advindo de títulos importantes, com outras equipes, principalmente as paulistas, a idolatria permaneceu passando de geração a geração. Nos anos 90, teve um título nacional sobre o Botafogo e no século 21, Adriano, Petkovic, Andrade e companhia trataram de não deixar o brilho permanecer apenas nos arquivos de jornal, TV e YouTube. Ganharam também uma Copa do Brasil em cima do Vasco de Renato Gaúcho, outra sobre o Furacão “sintético” e perderam outras para o Santo André e Cruzeiro. É o maior vice da Copa do Brasil, com quatro “conquistas”. Nesse período, o São Paulo tornou-se tricampeão mundial, o Corinthians foi bi, teve a dupla Gre-Nal também conquistando Libertadores, assim como o Atlético Mineiro. O São Caetano foi vice, o Vasco em 98 foi o melhor das américas e o Urubu só vivendo das glórias internas.
A competição entre equipes sul-americanas vinha sendo um verdadeiro martírio, nas últimas edições. Eliminações precoces e traumáticas se acumulavam. Parecia a Holanda querendo ser campeã mundial. Havia aquela trava de segurança, um empecilho emocional em jogo. Lembram do gordinho Cabañas? E o goleiro Bruno aos prantos? Maracanã calado era rotina. Havia até já um sentimento de resignação. Passar das oitavas de final já seria o ápice. Mas, dessa vez montaram um time daqueles que tem tudo para ficar para sempre na memória do torcedor. Elenco recheado de opções e estrelas que teoricamente facilita o trabalho do treinador. É tanto que o português Jorge (Mister) Jesus tem provocado uma ciumeira grande em alguns colegas brasilianos. Argel Fucks, do CSA, falou  que até Andrade e Jayme de Almeida já ganharam títulos com o Flamengo, no modo piloto automático. Renato Gaúcho também foi indelicado com o competente e nobre forasteiro. Só o fato de a cultura idiota de poupar jogador ter sido abolida ,já mostra aquilo que o futebol brasileiro precisa. Do jeito que estava não poderia continuar. Por isso, quando nossos times ganhavam a Libertadores, saíam na semifinal do Mundial. Vide Atlético e Internacional. A velha arrogância brasileira.
O futebol no Brasil se ilustra bem com aquele estilo de jogo do menino Vinícius Júnior no Real Madrid. É uma tentativa ,em vão ,de querer mostrar que é ainda é diferenciado, fazendo firulas improdutivas, com dribles desnecessários e longe da área. Quase todos os times e seleções agora sabem marcar, driblar, atacar e defender. O que fazer para tentar mostrar um algo a mais para que o futebol brasileiro possa voltar a ter os seus dias em que impunha respeito? Precisamos de mais Jorges Jesus. Inclusive na Seleção.Jogador de futebol não pode ser mimado. O que mais os atletas do Flamengo destacam é que o gringo tira deles o máximo do que eles poderiam dar. Nosso futebol pode voltar aos seus momentos áureos. Para isso, nada melhor do que iniciar esse processo, passando por um argentino. Eles que nos últimos anos vêm tocando o terror em nossos representantes. Depois disso, garanto que quem gosta do esporte bretão, embora tenha suas preferências, irá lá no fundo torcer para que sejamos bem representados e não mais passemos de uma bolinha nas mãos dos times europeus. Queremos um time brasileiro no topo do mundo e se possível sem jogar aquele futebol feio , defensivo e por uma bola, como foi em 2005 e 2012. O segredo do sucesso? Controle suas finanças, tenha dinheiro , contrate as pessoas certas e monte um time que seja aquela máquina, que deixará o seu legado , sua base para as próximas temporadas. Boa administração – esse é o maior reforço. Imaginem se forem campeões depois de 38 anos, ninguém vai aguentar o abuso dos flamenguistas. Por isso , sigo dividido em minha torcida. O cheirinho de todo jeito será aproveitado.

Renato Gaúcho ou Celso Teixeira?

Treinador, acima de tudo, é um líder e liderança não se impõe, se conquista. Seja através de mérito próprio, currículo, carisma, capacidade de motivar o grupo, empatia, ou outras atribuições. Mas, sempre vai existir o insubordinado. Aquele “rebelde”, que monta as suas trincheiras silenciosas e tenta enfraquecer o comandante, porque ele precisa atacar o que ameaça a sua condição estabelecida, sua posição de destaque. Muitos técnicos quando iniciam um trabalho, adotam a estratégia de contra-atacar o inimigo em potencial. Banco de reservas. Nada pior para o jogador “dono do time”, do que ficar vendo a partida no conforto daquelas cadeiras, hoje acolchoadas e ergonômicas. Antigamente, até formigueiro tinha. Mas no legado pós-Copa a coisa evoluiu. Porém, quando o resultado não vem, as forças do comando vão se esvaindo e o desgaste é evidente.
Paulo Henrique Ganso apareceu no futebol brasileiro naquele Santos de Neymar. Parecia que ia vingar, só que deu ruim. Voltou da Europa, onde não mostrou um bom desempenho e veio para o Fluminense. Destino já conhecido dos jogadores em fim de carreira – o êxodo ao contrário. Só que o menino PH não perde aquela canxa, com xis mesmo. Sabe aquele jogador rebolador, que joga com o punho pra trás, a bunda empinada, dá caneta, chapéu, faz uns lançamentozinhos e só? Some na hora difícil e reclama de tudo. Bateu boca com Oswaldo de Oliveira, protagonizou uma cena lamentável e vexatória, ao ser substituído no jogo contra o Santos pelo Brasileirão. Acredito que ambos estejam em igual nível de decadência no esporte. Sobrou para o treinador que perdeu a razão ao fazer gesto obsceno para a torcida. Esta é uma pequena amostra do futebol brasileiro. Falta planejamento e sobra descontrole emocional. Até hoje sustento que o 7×1 em 2014 foi motivado por isso. Desespero, destempero, falta de frieza. Mire o exemplo do Vasco. Vanderley Luxemburgo encontrou no clube um parceiro na tentativa de voltar ao passado de glórias e esquecer a pequenez recente, diante de sucessivos rebaixamentos.
No Cruzeiro, Thiago Neves e Dedé ajudaram a derrubar Rogério Ceni, que parece só dar certo no Fortaleza. Lá ele está em casa, porque conseguiu o feito de subir com o time para a primeira divisão, depois de longos anos na Série C. O objetivo no Leão é só permanecer. Ficar à frente de quatro times. A cobrança na Raposa, bem como foi no São Paulo, é muito maior e todo mundo sabe que ele, como treinador, ainda é muito verde para assumir essas responsabilidades. Quem já está maduro até demais, de acordo com Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, é o rival Jorge Jesus, do Flamengo. Portaluppi não cansa de passar vergonha e ainda pensa como jogador. Aqueles marrentos e provocadores. Acha que pode desestabilizar o outro lado com suas teorias de falastrão. É bom lembrar de CR7 no Mundial de Clubes contra o Imortal. O fato é que não se pode colocar a culpa do fracasso nos comandantes e nem mesmo brindá-los com todas as honrarias pelas conquistas. Embora eu ache que existem times que de tão bons, jogariam sozinhos, sem ninguém à beira do gramado, mas há técnicos que levam nos peitos e nas costas as suas equipes.
É o caso de Celso Teixeira, com o Treze na Série C desse ano. Deu uma grande parcela de contribuição e pode ser considerado o salvador da pátria. Tem o respeito do elenco, um jeito todo dedicado e apaixonado de lutar pelas suas cores. Isso cativa e desperta no atleta a vontade de oferecer tudo o que ele pode e um algo a mais. No Campinense, Oliveira Canindé que foi emprestado, quando voltar, irá começar um trabalho de nostalgia. Precisa se desprender do título da Copa do Nordeste e reescrever uma nova história no Rubro-Negro. É a primeira vez que ouço falar em empréstimo de treinador de futebol. Eles já estão recebendo até cartão amarelo, então,  tudo certo. No Botafogo, Evaristo Piza ficou e ganhou uma nova chance à frente do Belo. Deve ser legal, ter essa segunda oportunidade, assim como Tite teve na Seleção. Pode curar uma frustração para o resto da vida, em caso de redenção.
De acordo com o site globoesporte.com, o tempo médio de permanência dos treinadores da elite em seus times no Brasil, é de 6.1 meses. Na Europa, esse tempo chega a 12,5 meses. O lado bom é que, apesar da instabilidade, a rotatividade é grande. Conforme a capacidade de reinserção no mercado e com o aproveitamento das multas rescisórias, quando existem, é possível se fazer um planejamento financeiro para não passar por maus bocados. Mas em se tratando do futebol paraibano e demais estados com menor porte e visibilidade, ainda há muito amadorismo e são cada vez mais descartáveis os treinadores. O que puder ser feito pela categoria será bem vindo, mas o fator resultado em curto prazo ainda é o maior inimigo dos professores. Eles seguem levando nos lombos o peso das derrotas e saboreando parte das glórias advindas dos sucessos efêmeros. Entregue o Grêmio a Celso e tragam Renato para o Treze, para tirarmos nossas conclusões.

Ninguém tem Paciência comigo

O ex-menino Neymar deu uma de “bad boy” rebelde, bateu a chuteira no gramado e fez de tudo para voltar ao aconchego espanhol de onde nunca deveria ter saído. Antes do êxodo para Paris, vivia seu auge no Barcelona e em alguns momentos vinha conseguindo ofuscar o brilho, quase intocável de Messi, como aconteceu naquela épica vitória de 6×1 sobre o seu então futuro clube parisiense.

Ele queria mais. Não dava para jogar só naquele cantinho esquerdo do campo e ainda por cima batendo escanteio a todo instante. Era preciso ser o melhor do mundo. Aproveitando-se de todos os mimos recebidos ao longo da carreira e dos afagos obtidos com as camisas do Santos e da Seleção,  não quis mais a boa vida de operário. Precisava ser protagonista.

A maior transação da história do futebol deixou aquele rapaz inocente e bem bestinha –  Neymar pai, deveras feliz e satisfeito. Já Juninho, chegou e começou a fazer o que mais sabe: jogar futebol. Alguns entreveros com a torcida e um fogo amigo com Cavani foram notados.

Novamente, apareceu alguém que ousava brilhar mais e marcar muitos gols. O uruguaio era um antigo ídolo local. Daniel Alves, num jogo aleatório, tomou a bola do hermano e deu para o compatriota bater a falta. Em outra ocasião, teve um pênalti cobrado pelo cabeludo, que não cedeu à birra do brasileiro. Cena constrangedora. Mais uma vez o “queridinho” de René Simões quis queimar etapas. Não deu muito certo, assim como a sua tentativa de fugir da realidade. A janela se fechou como no desenho do Vingador e do Mestre dos Magos. O jeito foi ficar. Enfrentar a fúria de parte da torcida e tentar voltar a sorrir, mesmo com poucos motivos e irrisórios incentivos financeiros.

Como vem acontecendo em boa parte de sua carreira, Neymar está tendo de provar que é tudo o que dizem, pelo menos dentro de campo. Enfrentando o Campeonato Francês, em outro recomeço, deu a vitória ao seu time numa meia bicicleta, nos acréscimos do segundo tempo, após ser vaiado e xingado em grande parte do jogo. Na coletiva, assumiu que queria sair e não se desculpou com a torcida. Apenas disse nas entrelinhas que vai jogar para ele mesmo. Sigo curioso para ver no que isso vai dar. Vai começar a Champions League. Será que o menino Ney irá reconquistar o torcedor do PSG?  Está mais fácil Macron e Bolsonaro cortarem o cabelo juntos, assistindo ao programa do Chaves no SBT.