Quem foi melhor?

Virou moda agora os debates esportivos das televisões, sites e redes sociais, realizarem enquetes sobre quem foi o melhor. Aí a gente percebe o que a falta de pauta pode provocar nos seres humanos. Zico ou Roberto Dinamite?  Ronaldo Fenômeno ou Ronaldinho Gaúcho?  Messi ou Cristiano Ronaldo? Obina ou Eto’o? Romário ou Neymar? Pelé ou… Aí já complica! Muitos acham que não há quem possa ser comparado ao menino Edson Arantes,  enquanto outros já nem sabem que ele existiu e, ainda existe, ou simplesmente conseguem ignorá-lo.
Como mensurar quem foi melhor? Se for através dos números e estatísticas, podemos nos prender à quantidade de gols marcados, títulos conquistados em clubes, ou pela seleção, premiações individuais, capacidade de ser um “super-homem” nos momentos difíceis e protagonista nas decisões. Quem conseguiu permanecer no auge por mais tempo, não sofrer com muitas contusões e manter uma regularidade até o fim da carreira? Tudo fica a cargo da subjetividade, como no caso da beleza que está nos olhos de quem vê. 
Essas comparações se tornam cada vez mais difíceis e nunca chegam a um denominador comum, quando avaliam jogadores que atuaram em épocas muito diferentes e distantes. São inúmeras as variáveis a serem consideradas. Condições do gramado, bola, material esportivo, estádios, precariedade, amadorismo, preparação física, tática, psicologia, medicina esportiva, salários recebidos… Muito mudou do tempo em que o esporte bretão era algo mais romântico,  até chegar no “canibalismo” do marketing bilionário, em que os campos viraram arena, os ingressos são caríssimos e não há mais, dentro do campo, muito espaço para se pensar antes que chegue um Sérgio Ramos da vida e te imobilize com um golpe de judô.
Cada geração tem suas lendas: Cruyff, Di Stéfano, Puskas, Garrincha, Eusébio, Leônidas, Pelé, Maradona, Bobby Charlton, Beckenbauer, Platini, Cristiano Ronaldo e Messi. Há também as quase lendas como: Didi, Evaristo de Macedo, Jairzinho, Zico, Romário, Rivaldo, Kaká, Ibrahimovic, Zidane, Pirlo, Matthäus, Paolo Rossi e tantos outros, que vão fazer com que eu mereça receber xingamentos mentais pelo esquecimento de quem merecia estar na lista. Citei apenas alguns, que foram puxados pela lembrança. Seria preciso uma postagem só para tentar fazer justiça. Mas mesmo assim, faltariam muitos “animais”, como diria o narrador Osmar Santos. 
Será que Pelé permanecerá para sempre como o maior de todos os tempos e inalcançável?  O principal argumento do Rei, além de todas as “barbaridades” que ele fez com os adversários, se refere aos títulos de Copa do Mundo, que dependeram obviamente da coletividade, mas também de sua genialidade. Apesar de que Romário, por exemplo, foi mais protagonista em 1994 e o próprio Ronaldo em 2002, do que Edson Arantes em 1970. Mas também era garapa. O time era recheado de craques. 
Aterrissando nos nossos dias, o que Messi e CR7 vêm fazendo,  mostra um novo momento no futebol. Como chegar ao ápice e se manter lá por vários anos? Como fazer a diferença, ser o referencial no meio de tantos trogloditas obedientes à tática e fãs do contato físico? O futebol moderno, apesar de tudo, não é só um jogo de xadrez com peças de movimentos previsíveis. Seria bom criarmos uma lei avulsa para classificar os melhores apenas por época. Vamos combinar outra coisa também: deixem “Bilé” de fora desse joguete. Ele é um caso à parte. Mas, é inegável que o E.T e o Robozão estão assustando até os mais conservadores saudosistas. A retórica do vinho para eles continua servindo. Os trintões estão se aproximando da área e vão fazer mais gols, com menos desgaste. Receita da Vila da Penha, made in Brazil. O futebol sempre desemboca no nosso país, apesar de tudo. 

 

Opinião: Inveja do Belo

Tem gente que para tentar minimizar os efeitos danosos da palavra, confessa que está com inveja, mas que ela é branca. Deve ser aquela vontade de ter ou ser igual a outrem, sem que haja nenhum prejuízo para a pessoa que involuntariamente provocou no invejoso a cobiça. No esporte, também tem muito disso. Independente da cor do sentimento, a vontade de vencer e ser o melhor, obriga a superar os adversários, jogando limpo ou sujo.

O bairrismo de Campina Grande é conhecido internacionalmente. No quesito futebol,  tudo se agrava em progressão geométrica. Quando algum torcedor do Botafogo de João Pessoa é visto a andar tranquilamente pelas ruas ou shoppings de Campina, sem ser em dia de jogo, provoca olhares meio desconfiados e curiosos nos trezeanos e raposeiros. Aquele moído que Galvão Bueno inventou de que o Botafogo é a Paraíba na Copa do Nordeste parece que está meio fora de cogitação. Há exceções,  claro. Elas sempre existem,  felizmente.

Ano passado muita gente “secou” o Belo e não queria vê-lo jamais e de forma alguma na Série B do Campeonato Brasileiro. Soltaram até fogos quando nos pênaltis o time de Ribeirão Preto levou a melhor. Tem até quem comemore os dezoito anos dos 10×0 que o time paraibano tomou do São Paulo no Morumbi e esquece de 1980, quando o Flamengo de Zico foi surpreendido no Maracanã pelo Botinha. A rivalidade é grande. A turma da oposição insiste em dizer que a suposta máfia do apito ainda beneficia o time da capital, mesmo com os desdobramentos da Operação Cartola. Cada um acredita no que quer. É um direito que lhe assiste.

O que vejo em 2019, é um Botafogo maduro e pronto para grandes conquistas. Calejado por decepções e insucessos recentes – sem contar os títulos do estadual – , o elenco é forte e não faz força para jogar bonito. Por isso, vai bem na Copa do Nordeste,  Copa do Brasil e no  Campeonato Paraibano. Nadando de braçada. E só não está invicto no ano porque subestimou a Perilima. A derrota não fez falta por um lado, mas aquele status de não ter perdido para ninguém na temporada, poderia representar uma motivação a mais aos garotos de Piza.

No caso do Treze e Campinense, eles não precisam invejar ninguém. Mas não custa nada olhar o exemplo de quem está se dando bem na vida. Princípios básicos de administração e gestão, valorizar, fomentar as categorias de  base, dar condições para que um trabalho de longo prazo seja estabelecido,  é o que deveria ser feito por Galo e Raposa. Mas isso só se faz com habilidade e dinheiro. Se adquire recursos financeiros com resultados. Nossa realidade, enquanto estado pobre, dificulta ainda mais o processo.

Seja branca ou preta,  a inveja sempre existirá. Pode até mesmo ser alvinegra. Ao que parece, 2019 está sendo mais um ano para muitos correrem atrás dos meninos da Maravilha do Contorno. Isso está se tornando tão natural quanto ver um tricolor, com a camisa  da estrela vermelha, discutindo futebol no calçadão da Cardoso Vieira. Sempre espere o inesperado. Siga trabalhando sem olhar para o centro de treinamento do vizinho.

 

Neymar, Anitta e Lukaku

Entrei numa discussão em um grupo de whatsapp por causa de Neymar. Tudo começou depois da derrota do Real Madrid para o Ajax, pela Champions League.  Às vezes, a pessoa não se manifesta em determinadas situações, para não se estressar com bobagens, mas tem hora em que não dá para fingir que não viu. Disseram, no já citado agrupamento virtual, que Vinícius Júnior era melhor do que o menino Ney. Que este era o rei do cai-cai, que só queria saber de festa, glamour, de ser celebridade, nunca jogou nada e era uma invenção da mídia. Eu estava até concordando, mas nessa parte, não deu. O cara  é craque. Não tem como negar. Sua vida pessoal, seus desleixos e excessos só fazem com que ele mantenha um pequeno abismo entre os seus concorrentes a melhor do mundo e dão um amplo corredor para o garoto Mbappé, ameaçá-lo.

Estamos falando do quarto maior artilheiro da Seleção Brasileira. Passou Romário já. Só faltam Zico, Ronaldo e Pelé (será?). Foi protagonista na conquista do ouro olímpico e tudo caminhava para um evidente estágio de progressão até que veio a saída do Barcelona. Nos seus últimos anos, na Espanha, ele estava “comendo a bola”. Aquela virada histórica contra o PSG, seu então futuro time, num 6×1 absurdo, foi uma amostra de que o novo número um do mundo estava por vir. Naquela partida, Messi se escondeu na hora da pressão. Baixou a cabeça e o brasileiro resolveu junto com Suarez. E o ex-santista só tinha a ponta esquerda para jogar. Era até cobrador oficial de escanteio. A pressão atual e, de sempre em cima dele, no Brasil, é porque não existem outros do seu nível  na Canarinha. Em outros momentos, tínhamos craques para montar dois ou três selecionados. Jogadores maduros na faixa dos 25 anos para cima. Agora, a gente precisa engolir um monte de Gabriel Jesus, verde que nem goiaba no pé e perder Copa do Mundo para gato e cachorro, como se diz no popular.

As verbas bilionárias de marketing sempre vão escolher os seus alvos e ídolos. Difícil é saber administrar a própria carreira e se manter motivado como o “louco” do Cristiano Ronaldo. Após o vexame na Rússia,  quando esperávamos uma declaração convincente da nossa maior estrela, ele faz um comercial para mostrar mais uma vez a sua ausência de comprometimento e expressar a falta de sinceridade de quem, num sorriso meio irônico, sempre mostra que não está nem aí para quase nada. Estamos criando um monstro! Alertou René Simões. Não era para tanto, talvez. Pode ser que sejamos um país de pessoas mimadas também. Que não sabem perder e querem  levantar o troféu em todos os mundiais, de quatro em quatro anos.

Finalizei o breve debate na rede social concordando com praticamente tudo o que falaram do jogador do PSG, mas sem emojis ou figurinhas, afirmei que esses defeitos não anulam as suas qualidades. Ele é craque e diferenciado. Mas poderia ser o melhor. Fico a imaginar como será Neymar veterano. A gente percebe que está ficando velho quando acompanha carreiras inteiras de jogadores. Foi assim com Ronaldo, Edmundo, Adriano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e seus contemporâneos. Uns param ainda no auge. Outros definham física e tecnicamente. Essa geração ostentação-lacração ao que parece não trará o Hexa. Acho que eles não estão muito preocupados com isso. Querem mesmo é dar uma paradinha, ficar zen,  entrar no ritmo perfeito, recorrer à medicina, cair de boca no show das poderosas, sobreviver a um terremoto e no final gritar: vai malandra! Mas, que o menino merece estar entre os melhores, merece. O moleque é o cara. Requebrou até o chão e no outro dia, viu da arquibancada o seu time ser eliminado da Liga dos Campeões para o Manchester de Lukaku. Aquele mesmo, da Bélgica.

Opinião: Ninguém Solta o esporão de ninguém

Se a esmola é demais o santo desconfia,  conforme o dito popular. Quando cinco reais abrem as portas do velho e rejuvenescido Amigão, se faz necessário um momento para reflexão. O que estava por vir serve de inspiração para os mais variados e criativos protestos de arquibancada. “Quero meu dinheiro de volta!”, Dava para comprar meio quilo de galeto!”, “Olha a cara de fome do meu centroavante!”, “Passa a semana toda treinando para chegar no jogo e fazer isso?”

O torcedor do Treze está tendo que administrar uma série de sentimentos, simultaneamente. Medo, decepção, vergonha, indignação, raiva, tristeza, apreensão e aflição. Quando escolhemos um time para torcer, aquilo começa a fazer parte de nós. É algo particular da pessoa. Por isso, numa situação complicada,  surge logo o receio do que pode vir a acontecer. Comparações são inevitáveis. Na Paraíba, três times se autoproclamam os maiores do estado, baseados em argumentos próprios: Treze, Campinense e Botafogo.

Quando o rival vai bem, fica mais difícil sair de uma discussão saudável, em tom de brincadeira e o jeito é ter de levar na esportiva. Aguentar calado ou mesmo não se importar, mas por dentro , o sentimento é de esperança,  movido pela vontade de dar o troco, se vingar e terminar “por cima da carne seca”. Todos têm o seu próprio advogado voluntário. Diariamente procuramos nos defender de situações adversas. No futebol, precisamos convencer os outros de que o nosso time é bom, mesmo estando mal das pernas. Mas para que haja argumentos plausíveis de absolvição,  é indispensável que existam fatos concretos. Virar a casaca, nesses casos, é como desertar.

Estou falando de vitórias. Conquistas,  êxitos. O controle emocional no esporte conta bastante. E existe algo denominado de “moleza do rebaixado” que precisa ser suplantado. Trata-se de uma má sorte que acompanha o que já está à beira do precipício. O resultado até parece que vai acontecer,  mas ela aparece e muda tudo. Já vi isso no Grêmio, Vasco e outras equipes que lutaram, tentaram até o último instante permanecer mas não conseguiram.

O pior é que o Treze não está nem nesse patamar. Parece estar numa inércia,  aliada à letargia que não aparenta sinais de melhora. Uma sequência de derrotas estranhas e absurdas não nos faz enxergar melhores dias por vir. A não ser que essa parada para o Carnaval sirva para que a casa seja colocada em ordem e na reta final  do estadual, o Galo mostre que ainda é o mesmo de outrora. O panorama não se mostra muito favorável, mas ainda existem motivos para acreditar. Kleber Romero agora vai tomar conta dos pupilos.  Ninguém solta a mão de ninguém. Valeu a pena ter vindo. É isso que o trezeano quer dizer ao fim do próximo jogo.

Opinião: Coradin no José Cavalcanti

Antigamente,  os jogos na Paraíba seguiam o rígido horário da televisão. Nas quartas-feiras, a bola rolava às 21h45. Mesmo sem transmissão de nenhum canal de TV. Só as rádios mesmo, davam conta do recado. Para quem trabalhava no dia seguinte,  logo cedo e para as crianças que estudavam pela manhã, se tornava uma aventura. Pegar ônibus e chegar em casa meia noite. Pelo menos nos anos 90, não havia nem de longe, a violência que vivenciamos hoje na Rainha da Borborema. Mesmo assim, tinha que ter disposição. Também não existia terminal de integração. Muitos precisavam pagar duas passagens para ir e duas para voltar.

Quando o sono apertava e não dava nem para ouvir a narração pelas ondas hertzianas,  o jeito era dormir sem saber o resultado do jogo.  Na manhã seguinte, antes mesmo do gole de café , a primeira ação do dia era correr para ligar o rádio e escutar o programa Antena Esportiva, com Joselito Lucena. Nas manchetes, ele já revelava quem havia vencido e qual time tinha se dado mal. Depois do colégio, na hora do almoço,  era a vez de ver os gols da rodada, narrados por Roberto Hugo, no Globo Esporte. Se perdesse, já era. Não tinha essa de YouTube para assistir depois.

Já na abertura do programa, passava aquela vinheta para entrar no clima e havia um momento em que o jogador dava um voleio. Parecia que a bola transpassaria os limites da TV, com imagem ainda em preto e branco. Eu dava um pulo no sofá e gritava: defendeu, Marcial! Este era o nome do arqueiro do Campinense. Goleiro raiz,  sem firulas. Campeão estadual pela Raposa em 1993. Ele já havia jogado no Nacional de Patos e fora contratado para atuar em Campina Grande, fazendo história no Rubro-Negro, assim como o seu reserva Hortimar.

Essa relação entre Patos e Campina, sempre foi muito intensa na minha infância,  porque eu tenho familiares no Sertão da Paraíba. Então, nas férias, foram inúmeras as viagens,  banhos no rio da Fazenda Cruz, futebol ao lado do galinheiro ,no sítio do meu avô, com os primos e irmãos, além de muitas outras peripécias pueris e bucólicas. Na triste e, ao mesmo tempo, alegre volta para casa, passávamos pelo estádio José Cavalcante. Eu sempre quis assistir a um jogo do Treze ou do Campinense lá na época, mas, nunca aconteceu.

Anos mais tarde, em 2013, até que enfim adentrei àquela praça de esportes, como repórter da rádio Correio FM de Campina Grande, para a transmissão de Nacional 0X1 Treze. Gol de Tiago Chulapa. Até hoje, sempre que os maiorais da serra enfrentam os times da Morada do Sol, existe aquela atenção especial da minha parte. Afinal, é uma história que já teve coadjuvantes e protagonistas como: Carlão, Menon, Chico Bala, Bezerra, Pitombinha, Roberto Michelle, Rocha, Adelino, Henágio, Neto Surubim, Hermes, França, Gilmar Lopes, Dinho, Miltinho, Chulapa e tantos outros.

No último domingo (24), tivemos mais uma vez o Nacional de Patos,  campeão estadual de 2007, enfrentando o hexacampeão Campinense no velho Zé Cavalcante. No primeiro confronto entre ambos em 2019, a Raposa levou a melhor e venceu de virada no Amigão. Dessa vez, novos atores mostraram suas qualidades e habilidades para colocarem os seus nomes na história do clássico. Por que não chamar assim o duelo?  São dois times grandes do estado. De um lado Xabala e do outro, Birungueta. Novos tempos! Na rodada anterior, o Treze –  que segue irreconhecível – perdeu para o Esporte. Com o placar de 3×1 para a Raposa, pode-se dizer que Campina vence Patos por 3×1 nessa temporada, até o momento. Nem dá para saber se haverá outro confronto desses esse ano.

Atualmente, com o grito eloquente de tantas redes sociais e plataformas digitais,  já não há mais como dormir sem saber o resultado do futebol. Só se for por opção. Em tempo real, se acompanha e após a partida são várias as oportunidades para ver as imagens e melhores momentos dos jogos. Dá quase para se sentir dentro do estádio. Quase! Porque só indo mesmo para desfrutar das emoções à flor da pele. Adrenalina ativada de várias formas. Imagino que lá no já modificado e transformado rio da Fazenda Cruz, no bairro Jatobá, ou no Alto da Tobiba, talvez,  através de alguma live, ou site, uma criança nacionalina estivesse na hora da partida a gritar: “Defendeu Wagner Coradin! Perdeu, Birungueta”! Dias modernos, objetivos idênticos.Vida longa ao charmoso estádio de Patos.

NÃO TEM MAIS PERILIMA NO FUTEBOL

A Desportiva Perilima sempre foi uma espécie de saco de pancadas do futebol paraibano. Quase ninguém levava o time a sério. Os mais antigos, o pessoal das décadas de 1980 e 1990, lembram que jogar contra Nacional de Cabedelo e Santos de João Pessoa, era só para fazer os artilheiros do campeonato. Assim também acontecia com o time das sordas. O lendário Pedro Ribeiro de Lima se divertiu bastante, com a história de ser o jogador profissional mais velho em atividade. Fez até um gol, de pênalti contra o Campinense. Só que agora, a equipe parece estar passando por um processo de implementação de uma nova filosofia de trabalho e isso está servindo para fortalecer uma marca, que vinha se desgastando ao longo dos anos. No dia 9 de janeiro, em meu blog (www.basilioneto.com.br), eu profetizei: Cuidado com a Perilima. E não é que eu acertei? 

Tudo bem que a estreia com derrota e, de goleada ainda por cima, mostrava que nada havia mudado. Só que dessa vez, havia algo de diferente na Águia de Campina Grande. Um modelo de gestão empresarial, considerando o clube como empresa. Daí já dá para ter uma ideia do porquê das vitórias surpreendentes, para a maioria, diante tão somente de Treze e Botafogo. Para começo de conversa, o técnico é gringo. Algo incomum em nosso estado. O mexicano Ricardo Campos já trabalhou até com Ronaldinho Gaúcho no Querétaro. Os veteranos Pantera, Manu e Marcelinho Paraíba, dão um toque de categoria, ao se unirem a outros jovens e rodados jogadores, como Tiago Silva – autor do golaço da vitória contra o ex-invicto Botafogo. Se o treinador Evaristo soubesse que ia levar uma “piza”, talvez tivesse tido um cuidado maior. A maratona de jogos em três competições não é nada fácil para o Belo, mas eles queriam continuar com o “Respeite a Autoridade”, nas redes sociais. Só que dessa vez foram “trollados” no antigo salão de festas. 

A reação pós-jogo agora já foi bem diferente. Contra o Treze, o que se viu foi um tsunami de gozações, as quais os torcedores alvinegros tiveram de suportar. Dessa vez, os olhares, antes estupefatos,  mudaram. Olha o respeito, seu cabra! Vão devagar nos moleques, que eles sabem jogar também.  A classificação para a semifinal está logo ali. Na próxima rodada, o G2 pode ser uma realidade. Estão deixando os meninos sonharem. Depois das vitórias contra dois gigantes, o céu é o limite para a Águia. Nesse campeonato de 2019, em que o futebol da Paraíba passa por uma fase delicada de tentativa de retomada da credibilidade, nada melhor do que gratas surpresas como a Perilima, que está no caminho certo. O passo mais importante a ser dado, é a consolidação do seu nome no cenário do futebol. Isso vem com títulos, boas campanhas e a formação de uma torcida com a qual se possa compartilhar os bons e maus momentos. Time sem torcida não subsiste por muito tempo e torcedor só se conquista com troféus.

Tudo no seu tempo. Para quem está de fora, é fácil classificar essas façanhas recentes da Perilima como zebra. Mas, seguramente isso se trata de uma tremenda fake news. Zebra não existe. É apenas um resultado inesperado, em que o considerado pequeno vence o grande. Porém, por trás de mais três pontos existe uma equipe trabalhando, dando o seu melhor, gotas de suor são derramadas e vários profissionais dedicam as suas vidas, com um foco em comum. Congratulações, Perilima! O futebol respira com a sua contribuição. Tomara que em breve o reconhecimento seja dado a quem merece e vocês possam ser considerados como mais uma força de Campina Grande e da Paraíba. Eu já estou pronto para ser torcedor da Águia. Só falta comprar a camisa. Vem mais um invicto por aí. O último dos tiranossauros moicanos lá no Marizão. Não tem mais bobo no futebol, definitivamente. Nem a Perilima é mais Perilima.

O PROBLEMA DO TREZE

O problema do Treze não é ciúme de homem, guerra de vaidades, divergência de opiniões e conflitos internos. Isto sempre teve. O que tem provocado e ocasionado essa campanha desastrosa, inesperada e assustadora em 2019, é ruindade mesmo. Montaram um time fraco, aquém da expectativa da torcida e tradição do Alvinegro. A prova disso é que o comando técnico foi mudado, mas as derrotas vexatórias continuaram acontecendo.

Em 2018, o elenco disponível era muito superior. E olha que esse ano tem Série C pela frente. Só faltava inventar de ser rebaixado para a Série D. Aí complicaria de vez o meio de campo. Se for com esse time que está aí, deu ruim. Vai ter que começar do zero, pelo visto, como quase sempre acontece. Nunca na história desse país, Treze e Campinense mantiveram o mesmo plantel do Paraibano no Brasileiro.

Restam quatro jogos no campeonato estadual. Se quiserem ainda pensar em classificação, precisam vencer todos os adversários. Mas para isso, é mister que haja superação. Não adianta a torcida esculhambar, gritar, esbravejar. A palavra do momento para o Galo é resiliência. Embora seja um direito do torcedor, cobrar, dentro das normas do bom senso, é claro.

Trabalhar as limitações do time e tentar jogar o feijão com arroz. Dar a bola ao oponente e explorar os contra-ataques. É preciso armar estratégias ousadas e ao mesmo tempo conservadoras, de acordo com o jogo. Ignorar o peso da camisa e se equiparar aos pequenos para vencê-los. Respeitar os grandes para superá-los.

Se não der para chegar à semifinal, que pelo menos a história do Treze seja respeitada. O impensável rebaixamento para a segundinha já é uma triste possibilidade real. É hora de agir! Vocês já superaram momentos mais difíceis, como a própria Série B do Paraibano na década de 1990. Lembram-se da Copa Paraíba de 2009? O time estava na lama, sem competições importantes para disputar e mostrou raça. Perder para Perilima e Esporte de Patos não condiz com a trajetória da equipe. Estamos falando do atual vice-campeão brasileiro da Série D.

Nada contra as duas agremiações citadas. Muito pelo contrário. Elas tiveram os seus méritos. Foram eficientes e eficazes. O problema é que não estamos acostumados a ver o Treze com uma equipe tão limitada. Se tiver jeito, é bom que algo de diferente aconteça nessas últimas rodadas. Os olhos de todos estão voltados para o Estádio Presidente Vargas. Como disse numa “pelada” entre amigos, o irmão do ex-jogador conhecido como Nego Cão: “Eu sou ‘rim’, mas sou melhor do que tu”. Que venha o próximo problema. O Trovão pode ser o início da transposição das vitórias racionadas.