Setenta e uma primaveras

“O mundo tinha o Santos de Pelé, João Pessoa desfrutava do Santos de Tereré.”

O mundo possuía o Santos de Pelé e companhia, um time que ganhava todos os campeonatos que disputava, aqui e em alhures; João Pessoa desfrutava do Santos de Tereré, um time que não ganhava campeonatos mas jogava com bastante raça e formava e ainda forma jovens para a vida.

Três desportistas sonhadores, Jonatas Figueiredo de Souza, Renato Queiroz Fernandes e José Walter Marinho Marsicano, no dia nove de setembro de 1949, sentados em uma Praça localizada na Rua Odon Bezerra, Tambiá, em frente ao atual prédio da Federação Paraibana de Futebol fundaram o Santos Futebol Clube de João Pessoa. Não resta dúvida que a escolha do nome foi uma singela homenagem ao time paulista.

Por muitos anos o Santos Futebol Clube disputou a primeira divisão do campeonato paraibano de futebol com equipes modestas, utilizando jogadores jovens e prata da casa. Era um misto de juvenil com amador com garra e vontade competindo com os profissionais. Onde faltava recursos e meios, sobrava improvisação e disposição.

O seu eterno presidente José Walter Marsicano, que era conhecido por Tereré, dedicou-se tanto ao clube que o seu apelido foi incorporado pelo time, quando passou a ser carinhosamente denominado pelo torcedor e pela imprensa como o “Santos de Tereré”. Ele presidiu a agremiação por mais de trinta anos e nutriu no seio de sua família o amor pela agremiação, deixando o seu filho Leonardo Menezes Marsicano e o neto Leonardo Filho comandando a agremiação e não deixando o sonho acabar.

Vários jovens foram revelados nos quadros da base do Santos Futebol Clube e que posteriormente vestiram a camisa de times considerados grandes no estado e em centros maiores. Quem não se lembra do atacante “Zito Camburão”, do ponta esquerda “Vandinho”, do goleiro “Ademar”, do centroavante “Ary”, de “Marcos do Boi “, de “Esquerdinha”e tantos outros que a memória não recorda?

Em 1998 a agremiação resolveu suspender as suas atividades do departamento de futebol profissional, e dedicar-se exclusivamente as categorias de base que funcionam no seu centro de treinamento localizado no Bairro do Geisel, disputando anualmente todas as competições oficiais: desde fraudinha aos juniores.

Entre os títulos conquistados no futebol pelo Santos Futebol Clube, dois são bastante lembrados por seus dirigentes, o primeiro foi o título invicto do campeonato amador, quando seu treinador era o comentarista esportivo Ivan Bezerra Cavalcante, o segundo foi a conquista da segunda divisão do campeonato paraibano.

Como não poderia deixar de ser o Santos enfrentou várias crises durante a sua existência, em uma delas o time foi derrotado por 10 x 0 pelo Treze Futebol Clube, em Campina Grande. Nesse dia ninguém se entendeu, nem dentro nem fora de campo, e a discussão foi tão grande que no retorno esqueceram de trazer o material de jogo, que ficou na Rainha da Borborema.

Mesmo reconhecendo as dificuldades e a falta de políticas públicas destinadas aos clubes de futebol, em particular, aos pequenos, o sonho dos herdeiros de Walter Marinho Marsicano, o “Tereré”, é reativar o departamento de futebol profissional do Santos e voltar a disputar a primeira divisão, como nos bons e saudosos tempos.

* Extraído do livro “Causos & Lendas do Nosso Futebol”. Republicado em comemoração aos 71 anos de fundação do clube.

Oitenta e quatro primaveras

“Agitam-se bandeiras no estádio, a explodir!
Porque, o Auto Esporte, de repente, vai surgir
A multidão exulta, a cada instante,
Esperando confiante, a vitória conseguir
A luta contra tudo e contra todos começou
O Auto Esporte vai mostrar o seu valor
Sem ódio e sem rancor, sem nada a temer,
Sabendo que a disputa é pra valer
Um brado então se ouviu, em todos os rincões
Incendiando nossos corações!”

Fundado em 07 de setembro de 1936, o Auto Esporte Clube tem uma história pautada em altos e baixos momentos de glória, porém sempre possuindo uma equipe guerreira e uma pequena e apaixonada torcida. A sua fundação ocorreu em um ambiente que predominava os motoristas da capital, que na época se concentravam no antigo “Ponto de cem reis” em uma histórica praça de taxi.

Aquela pequena agremiação, no inicio os seus jogadores eram todos motoristas, foi crescendo e treinando em vários campos da capital, o que resultou em uma maior aproximação do povo, deixando de ser um time de motoristas e passando a ser conhecido como o “Clube do Povo”.

As suas cores predominantes são o vermelho e o branco, caracterizando-se como alvirrubro, tendo o “Macaco” como o seu mascote oficial e uma sede e centro de treinamento localizado no Bairro de Mangabeira, aonde funciona o seu Estádio Evandro Lélis.

O seu primeiro título estadual foi brilhantemente conquistado de forma invicta no ano de 1939, com um time que a sua torcida nunca esqueceu e que tinha como base os seguintes heróis: Terceiro, Biu, Zé Novo, Henrique, Gerson e Aluizio, Neto, Formiga e Pitota, Pedrinho e Misael.

Por duas vezes os seus dirigentes cogitaram mudar o nome do clube, a primeira foi em 1953, quando tentaram modificar para Associação Esportiva do Comércio. A segunda ocorreu em 1967, quando tentaram realizar a fusão do clube dos motoristas com o extinto Esporte Clube União, nascendo dessa fusão o Auto União. Ambas as iniciativas não prosperaram.

Em 1951 o Clube do Povo realizou a sua primeira partida internacional, quando enfrentou a tripulação do navio argentino “Punta Del Loyola” que estava ancorado no Porto de Cabedelo. Os alvirrubros honraram a sua tradição e golearam os hermanos por cinco tentos a um.

Um fato pitoresco na gloriosa história do Autinho do Amor foi quando a sua delegação pegou um ônibus e foi enfrentar a seleção de Itabaiana, em 01 – 12 – 1959. Na estrada o seu ônibus quebrou, e os jogadores precisaram caminhar cerca de um quilometro para conseguirem outra condução, que era um ônibus de linha e já devidamente lotado. Em resumo, os jogadores foram colocados em cima da bagagem e na parte superior do veículo. Esse segundo ônibus também sofreu uma pane, os jogadores desceram, pegaram a bagagem e resolveram ir andando até o campo da cidade. Essa partida terminou empatada em 0 x 0.

Hoje, o Auto Esporte possui em sua galeria de troféus seis títulos estaduais, vários torneios comemorativos, torneios inícios, da segunda divisão e de categorias de base. Já participou de competições nacionais chanceladas pela CBF, como a Taça Brasil, Copa do Brasil e nas segunda e terceira divisões.

Vários jogadores se destacaram com a camisa do Clube do Povo, cada um em sua época. Podemos citar os atacantes e artilheiros Anselmo, Dentinho Guerreiro e o profeta Isaías Ferreira da Silva.

A coluna parabeniza os dirigentes, jogadores e torcedores do clube, pelos 84 anos de fundação esperando o breve retorno aos dias de glória.

Treze heróis

Um dos grandes times do estado da Paraíba, o Treze Futebol Clube, nasceu em uma pequena casa de seu primeiro presidente e fundador, no longínquo ano de 1925, precisamente no dia sete de setembro. O senhor Antônio Fernandes Bióca abriu as portas de sua residência e recebeu doze amigos que gostavam de futebol, discutiram, planejaram e finalmente foi criado um dos grandes times do nordeste.

O fundador Antônio Fernandes Bióca é considerado por muitos historiadores como sendo o desportista que introduziu o futebol na Paraíba; tendo inclusive passagens nos antigos times do Red Cross e Cabo Branco. Este último ainda existente porém abandonou o futebol profissional.

O Nome do clube que estava sendo criado não teve consenso nas primeiras discussões, foi quando um dos fundadores- José Casado – teve a brilhante idéia de homenagear e batizar a nova agremiação chamando-a de Treze Futebol Clube em decorrência de serem treze desportistas que participavam da sua fundação. A proposta foi de imediato aceita por todos os treze fundadores presentes. Uma ata histórica foi redigida pelo secretário interino Alberto Santos e assinada por todos.

Não foi difícil fazer a escolha do mascote do clube em um estado que tem a cultura e a tradição de fazer uma fezinha no jogo do bicho. E assim o Treze F. C passou a ser carinhosamente chamado de galo, animal representado pelo número 13 no jogo do bicho. Hoje, depois desse tempo todo, podemos dizer que o galo da Borborema já cantou alto em muitos galinheiros da região norte nordeste.

O primeiro jogo oficial do galo da Borborema foi realizado contra a forte equipe do Palmeiras, no campo existente nas antigas instalações da Sanbra, terminando com a vitória de um tento a zero, gol marcado por Plácido Veras “Guiné” que passou a ser o atleta que marcou o gol número um do Treze F.C.

Em 1937, na época do interventor Argemiro de Figueiredo, foi doado o terreno que posteriormente foi construído o estádio Presidente Vargas, que já passou por várias reformas e que foi palco de jogos históricos, principalmente com o seu maior rival, o aristocrático Campinense Clube.

No ano de 1940 o time conseguiu conquistar o seu primeiro título estadual, repetindo a façanha e conquistando o bi-campeonato em 1941. Um grande orgulho para o torcedor trezeano foi o fato de ver o bi-campeão do mundo “Garrincha” no final da década de sessenta vestir a sua camisa em um jogo amistoso contra a seleção da Romênia.

Uma curiosidade que não agradou a sua torcida fora a tentativa ocorrida nos anos oitenta de alguns dirigentes de mudar o nome do clube: de Treze Futebol Clube para Treze Atlético Paraibano; por meio de uma estrondosa votação em plebiscito os dirigentes tradicionais derrotaram e esmagaram essa idéia inovadora.

O Treze e o Botafogo da capital disputam e se rivalizam para ver quem possui a maior torcida do estado, a mais fanática e a que proporcionou o maior público em nossas praças de esportes. Há controvérsias nesse assunto.

Aliás, por falar em torcida, no final da década de setenta saí de João Pessoa em um veículo Kombi, de propriedade de Doca do leite, na companhia de Vanni baú, Ivan champroula, Nana de biu, Kiko doido, Eduardo macaco, Sérgio bode, Sérgio peba, Fernando cagão, Ricardo cabaré e Dário doido para assistirmos o jogo contra o forte e temido time do Treze dentro do Amigão. Cobrimos o veiculo com as bandeiras do Belo, levamos dois surdos, um tarol, dois repiques e dois maracás, muita cachaça, fogos de artifícios e partimos.

Estávamos todos alegres, um pouco embriagados e festivos, passamos a soltar fogos e a cantar músicas e hinos do time da capital. Finalmente, no interior da tradicional Sorveteria Flórida, quando tomávamos a saideira, a expulsadeira, a última, a pé na bunda e outras mais, Naná de biu inadvertidamente passou a cantar e a gente a fazer coro:

“O belo tomar cerveja.

O galo tomar pitu.

O belo tomar no copo

O galo tomar no …?”

Foi nesse dia que tive a certeza de que a torcida do galo poderia não ser a maior do estado mas naquele momento foi melhor de briga, pois saímos escoltado e protegidos pela briosa PM .

Esta crônica é dedicada aos noventa e cinco anos de fundação e glórias do Treze F. C, data festiva que será comemorada no próximo dia 07/09/20.

Você se lembra de Lulinha?

Ele nasceu na belíssima e próspera cidade de Campina Grande, precisamente no dia vinte e cinco de dezembro do ano de mil novecentos e cinquenta e nove, sendo batizado pelos seus pais com o nome de Luís Carlos Nascimento, mas para o mundo da bola ele ficou conhecido como “Lulinha”.

Ele era um meia direita completo. Tinha a inteligência de servir aos companheiros do ataque, fazendo aquela necessária ligação do meio de campo com os atacantes, como também marcava muitos e bonitos gols.

Foi no Trezinho, esquadrão juvenil do Treze Futebol Clube, que Lulinha começou a se destacar e mostrar as suas qualidades nos gramados da Rainha da Borborema, inclusive conquistando o título amador do ano de 1977.

A sua carreira não só foi iniciada como também teve uma grande identificação no Treze Futebol Clube. Foi com a camisa alvinegra do tradicional Galo da Borborema que Lulinha, já profissionalizado, foi tricampeão paraibano; nos anos de 1981, 1982 e 1983, jogando ao lado de Hélio Show, Flávio, Joãozinho Paulista, Hélio Sururú e tantos outros bons jogadores comandados pelo competente José Santos.

Em 1982, Lulinha marcou 22 gols no campeonato paraibano, sendo o maior artilheiro daquela competição. Aliás, ele é o terceiro maior artilheiro da história do time do Bairro de São José. Quando conquistou a artilharia paraibana, Lulinha teve direito a um prêmio em espécie no valor de cem mil reais, ofertado pela Caixa Econômica Federal, que ele solidariamente dividiu com todos os seus companheiros de equipe.

A sua identificação com o clube e com a torcida alvinegra é tão grande que ele foi distinguido com o honroso título de Benemérito do Treze Futebol Clube.

Ele também vestiu e suou a camisa do Botafogo Futebol Clube, quando mais uma vez foi campeão paraibano no ano de 1986. Na sua trajetória de jogador profissional, ele ainda jogou no Nacional Atlético Clube, de São Paulo, Ubiratan Esporte Clube, do Mato Grosso do Sul, Esporte Clube Cruzeiro, da cidade de Arapiraca – AL, Associação Desportiva Recreativa Cultural Icasa, da cidade de Juazeiro do Norte- CE, finalmente pendurando as suas famosas chuteiras no ano de 1994, defendendo as cores verde e amarela do Ipanema Atlético Clube, de Alagoas.

Hoje, já aposentado e residindo em sua querida Campina Grande, Lulinha lembra com saudade dos incentivos que recebeu no início da carreira da sua senhora genitora, das assistências que serviu aos companheiros e dos belíssimos gols que marcou.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas, ficou a certeza de que Luís Carlos Nascimento, o popular “Lulinha”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

· * A coluna manda um grande abraço aos torcedores e dirigentes do Treze Futebol Clube, pela conquista do título de campeão paraibano edição 2020.

Você se lembra de Fininho?

Ele nasceu na cidade de João Pessoa, PB, no dia seis de julho do ano de mil novecentos e setenta e dois, foi batizado pelos pais com o nome de Paulo Sérgio Lira Góes, mas para o mundo do esporte ele ficou conhecido como “Fininho”, um ala esquerdo que encantou as quadras de futsal do mundo.

Tudo começou nas escolinhas do tradicional Esporte Clube Cabo Branco, antigo celeiro de craques do esporte da bola pesada. Ao destacar-se no alvirrubro de Miramar, Fininho foi contratado para jogar na então poderosa Votorantim, equipe pernambucana que lhe deu os títulos estaduais de 1990, 1991 e 1992.

Em 1993 ele foi campeão cearense vestindo a camisa da lendária Sumov. Em 1994 foi a vez de ser campeão paranaense com a camisa do Inpacel. Em 1995 ele conquistou o título mineiro com as cores do Arsenal, no mesmo ano conquistou o título gaúcho com a Enxuta. Em 1996 ele foi novamente campeão gaúcho com as cores da ACBF. Em 1997 ele foi bicampeão gaúcho com a ACBF.

Em 2000 ele foi campeão metropolitano paulista com as cores do São Paulo Futebol Clube. Em 2001 ele conquistou a Liga Nacional com as cores da ACBF. Em 2002 e 2004 ele voltou a ser campeão gaúcho e da liga nacional pela ACBF. Em 2007 ele foi campeão paranaense pela equipe do Umuarana.

Ele também foi campeão brasileiro em 1994, 1995 e 2001. Bicampeão da liga de futsal em 2001 e 2004. Campeão brasileiro de seleções em 1995, 1997 e 2003 e campeão do Circuito Nacional em 1995.

A sua brilhante carreira também obteve sucesso internacional, quando conquistou o bicampeonato do mundo em 1992 e 1996. Vice campeão mundial em 2000. Campeão do Mundialito com a seleção brasileira em 1995, 1996 e 1998. Campeão da Copa América com a nossa seleção em 1997, 1998 e 1999. Campeão da Copa Rio Internacional com a seleção brasileira em 1997 e 1998. Campeão do Torneio Tiger 5 com a seleção brasileira em 2001. Campeão do Torneio da Rússia de Clubes em 2001. Campeão Sul-Americano de Clubes em 2002 e 2003. Campeão do Torneio da Tailândia com a seleção brasileira em 2003. Campeão do Pré-Mundial com a seleção em 2004. Campeão Mundial de Clubes jogando pela equipe do Carlos Barbosa em 2004.

Na categoria individual, Fininho foi escolhido o melhor jogador do Rio Grande do Sul, em 1998, Destaque do Rio Grande do Sul, também em 1998. Melhor atleta da Liga Nacional, em 1998. Melhor ala esquerdo da Liga Nacional, em 1998. Melhor jogador do Sul-Americano em2001. Melhor atleta do Brasileiro de Seleções em 2003 e Melhor jogador do Mundial de Clubes, em 2004.

Com muita dedicação, técnica refinada e espírito de equipe, Fininho suou e conquistou títulos com as camisas do Votorantim, Sumov, Inpacel, Enxuta, Carlos Barbosa, Ipiranga, Clube de Regatas Vasco da Gama, São Paulo Futebol Clube, Joinville, Assaf, Umuarama, Augusta Itália e Vento em Popa.

Fininho atingiu a excelente marca de 252 gols com a camisa da Seleção Brasileira de Futsal e é o quinto maior artilheiro em Mundial da FIFA.

Foram vinte e três anos de uma carreira irretocável que teve início aos 17 e encerrou aos 40 anos. Hoje ele reside na cidade de Arapoti, Paraná, onde recorda com muita saudade dos dribles, assistências e gols que fez pelo mundo.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que Paulo Sérgio Lira Góes, o popular “Fininho”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futsal mundial.