Você lembra de Cabelinho?

Ele nasceu na próspera cidade canavieira de Santa Rita, Paraíba, precisamente no dia quinze de fevereiro de mil novecentos e cinquenta e seis, sendo registrado por seus pais com o nome de Severino Felix da Silva, mas para o mundo da bola ele ficou conhecido como “Cabelinho”.

Com apenas treze anos de idade, aquele menino de pequena estatura e que possuía o cabelo avermelhado chegou para integrar a equipe infantil do Botafogo Futebol Clube, isso por volta de 1968, quando o clube ainda estava sediado no antigo campo de Pedro Gondim, em Tambauzinho, onde hoje funciona a Fundação Espaço Cultural.

Ele fez parte de uma privilegiada geração de garotos que foram treinados e orientados por Luís da livraria, Aluísio Ventola, Inaldo e Prince, abnegados desportistas que por muitos anos se dedicaram de corpo e alma ao clube.

Ao término dos treinos e dos jogos, os companheiros de Cabelinho retornavam tranquilamente para as suas casas, pois muitos moravam próximo do clube, como era o caso dos meus amigos Jaciro, Marcos Bita, Paulo Romero, Charles, Paulo Sérgio, Tavinho e tantos outros. O mesmo não acontecia com o nosso homenageado, que morava em Santa Rita e seus pais não possuíam boa condição financeira.

A solução foi ele passar a morar na concentração do clube, recebendo vestuário, alimentação e oportunidade para estudar, conforme emocionada a sua filha recentemente me contou. Ele só ia em Santa Rita esporadicamente, passando a ter o Botafogo como a sua família substituta. Ali ele passava o dia treinando, jogando, conversando com os atletas do quadro profissional, e quando necessário ajudando nas tarefas internas da concentração.

Depois de ser campeão no quadro infantil, sempre jogando no meio de campo, Cabelinho passou a jogar no quadro juvenil do clube, ganhando também vários títulos e paralelamente aumentando a sua amizade com os dirigentes, funcionários e jogadores do time profissional. Aliás, segundo o craque Valdeci Santana, todos gostavam da amizade dele e dos pequenos favores que ele fazia, como por exemplo comprar coisas nas mercearias.

O ex-lateral Zezito também me disse que quando contraiu núpcias, tinha o prazer de receber Cabelinho bem cedo em sua casa para tomar café e bater um bom papo. Assim ele foi crescendo no mundo da bola de antigamente, no qual não se ganhava dinheiro, mas se jogava bonito e tinha verdadeiros amigos.

A sua filha, Telma, me falou que o seu pai recordava com frequência o quanto gostava e admirava assistir “Nininho” treinando e jogando, e que nutria por ele uma grande admiração e amizade, e que em 1969 sentiu muito a morte do então “Fiapo de Ouro”.

Com apenas dezessete anos incompletos, Cabelinho passou a treinar e a jogar no quadro profissional do Botafogo Futebol Clube, equipe que o recebeu de braços abertos desde os seus treze anos de idade.

Nos anos de 1972, 73 e 74 ele fez parte do elenco de jogadores profissionais do clube de seu coração, jogando na maioria das vezes pela ponta direita, posição em que se adaptou muito bem, passando a ser um ponta arisco e que buscava a linha de fundo.

Ao contrair núpcias, Cabelinho já morava em Santa Rita onde também jogou, por duas temporadas pelo Santa Cruz Recreativo Esporte Clube.

Ele sofreu um AVC e contraiu diabetes, doença que vinha aos poucos subtraindo a sua visão. Já aposentado e residindo em sua cidade natal, o nosso homenageado recentemente teve complicações e foi internado no hospital Clementino Fraga, e quando foi no dia vinte e quatro de maio do presente ano, a terrível Covid – 19 tirou ele do nosso convívio.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que “Severino Félix da Silva”, o popular “Cabelinho”, escreveu o seu nome na belíssima história do futebol paraibano.

Foto: Divulgação\Botafogo-PB

O DIA EM QUE O SERRANO NÃO JOGOU

Eu tive um sonho parecido com a música do incomparável poeta e músico Raul Seixas. Eu sonhei com a realização do grande clássico interestadual entre o Grêmio Recreativo Serrano, o lobo da serra, equipe paraibana, e o Clube Andraus Brasil, da segunda divisão do distante estado do Paraná. A partida seria realizada as 14:30 no CT – Centro de Treinamento da equipe paranaense, com portões fechados, por medida de prevenção ao Coronavírus.

                   I
Essa noite eu tive um sonho de jogador

Desportista que sou, eu sonhei

Com o dia em que o Serrano não jogou

Com o dia em que o Serrano não jogou.

II
Os jogadores não saíram para jogar

Pois sabiam que adversário não havia para enfrentar.

O trio de árbitro não saiu para apitar

Pois sabia que as equipes também não estavam lá.

III
As torcidas organizadas não saíram para brigar

Pois sabiam que os torcedores adversários também não estavam lá.

A polícia não compareceu para segurança dar

Pois sabia que as torcidas também não estavam lá.

IV
No dia em que o Serrano não jogou, eh eh

No dia em que o Serrano não jogou oh oh

No dia em que o Serrano não jogou, oh oh

No dia em que o Serrano não jogou.

V
A federação não mandou representante

Pois não tinha borderô para cobrar.

Ambulância e médico não saíram para o estádio

Pois sabiam que não tinham jogadores para salvar.

VI
Os gandulas e os maqueiros também não compareceram

Pois sabiam que os times também não estavam lá.

Os cronistas esportivos não cobriram o espetáculo

Pois sabiam que os microfones também não estavam lá.

VII
No dia em que o Serrano não jogou, eh eh

No dia em que o Serrano não jogou oh oh

No dia em que o Serrano não jogou, oh oh

No dia em que o Serrano não jogou.

VIII
Os dirigentes nocivos e os apostadores também não compareceram

Pois estavam em casa contando o dinheiro para gastar

Dizem que esse sonho vai virar pesadelo

Pois o jornalista do Fantástico saiu de casa e esteve lá.

IX
Esperamos que a briosa polícia federal, a Interpol,

E o ministério público entre nesse sonho e o

Transforme em pesadelo para os implicados,
investigando e prendendo os culpados.

X
Essa noite eu tive um sonho de jogador

Desportista que sou, eu sonhei

Com o dia em que o Serrano não jogou

Com o dia em o Serrano não jogou.

Você lembra do goleiro Lúcio?

Ele nasceu na cidade canavieira de Cruz do Espírito Santo, terra da deliciosa e conceituada cachaça São Paulo, precisamente no dia cinco de janeiro do ano de mil novecentos e setenta e um, sendo registrado e batizado por seus pais como Lúcio Carlos da Silva, posteriormente sendo popularizado para o mundo da bola como o “Goleiro Lúcio”.

Como a maioria da criançada daquela década, Lúcio gostava muito de jogar futebol nos campos daquela região, e logo cedo se identificou com a posição de goleiro, passando a se destacar no meio da garotada boa de bola.

Quando foi no ano de 1991, aos vinte anos, ele iniciou a sua carreira profissional vestindo o uniforme tricolor do Santa Cruz Recreativo Esporte Clube, da vizinha cidade de Santa Rita. Ali ele aprendeu os principais fundamentos de um bom goleiro.

Lúcio foi um atleta bastante regular e vitorioso em sua carreira de jogador profissional, tendo passagem brilhante por várias equipes do nosso estado, dando alegria e títulos aos torcedores de várias agremiações e cores.

O nosso homenageado vestiu as camisas do Santa Cruz Recreativo Esporte Clube, de Santa Rita, Confiança Esporte Clube, da cidade de Sapé, Botafogo Futebol Clube, de João Pessoa, do Auto Esporte Clube, de João Pessoa, Vila Branca Sport Clube, da cidade de Solânea, do Sousa Esporte Clube, da cidade sertaneja de Sousa, do Campinense Clube, da Rainha da Borborema e pendurou as suas famosas luvas com as cores do clube da Maravilha do Contorno, no ano de 2001.

Hoje Lúcio trabalha como funcionário público, na função de diretor de esporte na cidade de Cruz do Espírito Santo, onde utiliza toda a sua experiência repassando conhecimentos para os novos desportistas daquela região.

Residindo na praia do Intermares, Cabedelo, nosso homenageado lembra com saudade do seu tempo como atleta, principalmente o fato de ter sido seis vezes campeão paraibano, cinco consecutivas. Em 1992, pelo Auto Esporte Clube, no Santa Cruz Recreativo Esporte Clube foi nos anos de 1995 e 1996, em 1997 pelo Confiança Esporte Clube, de Sapé, e em 1998 e 1999 no Botafogo Futebol Clube.

Vários treinadores trabalharam e orientaram Lúcio, mas ele não esquece e destaca os profissionais José Lima e Neto Maradona, que muito contribuíram com a sua exitosa carreira de jogador profissional.

Outra grande alegria na vida do nosso homenageado é acompanhar o seu filho Alberto Neto, também goleiro iniciando a carreira como atleta profissional no São Paulo Crystal. Segundo a crônica especializada, o filho possui a mesma habilidade, desenvoltura e aptidão do pai.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que Lúcio Carlos da Silva, o popular goleiro “Lúcio”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Você se Lembra de Lauro?

Ele nasceu no dia treze de agosto do ano de 1964 na próspera e prazerosa cidade de Campina Grande, a famosa Rainha da Borborema, celeiro de grandes jogadores de futebol.  Os seus genitores o batizaram como Lauro Carvalho Mendes Damasceno, mas o mundo da bola o popularizou como “Lauro”, meio campista que desde cedo mostrou bastante intimidade com a bola.

Em 1983 Lauro já vestia e suava muito a camisa rubro-negra do Campinense Clube, cores que defendeu até o ano de 1987, conquistando a taça cidade de Campina Grande, competição que foi palco de seu primeiro gol como profissional sofrido pelo excelente goleiro “Hélio Show”.

Em 1987 o nosso homenageado foi negociado com o América Futebol Clube, da cidade de Natal, participando do tricampeonato conquistado nos anos de 1987, 88 e 89. Em seguida Lauro iniciou a sua vida de cigano da bola, jogando em equipes como o ABC Futebol Clube, também de Natal, Ceará Sporting, de Fortaleza, no CSA Centro Sportivo Alagoano, de Maceió, no Treze Futebol Clube, de sua Campina Grande, no Botafogo Futebol Clube, de João Pessoa, na Associação Desportiva Vitória, de Pernambuco, no Esporte Clube Pelotas, da cidade gaúcha de Pelotas, no Central Sport Club, de Caruarú – PE, e, em 1996, defendendo novamente o Botafogo Futebol Clube, sofreu uma contusão que o obrigou a precocemente a abandonar e pendurar as suas famosas chuteiras.

Lauro é um dos paraibanos privilegiados, pois teve a oportunidade de ser titular nas três maiores equipes do estado, formando o meio de campo com vários jogadores expressivos e que deram muitas alegrias aos nossos torcedores.

Quando pendurou as suas disputadas chuteiras, Lauro ingressou na faculdade e foi cursar   educação física, aliando o seu conhecimento prático com o conhecimento teórico científico. Daí em diante surgia o professor Lauro Carvalho, treinador que se identificou com a base e vem contribuindo muito com a garotada do futebol.

Residindo em uma das cidades mais verdes do mundo, a nossa querida João Pessoa, Lauro fundou uma escolinha de futebol, local onde repassa para a garotada o seu enorme conhecimento adquirido dentro dos gramados e nas salas de aula.

Ele também dirigiu e conquistou vários títulos com a equipe sub 20 do Auto Esporte Clube, o nosso querido clube do povo. Mas foi na Maravilha do Contorno, por sinal seu último clube como atleta, onde ele pode exercer as funções de treinador com mais amplitude e sequência de trabalho. No alvinegro da estrela vermelha ele já comandou todas as categorias, a partir do infantil, conquistando títulos e formando futuros atletas, inclusive com passagem no futebol feminino. Ele hoje tem a responsabilidade de comandar a categoria do sub 17 do Botafogo Futebol Clube.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas paraibanos ficou a certeza de que Lauro Carvalho Mendes Damasceno, o popular “Lauro”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Você lembra de Lúcio Surubim ?

Ele nasceu no dia vinte e sete de abril do ano de mil novecentos e sessenta e nove, na prazerosa cidade de Surubim, localizada na Mata Norte de Pernambuco, sendo batizado pelos seus pais com o nome de Lúcio Jorge da Silva Rêgo, e posteriormente ficou conhecido para o mundo da bola por “Lúcio Surubim”.

Em 1988 ele ingressou no Clube Náutico Capibaribe, iniciando uma carreira repleta de sucesso com passagem em muitos clubes do nosso país. Foi uma vida de cigano levando alegrias para torcedores de diversas cores, cultura, sotaque e costumes.

O nosso clássico e seguro zagueiro, jogou uma temporada no Maranhão Atlético Clube, na Associação Esportiva Araçatuba -SP, Esporte Clube Corinthians, de Presidente Prudente, SP, Moto Club  – MA, Botafogo Futebol Clube, da cidade de Ribeirão Preto – SP, Botafogo Futebol Clube,  PB, Sampaio Corrêa Futebol Clube, MA, Mirassol Futebol Clube, SP, Futebol Clube Santa Cruz, RS,  Criciúma Esporte Clube – SC, Quinze de Novembro – RS, América Futebol Clube, da cidade de Caaporã -PB , Campinense Clube, PB, e no Surubim Futebol Clube, PE.

Para a nossa alegria, a sua carreira foi marcada com grandes feitos e encerrada jogando em nossos gramados vestindo a camisa do Campinense Clube, do Botafogo e do América da cidade de Caaporã.

Hoje, com as famosas chuteiras aposentadas e residindo na cidade do Recife, onde exerce a profissão de odontólogo, jornalista e possui uma conceituada escolinha de futebol, o xerife lembra com saudade das suas convocações para integrar a seleção brasileira de Juniores e de Novos, um reconhecimento ao seu dinâmico e aplicado futebol.

Lúcio também se orgulha de ter contribuído com o Clube Náutico Capibaribe na conquista do acesso nos anos de 1988 e 1993.

Também ajudou ao Corinthians, de Presidente Prudente a conquistar a vaga na série A2 do famoso paulistão. Finalmente, também contribuiu com a vaga da primeira divisão, do disputadíssimo campeonato gaúcho ao Quinze de Novembro da cidade de Campo Bom, Rio Grande do Sul.

Outras passagens alegres e marcantes em sua carreira, foi o privilégio de ter colocado, em seus ombros, a faixa de campeão pernambucano, a faixa de campeão paraibano e, também, campeão maranhense, sempre exercendo papel importante e de liderança no esquema tático das equipes vencedoras.

Um dia estava eu conversando com o saudoso Ivan Bezerra de Albuquerque, cronista que militou em nosso futebol por mais de 60 anos, quando tive a curiosidade de solicitar ao mestre, em sua visão, qual seria o Botafogo – PB de todos os tempos. Ele me pediu dez dias para pesquisar e não cometer injustiças, em seguida ele me encaminhou dois quadros do alvinegro da estrela vermelha, que abaixo transcrevo e que consta o nome do xerife Lúcio Surubim no seleto grupo de atletas de várias gerações e épocas distintas.

Equipe A: Zé Armando, Lúcio Mauro, Kleber Bonates,  Deca e Fantick, Victor Hugo e Roberto Viana, Nelsinho, Nininho, Delgado e Zeca. Técnico Herivaldo Guerra (Vavá).
Equipe B: Fernando, Vinicius, Lúcio Surubim, Berto e Tita, Nicássio, Magno e Zé Eduardo, Chico Matemático, Reinaldo e Mauro Madureira. Técnico Pedrinho Rodrigues.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que Lúcio Jorge da Silva Rêgo, o popular “Lúcio Surubim” escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.