Você se lembra de Agnaldo?

Nascido na cidade de Campina Grande, precisamente no dia três de março de 1969, o atacante Agnaldo de Oliveira iniciou a sua vitoriosa carreira nas categorias de base do Campinense Clube. Mas foi em 1990, aos vinte anos de idade – já no Botafogo da capital – clube onde ele assinou o seu primeiro contrato como jogador profissional.

Com um excelente porte físico, visão de jogo e facilidade para marcar gols, Agnaldo foi o artilheiro do campeonato paraibano de 1992, marcando 35 vezes, sendo naquele ano o artilheiro do Brasil. Também naquela temporada, ele teve um de seus gols escolhido como o gol do Fantástico, da Rede Globo, quando ele driblou meio time do Campinense Clube, inclusive o goleiro, e finalizou para as redes, levando a torcida ao delírio. Ele é um dos ídolos da torcida botafoguense, pois honrou e suou muito a camisa do clube, marcando 101 gols com a estrela vermelha em seu peito esquerdo.
Como não poderia deixar de ser, o versátil e dinâmico futebol de Agnaldo foi estufar as redes de estádios por esse país continental, pois ele jogou no Clube Náutico Capibaribe, do Recife, Sampaio Correia, do Maranhão, no América de Natal, na Caldense de Minas Gerais, no Rio Branco, do Acre, Asa de Arapiraca, Central de Caruarú, Paraguaçuense de São Paulo e outras equipes.
Na Paraíba, ele também vestiu o uniforme do Campinense Clube, do Santa Cruz e do Auto Esporte. Sua carreira foi coroada com duas passagens em equipes estrangeiras, com a camisa do Toledo, da Espanha, e com a camisa do Beveren da Bélgica.
Aos trinta e três anos, integrando a equipe alvirrubra do Auto Esporte, Agnaldo de Oliveira, o “artilheiro de Deus”, como foi apelidado pelo radialista Lulinha Rodrigues, encerrou a sua carreira dentro dos gramados, deixando saudade aos amantes do futebol.
Hoje, ele repassa todo esse conhecimento adquirido em vários times e cidades do mundo, aos iniciantes do futebol. Desde que pendurou as famosas chuteiras o nosso homenageado passou a trabalhar com escolinhas e categorias de base. Muitas promessas já passaram por suas mãos e orientações.
Uma característica marcante em nosso artilheiro é a forma de se comunicar e fazer amizades; todos os envolvidos em nosso futebol gostam e nutrem uma boa amizade por ele. Aliás, ele sempre recorda e agradece o apoio e incentivo do zagueiro e xerife “Deca”, de Ailton Brabo e do dirigente Carlos Rangel. Essas pessoas foram importantes no início de sua carreira. E por falar em amizade e carinho pelos amigos, Agnaldo recorda com saudade o convívio que ele teve com o seu melhor amigo no esporte, o ex- jogador e já falecido Roberto Oliveira.
Para nós, torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza que o centroavante Agnaldo Oliveira escreveu o seu nome com tintas perpétuas e douradas na brilhante história do futebol paraibano.

Você se lembra do goleiro Pereira?

No dia treze de fevereiro de mil novecentos e cinquenta e um, na próspera e aconchegante cidade de Patos, sertão da Paraíba e celeiro de grandes jogadores que desfilaram nos gramados deste imenso país de Mãe Preta e Pai João, nasceu José Pereira do Nascimento, o popular goleiro “Pereira”.

Quando ele iniciou nas categorias inferiores do Nacional Atlético Clube, no final da década de sessenta, Pereira demonstrou que tinha condições de ser goleiro profissional nos melhores times do norte e nordeste brasileiro.

Por ser um dos destaques da próspera e excelente geração de atletas surgidos na década de setenta, na cidade Morada do Sol, que produziu jogadores do nível de Messias, Teomar, Didi, Bastinho, Pistola, Côco, Totinha, Pedrinho, Tico e João Grilo, Pereira chamou a atenção dos clubes grandes e foi negociado com o alvinegro da Serra da Borborema, passando a vestir a camisa do forte esquadrão do Treze Futebol Clube.
Em Campina Grande, Pereira foi um dos destaques da equipe trezeana na conquista de dois vice campeonatos estaduais, quando decidiram contra a poderosa e embalada equipe do Campinense Clube.

No Galo da Borborema, Pereira jogou ao lado de Miro, Heliomar, Carioca, Assis Paraíba, Sandoval, Fernando Canguru, Adelino, Son, Antonino, Gil Silva e tantos outros abnegados jogadores que honraram aquela histórica camisa.

Aliás, o primeiro gol marcado no estádio Governador Ernani Sátiro, “O Amigão”, de autoria do centroavante Pedrinho Cangula, pai do internacional Marcelinho Paraíba, foi sofrido pelo nosso homenageado Pereira, no início do ano de mil novecentos e setenta e cinco.

Pereira também jogou no Esporte Clube de Patos, no Centro Sportivo Alagoano – CSA e no  Sport Clube do Recife.  Em 1986 ele encerrou a sua carreira de goleiro defendendo as cores do Nacional Atlético Clube, time que o projetou para o futebol.

Extra campo Pereira exerceu a profissão de professor de Educação Física, em escolas da cidade de Patos. Casado e pai de dois filhos, Luana e Lasmark, Pereira teve o orgulho e a satisfação de ver o seu filho, Lasmark, jogando de atacante com a camisa alviverde do canário do sertão.

Pereira residia em Patos e vinha lutando contra um câncer. Recentemente foi internado no Complexo Hospitalar Patoense e, infelizmente, no dia treze de fevereiro ele foi a óbito, notícia que entristeceu familiares, amigos, alunos e admiradores.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que o cidadão José Pereira do Nascimento, o popular goleiro “Pereira”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.
*No dia 29 de maio do corrente ano, será realizado o III Encontro de Desportistas Paraibanos.

Você se lembra de Rinaldo Amorim?

Na pequena cidade pernambucana de Jurema, precisamente no dia dezenove de fevereiro de mil novecentos e quarenta e um nasceu Rinaldo Luiz Amorim, o popular Rinaldo. Três anos depois, os seus pais se mudaram para a cidade de Carpina-PE.

Foi na cidade de Carpina-PE que Rinaldo começou a ter contato e intimidade com a bola, chegando a jogar com a camisa do Santa Cruz local, nos anos de 1957, 1958 e 1959, período em que foi observado por vários clubes profissionais da região. Em 1960, Rinaldo passou a jogar pelo Esporte Clube Maravilhas, forte equipe da então Usina Nossa Senhora das Maravilhas, com sede em Goiana-PE, cidade que faz divisa com o Estado da Paraíba; proximidade essa que despertou interesse da equipe do Auto Esporte Clube, que o contratou para a temporada de 1960. Foi no clube do povo que Rinaldo assinou o seu primeiro contrato profissional, tendo estreado com a camisa alvirrubra no dia 14\08\1960.

O futebol do ponteiro esquerdo foi uma das sensações daquele ano, o que o fez se transferir para o Treze Futebol Clube, que o contratou e o estreou  em julho de 1961. Na equipe da Serra da Borborema, Rinaldo foi vice-campeão paraibano de 1961, disputou o torneio Pernambuco\Paraíba de 1962 e participou de uma excursão que durou os meses de abril e maio de 1962, nos estados do Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará e no então Território do Amapá, onde venceram catorze partidas, perderam sete e empataram uma. O forte ataque possuía os craques Rui, Lelé, Delgado, Rinaldo e Ruivo.

Ainda no ano de 1962 o nosso homenageado foi contratado pelo Clube Náutico Capibaribe e   ajudou aquela agremiação ao luxo de conquistar o hexa-campeonato, que teve início em 1963 com Rinaldo sendo campeão pela primeira vez e ao mesmo tempo sendo artilheiro da competição com a marca de dezoito gols. A famosa linha de frente do alvirrubro era composta por Nado, China, Bita, Ivan e Rinaldo.

Em onze de abril de 1964, Rinaldo Amorim estreou com a camisa de número onze da Sociedade Esportiva Palmeiras onde conquistou vários títulos ao lado de Valdir, Djalma Santos, Servilho, Dudu e Ademir da Guia. Quando jogava no time de Parque Antarctica, o nosso craque foi convocado para integrar a seleção paulista de futebol.

Em 30 de abril de 1965, no maior estádio do mundo, Rinaldo estreou com a camisa da seleção brasileira ao lado de Pelé, Garrincha, Manga, Flávio Minuano e outras feras. O Brasil enfrentou e ganhou por cinco tentos a um a seleção da Inglaterra com dois gols marcados pelo estreante. Posteriormente foram vários jogos no país e no exterior com a camisa da então CBD.

Lamentavelmente, depois de várias convocações para a seleção brasileira nos anos de 64, 65 e 66, na véspera de viajar para a copa da Inglaterra, ele foi dispensado sem uma explicação plausível, gerando uma decepção que quase encerrou a sua carreira.

Em meados de 1967 o craque foi transferido para o Fluminense Futebol Clube, time no qual passou a ser destaque nas Laranjeiras, ao lado de Denilson, Suingue e Bauer.

A partir do ano de 1969 ele passou a brilhar nas grandes equipes formadas pelo Coritiba Foot Ball Clube ao lado de Oberdan, Pescuma, Hermes e tantos outros excelentes jogadores que ajudaram o alviverde a conquistar vários troféus.

Em 1973 ele deixou o Coritiba e passou a jogar em times do interior de São Paulo, como o Marília Atlético Clube, Garça Futebol Clube, Bandeirante Esporte Club e União Agrícola Barbarense Futebol Clube.

Rinaldo viajou o mundo com as camisas do Palmeiras, Coritiba e do Brasil. Foi treinado por grandes e vitoriosos técnicos como Vicente Feola, Mário Travaglini e Telê Santana. Fez tabelas com Dudu e Ademir da Guia, na época da primeira Academia de Futebol do Palmeiras. Esteve lado a lado de monstros dos gramados como Djalma Santos, Garrincha, Pelé, Carlos Alberto Torres e Tostão na época da seleção canarinho.

Em 1965 ele foi o primeiro jogador da seleção brasileira a marcar um gol no então Estádio Mineirão, o que lhe rendeu uma placa comemorativa.
Hoje, o aposentado Rinaldo Luiz Amorim reside com a família na cidade de Carpina-PE, onde é por todos reverenciado como “o campeão”.

Para nós torcedores, desportistas e cronistas ficou a certeza de que Rinaldo Luiz Amorim, o popular ponteiro esquerdo “Rinaldo” escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol brasileiro.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DO JOIO E DO TRIGO

O cambaleante futebol paraibano precisa urgentemente ser passado a limpo das denúncias que caminham lado a lado, ombro a ombro, passo a passo, ano após ano maculando a sua imagem e servindo de chacota para a imprensa do país. Estamos desacreditados, manchados, olhados com desconfiança e desdém. De quem é a culpa disso tudo? Não sabemos ou não queremos saber?

Nem encerramos a fase processual da Operação Cartola, que na parte de investigação flagrou inúmeros partícipes do nosso futebol em tenebrosas e obscuras transações, culminando inclusive com uma reportagem a nível nacional no programa Fantástico, da rede globo de televisão, veio o segundo grande escândalo com o bem bolado programa governamental Gol de Placa, transformado em gol contra, em virtude de fraudes cometidas por nossos “abnegados dirigentes”.

E pelo meio do caminho ainda há, não uma pedra, como disse o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, mas uma eleição com denúncias de cooptação fraudulenta de votos na FPF, antiga e bondosa genitora que há décadas foi transformada em uma madrasta má e cruel com os seus enteados filiados.

Agora, pasmem, ao iniciarmos o nosso desmotivado campeonato estadual, que por sinal teve a primeira rodada adiada por incompetência generalizada dos vários órgãos responsáveis pelos laudos necessários e legais, aparece a denúncia da existência de uma máfia que estaria controlando resultados de determinados jogos, com a intenção de beneficiar uma suposta loteria de apostas.

Quem primeiro abriu o verbo foi o presidente do Sousa Esporte Clube, Senhor Aldeone Abrantes, militante do nosso futebol desde o século passado, ou seja, conhecedor das entranhas, das manhas, dos subterfúgios e dos porões do nosso moribundo futebol.

Parodiando o cancioneiro popular eu digo que entra ano, sai ano, e nada vem, o nosso futebol continua sempre ao deus-dará. Então eu pergunto aos homens de bem do nosso futebol, que por sinal ainda são muitos, e competentes, se não chegou a hora dos senhores separarem o joio do trigo? Cobrarem as responsabilidades dos malfeitores? Afastarem a bandidagem que insiste em andar próximo com os senhores? Expurgarem de uma vez por todas esses nocivos elementos travestidos de desportistas e que indiretamente sujam também o nome dos senhores?

Há um ditado popular que diz que todos são farinha do mesmo saco.  Normalmente, essa expressão é utilizada em sentido de reprovação, para rotular indivíduos de caráter duvidoso. Desta forma, ao falar “farinha do mesmo saco” a intenção é insinuar que pessoas de má índole costumam estar sempre juntas de seus semelhantes.

Tenho plena certeza que esse ditado popular não combina com a formação e a índole dos senhores, muitos dos quais inclusive tenho o privilégio de desfrutar da verdadeira e profícua amizade.

Então, acho que chegou a hora de todos os verdadeiros e honestos desportistas do estado que presidem clubes, FPF, tribunal desportivo, associação de árbitros e associação de cronistas, subscreverem um documento e oficiarem ao Ministério Público e a Polícia Federal, solicitando com urgência uma varredura no nosso futebol, antes que ele se acabe.

Já é hora de separarmos o joio, queimá-lo, para posteriormente colhermos o trigo em abundância!

SAUDADES II

Todos nós sabemos que a vida é uma dinâmica e que os seus partícipes vivem constantemente evoluindo e fazendo uso das novas tecnologias que transformam os costumes, a forma de viver e de agir. Todavia, costumes e modas do passado sempre nos deixaram um certo saudosismo e no futebol isso também se acentua, principalmente naquelas pessoas que ultrapassaram os sessenta anos de idade.

Eu particularmente recordo com um forte saudosismo os uniformes grossos, com gola e sem propaganda comercial que os nossos times utilizavam no passado. Havia uma beleza inigualável em sua textura, cor e desenho naqueles calções, camisas e meiões.

Os placares, que não eram eletrônicos, possuíam o nome fixo do clube da casa, um X e a expressão visitante, sendo manuseados por um funcionário do estádio, muitas das vezes se utilizando de uma escada. No antigo estádio José Américo de Almeida, o campo do Boi Só, constava permanentemente no placar as palavras Botafogo X Visitante, localizado embaixo das cabines de imprensa.

Outra coisa que recordo muito era a abertura dos portões do campo quando faltavam vinte minutos para encerrar o jogo, proporcionando uma rápida e grande alegria para aqueles torcedores desprovidos do dinheiro para comprar ingresso. Eles entravam correndo e se agarravam nos alambrados do campo, aplaudindo os seus ídolos naqueles últimos minutos que pra eles eram eternizados.

As partidas preliminares, ou esfria sol, eram disputadas por nossas agremiações amadoras nos mostrando os novos talentos que estavam em busca de um espaço em um clube profissional. Ao final da partida, os jogadores juvenis passavam na arquibancada com a bandeira do clube estendida para os torcedores ali depositarem algum trocado que seria utilizado no transporte deles.

Naquela saudosa época, os jogadores demoravam um bom período vestindo a mesma camisa de um clube, o que servia para ocorrer uma maior identificação dele com a torcida, com a cidade,  e com a sociedade de um modo geral. Era muito gratificante passear na tradicional Festa das Neves e encontrar os nossos ídolos ali se divertindo um pouco.

Jogadores como Leonardo, Chico Ramalho, Hélio, Chico Alicate e Dé, os três primeiros do Santos de Tereré, os dois últimos do Auto Esporte, semanalmente eram vistos batendo peladas na beira-mar da linda praia de Tambaú. Aliás, os nossos clubes faziam atividades físicas nas douradas areias da praia do Cabo Branco, local onde o nosso poeta José Américo de Almeida fazia moradia.

A gente ficava a tarde toda no campo comendo amendoim, chupando laranja, vaiando o adversário e aplaudindo o nosso time de coração. As figuras folclóricas estavam sempre presentes e alegrando os torcedores. Tinha um funcionário do Botafogo, salvo engano de nome Ademir Guerra, que mesmo com um defeito físico realizava uma volta olímpica correndo com a bandeira do belo estendida. Seu Pedro assistia ao jogo em pé, andando, ao lado do alambrado, portando um enorme rádio ao ouvido e gritando desesperadamente. Dona Dionísia comparecia com os sapatos, roupas, óculos, unhas, bolsa e pulseiras impecavelmente nas cores preta e branca.

Assim eram as nossas belas tardes de domingo, sentados nas arquibancadas do Estádio Leonardo Vinagre da Silveira, a popular “Graça”, ou no Estádio José Américo de Almeida, o popular “Olímpico do Boi Só”, com o rádio de pilha sintonizado na potente Rádio Tabajara e assistindo o disputadíssimo e histórico futebol paraibano.

Torcida paraibana, eu era feliz e não sabia.

  • Já começamos a planejar o 3º Encontro de Desportistas Paraibanos, que será realizado na última sexta-feira do mês de maio.