O fenômeno Marcelinho Paraíba

Quando Roger Milla fez o gol de honra da seleção de Camarões, na goleada de 6×1 contra a Rússia, em 1994, tornou-se o jogador mais velho a marcar em uma Copa do Mundo. Ele estava no auge dos seus 42 anos. Naquela época, jogar futebol profissional ali na faixa dos 40, era raro. Em alto nível, pouco comum. Quando o atleta passava dos 30, já começava a se preparar para pendurar as chuteiras. Às vezes, nem era porque tinha acabado o gás, o vigor, a força. Tinha e, ainda tem, o quesito preconceito mesmo. O paraibano Leovegildo Lins da Gama, ou simplesmente Júnior Capacete, deixou o Maracanã boquiaberto em 1992,  com um belo gol de falta, que ajudou ao Flamengo ser campeão brasileiro em cima do Botafogo. Foi chamado de vovô garoto, ao vibrar intensamente , pulando e mostrando sua vitalidade.

Quantos bons jogadores não deixaram de ser convocados para a Seleção Brasileira , por causa tão somente da idade? Em 1990, Zico tinha 37 anos. Roberto Dinamite, era um trintão, faltando quatro anos para virar quarentão. A imprensa até cogitou a presença deles na Itália, mas o apelo não teve força e nem surtiu efeito. Em 1998, Mauro Galvão era o melhor zagueiro do Brasil, aos 36 de idade, mas não foi chamado para a Copa da França. Romário também deixou de participar de Olimpíadas e Copas , algumas vezes por lesão e outras por opção do treinador.

Quando uma população , quase toda em uníssono, clama por uma convocação e apenas a comissão técnica não entende assim, algo está equivocado. Deixam de levar o jogador  porque ele é novo demais ou porque ele já está velho. Ricardo Oliveira tem 39 anos. Fred já está com 35. Mas, ambos sabem mandar a bola na rede. Seria vergonha chamá-los para a Copa América, nem que fosse para o banco? Naquela hora em que a derrota se mostra apenas questão de tempo, jogo difícil, sem saída, como foi com a Bélgica, você preferiria eles ou Gabriel Jesus? Olha que o trintão Renato Augusto quase salvou a pátria em 2018. Foi por um triz.

Aí vem Marcelinho Paraíba, com 44 anos, mostrando toda a sua capacidade de exercer liderança e fazer o Treze tornar-se totalmente dependente dele, para obter sua primeira vitória na Série C. Um gol de falta daquele, naquela distância, não é todo dia que a gente vê. Imagino os moleques de 20 anos que jogam contra ele , naquele diálogo que acontece no gramado e ninguém ouve -com exceção de quando o jogo é de portões fechados :”pega, marca esse véi”. Para tentar desestabilizar logo quem? Ali tem experiência nível hard. E quando se trabalha com um treinador inteligente, as chances de dar certo aumentam. Flávio Araújo não é como Vanderlei Luxemburgo, que nos times sempre ataca logo a estrela da equipe , para tentar tomar o seu esplendor.

Deixem os velhinhos brilharem! Se eles continuarem a se cuidar física e mentalmente, aproveitando também os fatores genéticos, o biótipo e a ausência de lesões, cada vez mais teremos de aplaudir os verdadeiros talentos do nosso futebol raiz. Marcelinho se junta aos heróis resistentes , quase incansáveis, que prolongam sua longevidade, mas que infelizmente uma hora terão de se resignar. Enquanto isso, podemos ainda nos deleitar com esse tempo extra, com uma prorrogação com gol de ouro no final. Fico a me perguntar se o povo brasileiro está mais desacreditado com a política ou com a Seleção Canarinha. A conquista da Copa América pode ser um bom início para a retomada do crescimento de popularidade. Quanto ao Treze, começar mal o Brasileiro, pode ter sido bom para que haja o temor da derrota com D de quarta divisão. Enquanto Marcelo Cangula aguentar o tranco, o torcedor do Galo terá um referencial não apenas no meio campo, mas no escudo a bater com o peito na camisa do seu time do coração.

Foto: Ramon Smith\Ascom Treze

O Amigão não tem culpa

Desde os meus tempos de torcedor – aquele que enfrenta sol e chuva, que senta na arquibancada quente, toma chuva na cara, vibra, torce e faz tudo o que tem direito – que eu não passava tantos dias sem ir ao estádio Amigão. De 2009 para cá, como integrante da imprensa esportiva local, seja trabalhando para sites, blog, canal pessoal do YouTube, ou rádios, eu sempre marcava presença. Mas, esse ano, apesar de estar devidamente credenciado, ainda não pisei lá. Em 19 de dezembro do ano passado, no amistoso entre Treze x Campinense – inauguração do gramado, foi a última vez. A mais recente, no caso. Depois dessa, não apareci mais. Pode ser que seja, inconscientemente, aquele desânimo, com uma realidade que mostra que não será muito diferente da vista em anos passados.

O Campinense mesmo, sempre atropelava e geralmente passava da primeira fase na Série D, com autoridade e facilidade. Dessa vez, parece que deu ruim já. Deixar para depender dos outros , nas últimas rodadas? Sem condições. Pelo menos, já tem a Série D, do ano que vem e Copa do Brasil. Pode comemorar, torcida raposeira! Aí tem também o caso do Treze. Que começou dando mostras de que seria um time com possibilidades de brigar pelo G4, da Série C, mas agora amarga a lanterna do seu grupo. Podemos ver, a linha tênue que separa o sucesso do fracasso, no futebol. Se (que não joga) o jogo de estreia tivesse terminado 2×1, contra o Santa no Arruda, a história poderia ser diferente. Aquele escanteio aos 50 e 10 do segundo tempo, mudou o destino do Galo no início do certame.

Depois, veio a reclamação com a arbitragem, que é sempre algo preocupante, pois muda o foco do que está errado. Por isso, cansei de ouvir , que o Alvinegro jogou bem, mas… Merecia vencer, mas… Dominou o adversário, porém… Isso não existe! O placar é lacônico. Simples e objetivo. Quem venceu, de alguma forma fez por merecer. Pode jogar feio, bonito, mas o que importa são os três pontinhos… Claro que a arbitragem toda vida será tema de debates acalorados, mas não é de hoje que isso acontece e, ao que parece, estamos caminhando para cada vez mais termos a diminuição deles. Pelo menos, os mais grosseiros. A questão da interpretação continuará sendo controversa.

No próximo compromisso do Treze, estarei presente. In loco “Abreu”. Desanimar não é a solução. Independente dos resultados, quase sempre adversos, o Amigão teu uma aura singular, que aos domingos 16h, libera energia para renovar as forças de um povo sofrido, que vê nas duas horas de futebol, um momento de extravasar, vibrar, torcer, sorrir, chorar, esculhambar, desestressar. Ganhar ou perder são outros quinhentos. O momento parece ser mais amigo do Treze , nesse instante em particular. Há tempo determinado para tudo debaixo da arquibancada sol. Para quem tem fé a vida nunca tem fim. É só fazer O Rappa nas oportunidades que aparecerem e transformá-las em suas fortalezas.

CAMPINENSE É TIME DE SÉRIE D

Dez anos se passaram desde o sonho da Série B, que posteriormente se tornou em pesadelo e o Campinense segue em um relacionamento sério com a Série D do Campeonato Brasileiro. Ao longo desse período, em pelo menos duas oportunidades, a Raposa esteve muito perto de sair do patamar menos elevado do nosso futebol. Em 2012, diante do Baraúnas-RN e em 2018, quando passou a vez para o Ferroviário-CE. Os adversários, ao que parece, não enxergam mais nenhum peso na camisa do Rubro-Negro e nem os próprios jogadores do time de Campina Grande, conseguem perceber essa superioridade teórica, tão alarmada na Rainha da Borborema. Aliás, não dá para criar muitas expectativas em cima do futebol paraibano.

O que temos para nos dar um suporte histórico? Comecemos pelo Botafogo de João Pessoa. Campeão Brasileiro da Série D 2013 está deitando e rolando no Campeonato Paraibano, ano após ano, mas isso não conta muito para nossa análise mais macro da coisa. Teve uma vitória marcante sobre o Flamengo de Zico, no Maracanã, lá na longínqua década de 1980. Tomou de 10×0 para o São Paulo, pela Copa do Brasil. Isso também não vem muito ao caso. Perdoem-me os botafoguenses, pela lembrança dolorosa. Mas não se trata de clubismo. Apenas uma retrospectiva. Só lembrando que o Belo agora está na final inédita do Nordestão, contra o Fortaleza.

O Campinense é campeão da Copa do Nordeste e também já foi vice da competição. Título bacana, mas que não leva mais a lugar nenhum. Acabaram até com a aventura na Copa Sul-americana. Na época, em 2012 mais um, ainda nem existia esse bônus, que já cessou. O acesso à Segundona em 2008, trouxe a euforia e em seguida a vontade de que o campeonato acabasse logo. Hexa é luxo!  O Treze luta para ser reconhecido como Campeão da Série B de 86, no tempo em que os regulamentos eram insanos e causavam cicatrizes abertas, como o Brasileiro de 1987 e tantos outros títulos de tapetão. Teve também o honroso quinto lugar na Copa do Brasil de 2005 e a subida para a Série C em 2018. Único campeão estadual invicto em 66. Sem esquecer das bicadas aleatórias,  contra adversários de renome nacional como o Tricolor Paulista, por exemplo e a queda para a segunda divisão do Paraibano – fato que quase se repetia em 2019.

Percebe que não temos muitos motivos para levar o nosso futebol tão a sério? Não somente em nível local, mas o esporte , de uma forma geral, deveria ser encarado apenas como um entretenimento pelos espectadores. Quanto mais depositarmos a vida e , lastrearmos nossa felicidade na incerteza de um resultado que pode vir ou não, colocaremos em jogo nossa saúde mental e física. Precisamos estar, na verdade, preparados para os reveses da vida. A derrota eu já tenho, o que vier é lucro. Por isso que tanta gente passa maus bocados assistindo aos jogos da Copa do Mundo. A Seleção Brasileira , com sua insuportável obrigação de ganhar sempre, envolve muitos interesses. O pior é que inventaram uma máxima de que sendo campeão mundial, ameniza a dor de um povo sofrido e desempregado.  Herança do governo militar e de suas propagandas, na conquista de 1970.

É melhor já ir se acostumando com a possibilidade da mesmice permanente. E ainda tem gente que hipocritamente critica quem torce por times do Sudeste. A velha mania de querer controlar o pensamento alheio. Quem quiser ser torcedor de time de futebol, precisa ter controle emocional, acima de tudo. Sem fanatismos! Se for na Paraíba, melhor não criar expectativas. Vamos levando na boa, sem muitas pretensões. Um dia, passa outra estrela cadente, de dez em dez anos e poderemos viver novamente e momentaneamente um conto de fadas ou de bruxas. Sempre na manha do gato. Enquanto isso continuamos com torcida de Série A e times de Série C e D. E não se trata de choradeira, após um final de semana ruim. Será?

Opinião: O paraíso de Marcos Aurélio

“É importante, para qualquer elenco do Brasil, ter um jogador como Marcos Aurélio”, disse o técnico do Botafogo, Evaristo Piza, após mais uma vitória sobre o Campinense, em 2019, desta feita na primeira final do campeonato estadual. O jogador, elogiado pelo seu comandante, tem 35 anos e já teve passagens por Corinthians, Atlético Paranaense, Santos, Coritiba, Internacional, atuou no Japão e outros tantos times em sua trajetória. Mas é na Paraíba, que o experiente jogador ganhou status de super craque. Não há como negar que ele é diferenciado, tem recursos técnicos indispensáveis para que a jogada sempre possa prosseguir, é um exímio cobrador de faltas e é aquele referencial no meio campo, pelo qual a bola precisa sempre passar, para receber o toque refinado de qualidade.
Aqui ele encontrou o seu porto seguro para encerrar suas atividades dentro de campo. Assim como fez o também consagrado e renomado Warley, que até virou W9. Na reta final da carreira, conseguiu a façanha de ser campeão por Treze, Campinense e Botafogo, já beirando os 40 anos. O que isso mostra? Não que eles não sejam talentosos e merecedores de conquistar o que vem ganhando, mas essa é a prova do baixíssimo nível técnico do nosso futebol. Recentemente Douglas, ex-Grêmio, Corinthians e Vasco, afirmou que não iria parar de jogar ainda, porque tem muito jogador ruim atuando. E são muitos os exemplos, como: Léo Moura, Ricardo Oliveira, Fred, Zé Ricardo – que parou há pouco tempo, mas jogava em alto nível até os 42. O Vasco desaposentou Maxi Lopes, que ajudou a evitar mais um vexame de um novo rebaixamento em 2018. O Flamengo, já tem Diego Ribas de 34 anos, e está de olho em Ramires, ex-Chelsea de 32 , que também já passou pela Seleção Brasileira.
Agora fica a dúvida; Será que os jogadores estão se cuidando mais, aproveitando a evolução das tecnologias e medicina do esporte e, com isso prolongando sua vida útil, ou essa geração do futebol brasileiro não dá nem um caldo para as que passaram? Um pouco das duas coisas eu diria, mas estamos já chegando perto do jejum de copas, como foram os 24 anos, quebrados pela seleção raiz de 1994. Talvez os fiascos nas últimas edições de mundiais sejam uma boa resposta para essa questão. Toda seleção agora joga de igual para igual com a gente. Cadê os craques que resolvem a parada, naquela hora difícil? Precisamos de mais Marcos Aurélios, com as devidas atualizações e ressalvando as necessárias proporções, inclusive no time de Tite.
Com essa problemática da Reforma da Previdência, é justo e bastante pertinente, que também os bons jogadores , que sabem administrar suas carreiras, demorem mais a bater na porta do INSS. Talento e qualidade, sempre prevalecem, em qualquer situação.O menino Marcos do Botafogo, até já rejeitou proposta para voltar a atuar em Pernambuco. Você acha que o camarada vai deixar o paraíso, com belas praias, salário pago em dia, pegando garapa no estadual, tendo só um pouco mais de vida dura nos outros campeonatos? Lembrando que a Série C é a terceira força do futebol nacional, que já tem uma elite muito fragilizada. Se eu fosse ele, jogava até os 45 e depois ainda virava gerente de futebol. É preciso saber se fazer e ter habilidade dentro e fora de campo. Isso ele tem de sobra. É melhor não ir de vez no baixinho, para não tomar sopa de garfo.

Justiça com os próprios pés

Existe injustiça no futebol? Não me refiro a erros de arbitragem ou fatores extracampo. Mas, quando um time que – aos olhos dos que se julgam entendedores – merecia vencer ou ser campeão, simplesmente fica pelo caminho e não alcança o objetivo traçado, o que teria ocasionado o insucesso? Depende do ponto de vista. O goleiro caiu para um lado só, na hora dos pênaltis? O lateral colocou para escanteio e deu origem ao lance do gol sofrido, como Júnior Capacete em 1982? Se Dunga tivesse derrubado Maradona na Copa de 1990, Caniggia não teria eliminado o Brasil. Se Roberto Carlos deixasse para arrumar o meião depois da falta, Henry não faria aquele golaço. Se a bola não tivesse ido na trave da Bélgica e a de Renato Augusto fosse centímetros mais para a esquerda? Se o torcedor ficar mastigando isso no juízo, entra em depressão. Vai ter que chamar o VAR, para se livrar.
O árbitro de vídeo no Brasil parece que não vai acabar com as , cada vez mais, fervorosas reclamações. Existem os programas esportivos de TV que vivem só de reprisar lances em câmera lenta para que os comentaristas possam esbravejar e fingir que estão se desentendendo, para tentar aumentar a audiência. Tem até os ex-jogadores que defendem as cores dos seus times. Tudo isso, ao longo do tempo, serviu para acirrar ainda mais os ânimos e a não aceitação da derrota. Enquanto tiver e, sempre vai ter, a questão subjetiva da interpretação do lance, o fator humano continuará a decidir e não dá nunca para saber o que se passa no cerebelo alheio. A corrupção é companheira do gênero humano desde sempre. E nem sempre se erra por que quer, tem o fator humano também que precisa ser levado em consideração. Cabe a cada um responder pelos seus procedimentos e ser julgado por outros homens, suscetíveis aos mesmos sentimentos e influências.
Não sei o tal do VAR um dia chegará à Paraíba. Mas, esse ano foi perceptível a evolução da arbitragem, que contou com reforços de outros estados, como Sergipe e São Paulo. O receio era grande, antes de o campeonato começar, em virtude do passado recente e tenebroso, com a manipulação de resultados sendo possivelmente responsável por inúmeros títulos , que a história não vai mais apagar e nem corrigir. Assim como em muitos livros, fatos históricos talvez sejam relatados de forma distorcida, em que não se há certeza de sua veracidade, da mesma forma, muitos campeonatos podem ter sido decididos de maneira escusa. Não só na Paraíba. Se for puxar, chega até em Copa do Mundo. Pelo menos em 2019, ninguém está botando a boca no trompete, como Felipão do Palmeiras,no Paulistão.
Podemos concluir que a eliminação do Atlético de Cajazeiras, para o Campinense, foi uma daquelas “injustiças” do futebol. Ou talvez não. Na seleção natural do esporte, os melhores avançam. Podemos identificar fatores que ocasionaram as falhas e desencadearam no insucesso do time sertanejo. Da mesma forma que , o Rubro-Negro foi um exemplo grandioso de superação. Venceu os desfalques, a falta de dinheiro e turbulências internas. Perdeu até o favoritismo antes do jogo. Se desse a lógica, a Raposa daria adeus ao certame. Só que essa palavra proparoxítona nem sempre aparece nos gramados. “É glorioso e é de decisão”. Essa mística cai muito bem no time de Campina Grande. Vingou a ousadia dos sertanejos, que fizeram o que quiseram com o rival Treze em dois confrontos. Agora é só tentar mudar a lógica de novo. Porque nunca um campeonato, antes mesmo de acabar, deu tantos sinais de que a taça já tem dono,como o de 2019. Justiça seja feita.

Fórmulas do Cariocano

Primeiro que ninguém tem certeza se o nome é fórmula, formato ou forma de disputa. Já começa errado daí. Depois , o que bate mesmo é aquela saudade do tempo em que não havia preocupação em complicar o simples. Dois turnos, vencedores distintos em cada um deles , fariam a final e quem faturasse os dois seria campeão direto.

Se existissem datas disponíveis, teríamos semifinais e finais em cada turno. Jogos decisivos , estádios cheios , todo mundo feliz. Também existe a possibilidade dos pontos corridos , que traz consigo aquele senso de justiça , dando a impressão de que o melhor foi o ganhador e merecido. Existia antigamente um tal de campeão moral. Aquele que não havia erguido o troféu , mas tinha apresentado um futebol mais agradável aos olhos , como o Brasil na Copa do Mundo de 1982.

Mirando como exemplo os estaduais da Paraiba e do Rio de Janeiro,  percebo o quanto existem pessoas criativas no futebol. No Paraibano, não há aquela história de todos se enfrentam. Treze X Botafogo mesmo, não jogarão. Somente na Série C. Confrontos dentro do próprio grupo em turno e returno e para acabar de lascar , até as semifinais são entre times da mesma chave.

Se pelo menos o segundo turno fosse programado com partidas entre os times dos dois grupos, todos jogariam entre si. Semifinal com primeiro de A versus segundo de B e vice-versa, com o time de melhor campanha tendo vantagem de dois resultados iguais , exceto duas derrotas,  claro. Seria mais sensato.

No Carioca,  o Vasco pode ganhar a Taça Guanabara,  a Taça Rio e não ser campeão. Ali é “coi de louco”. Esvazia estádios em clássicos , provoca uma enxurrada de jogos com times mistos e isso vai assassinando de vez os estaduais ,a essência do nosso futebol, a mais autêntica manifestação espontânea do nosso povo , que agora sequer tem acesso às arenas.

Vamos voltar a fazer o fácil. O velho feijão com arroz de leite. Toca e sai para receber. E isso serve também para o futebol brasileiro de uma forma geral. Precisamos valorizar o “dibre” e deixar que os jogadores resolvam dentro de campo. O Botafogo, nessa fase final do nosso estadual se assemelha ao Flamengo. Maior poder aquisitivo,  estrelas e favoritismo. O Campinense seria o Vasco, carregando sempre o peso de um possível vice. O Atlético poderia lembrar o Fluminense,  enquanto que o Nacional de Patos representa o Bangu. Agora é só esperar para var. Digo, esperar para ver.

ARRUMADINHO NO CLÁSSICO DOS MAIORAIS?

Em cima do pé de goiaba, eu procurava um galho mais confortável e firme que pudesse me oferecer o mínimo de conforto e segurança. Rádio numa mão e a fruta na outra. De muito longe eu conseguia avistar o estádio. Uma parte da arquibancada geral e as torres de iluminação. O vento trazia o barulho dos fogos, com um pequeno delay. Assim eu estava pronto para mais um Treze e Campinense.  A narração de Joselito Lucena, aquela entonação típica e particular dos repórteres, as vinhetas, o barulho da torcida, me teletransportavam para o Amigão.

Anos depois, já devidamente sentado nos batentes da arquibancada sombra,  naquela parte em que a marquise não protege do sol das 16h,  assisti a um clássico dos maiorais. O primeiro em que eu fui sozinho. Lembro que foi no final dos anos 1990. O Campinense montou um time de garotos. A maioria da base. Magros, pernas finas e material esportivo muito do “péba”. O Treze, não. Ali era o Galo mesmo. Jogadores rodados entraram numa cancha daquelas, uma confiança vista somente no olhar de um gigante jebuseu.

Estava muito claro de que uma goleada era o mínimo que poderia acontecer. Mas, heroicamente os meninos do Raposinha conseguiram um empate em 0x0. Saíram aplaudidos de pé por sua torcida. Em jogos assim, tudo pode acontecer e normalmente, quando dá, o time que é tecnicamente inferior consegue igualar as ações, excepcionalmente em momentos como este. Desde que eu acompanho os confrontos das duas equipes,  raríssimas vezes goleadas aconteceram. O negócio é nivelado. Por cima ou por baixo, mas é.

Vale a pena também ressaltar que, diferente de outras rivalidades espalhadas pelo Brasil, entre os dirigentes de Galo e Raposa não há muita gentileza nos bastidores. Em 2002, o Campinense tomou um Wx0 num jogo em Cajazeiras que poderia ajudar o Treze, em caso de derrota do Atlético. Em 2018, suspeitaram da derrota do Rubro-Negro para o Serrano. Em 2012, muitos torcedores do Treze reclamaram de um suposto “corpo mole” que teria sido feito no jogo contra o Sousa para prejudicar o Alvinegro.

Se o Campinense vencesse aquela partida seria campeão direto e o rival ficaria com o vice-campeonato. O Sousa ganhou, venceu o segundo turno e na sequência perdeu a final para o time de Campina Grande. Eu estava lá e presenciei o estádio lotado vaiando o seu time, que tocava a bola de um lado para o outro. Teoria da Conspiração? Depois disso, movido por um atrevimento jamais visto no futebol brasileiro, o Galo, até então sem competição para jogar, peitou a CBF, a FIFA e arrancou da justiça comum uma vaga na Série C do Brasileiro.

Mesma Terceira Divisão que espera o Treze no segundo semestre de 2019. Só que uma catástrofe poderá acontecer antes disso. O rebaixamento para a Série B do Paraibano. No futebol é sabido que deixar para a última hora e ainda contar com o resultado alheio não é muito confiável. O Campinense já está classificado com uma tranquila antecedência e o técnico Francisco Diá já disse que não há vantagem ou diferença entre decidir em casa ou fora de seus domínios. Será que vai rolar um time misto?

Talvez valha muito, para alguns, rebaixar o arquirrival. Entraria para a história. Acho que teria até volta olímpica. É verdade que o Treze está caindo pelas tabelas nesse estadual, mas aquele amistoso preparatório da inauguração do gramado pode servir de inspiração para uma possível escapada. Quem sabe, no último momento o “grand finale”, em ritmo de forró, que nortearia um novo momento, já com a proximidade do São João. Está meio longe, mas o povo aqui só fala nisso.

Na Rainha da Borborema, se deseja feliz ano novo depois dos 30 dias de festejos juninos. Os mesmos fogos de artifício ouvidos nos anos 90, na goiabeira, serão motivo de comemoração ou de tristeza, na noite que ficará para sempre lembrada como a quarta-feira em que o Treze foi rebaixado pelo rival, se salvou ao triunfar sobre o inimigo, ou contou mais uma vez com a sorte. O Galo de hoje lembra muito o Campinense que conseguiu arrancar um empate, naquele distante domingo do século passado. É só aproveitar o tempo que resta para deixar tudo arrumado. Estaremos lá. Mais próximo do que nas outras ocasiões.

Quem foi melhor?

Virou moda agora os debates esportivos das televisões, sites e redes sociais, realizarem enquetes sobre quem foi o melhor. Aí a gente percebe o que a falta de pauta pode provocar nos seres humanos. Zico ou Roberto Dinamite?  Ronaldo Fenômeno ou Ronaldinho Gaúcho?  Messi ou Cristiano Ronaldo? Obina ou Eto’o? Romário ou Neymar? Pelé ou… Aí já complica! Muitos acham que não há quem possa ser comparado ao menino Edson Arantes,  enquanto outros já nem sabem que ele existiu e, ainda existe, ou simplesmente conseguem ignorá-lo.
Como mensurar quem foi melhor? Se for através dos números e estatísticas, podemos nos prender à quantidade de gols marcados, títulos conquistados em clubes, ou pela seleção, premiações individuais, capacidade de ser um “super-homem” nos momentos difíceis e protagonista nas decisões. Quem conseguiu permanecer no auge por mais tempo, não sofrer com muitas contusões e manter uma regularidade até o fim da carreira? Tudo fica a cargo da subjetividade, como no caso da beleza que está nos olhos de quem vê. 
Essas comparações se tornam cada vez mais difíceis e nunca chegam a um denominador comum, quando avaliam jogadores que atuaram em épocas muito diferentes e distantes. São inúmeras as variáveis a serem consideradas. Condições do gramado, bola, material esportivo, estádios, precariedade, amadorismo, preparação física, tática, psicologia, medicina esportiva, salários recebidos… Muito mudou do tempo em que o esporte bretão era algo mais romântico,  até chegar no “canibalismo” do marketing bilionário, em que os campos viraram arena, os ingressos são caríssimos e não há mais, dentro do campo, muito espaço para se pensar antes que chegue um Sérgio Ramos da vida e te imobilize com um golpe de judô.
Cada geração tem suas lendas: Cruyff, Di Stéfano, Puskas, Garrincha, Eusébio, Leônidas, Pelé, Maradona, Bobby Charlton, Beckenbauer, Platini, Cristiano Ronaldo e Messi. Há também as quase lendas como: Didi, Evaristo de Macedo, Jairzinho, Zico, Romário, Rivaldo, Kaká, Ibrahimovic, Zidane, Pirlo, Matthäus, Paolo Rossi e tantos outros, que vão fazer com que eu mereça receber xingamentos mentais pelo esquecimento de quem merecia estar na lista. Citei apenas alguns, que foram puxados pela lembrança. Seria preciso uma postagem só para tentar fazer justiça. Mas mesmo assim, faltariam muitos “animais”, como diria o narrador Osmar Santos. 
Será que Pelé permanecerá para sempre como o maior de todos os tempos e inalcançável?  O principal argumento do Rei, além de todas as “barbaridades” que ele fez com os adversários, se refere aos títulos de Copa do Mundo, que dependeram obviamente da coletividade, mas também de sua genialidade. Apesar de que Romário, por exemplo, foi mais protagonista em 1994 e o próprio Ronaldo em 2002, do que Edson Arantes em 1970. Mas também era garapa. O time era recheado de craques. 
Aterrissando nos nossos dias, o que Messi e CR7 vêm fazendo,  mostra um novo momento no futebol. Como chegar ao ápice e se manter lá por vários anos? Como fazer a diferença, ser o referencial no meio de tantos trogloditas obedientes à tática e fãs do contato físico? O futebol moderno, apesar de tudo, não é só um jogo de xadrez com peças de movimentos previsíveis. Seria bom criarmos uma lei avulsa para classificar os melhores apenas por época. Vamos combinar outra coisa também: deixem “Bilé” de fora desse joguete. Ele é um caso à parte. Mas, é inegável que o E.T e o Robozão estão assustando até os mais conservadores saudosistas. A retórica do vinho para eles continua servindo. Os trintões estão se aproximando da área e vão fazer mais gols, com menos desgaste. Receita da Vila da Penha, made in Brazil. O futebol sempre desemboca no nosso país, apesar de tudo.