VOCÊ SE LEMBRA DE JEAN ?

Ele nasceu na arborizada cidade de João Pessoa, precisamente no dia catorze de dezembro de mil novecentos e setenta e cinco, e logo cedo mostrou que tinha intimidade com o futebol de campo, uma de suas maiores paixões.

Das peladas em campos irregulares e sem gramas, Jean Carlos da Silva foi integrar as categorias de base da tradicional equipe amadora da Ponte Preta do bairro de Mandacarú. Com a camisa alvinegra Jean Carlos começou a se destacar como jogador de meio de campo, despertando elogios e interesse de equipes profissionais.

Em 1996, por intermédio de Tassiano Gadelha, o nosso homenageado foi levado para o Auto Esporte Clube, equipe que o lançou e o projetou para o futebol profissional e na qual jogou até o ano de 1998. Daí em diante a sua carreira não parou de crescer e o seu futebol consequentemente foi se aprimorando cada vez mais.

O seu segundo time profissional foi o Botafogo da Paraíba, no qual jogou as temporadas de 1999 e 2000. Da Paraíba ele foi jogar em São Paulo, no Mogi Mirim, time que permaneceu até o ano de 2002.

Do interior paulista ele foi para o Vila Nova Futebol Clube de Goiás, depois para o Joinville Esporte Clube de Santa Catarina, do qual saiu em 2005 e foi jogar uma temporada na Agremiação Sportiva Arapiraquense, o conhecido ASA de Arapiraca. Das Alagoas o craque foi para a Associação Atlética Caldense, de Poços de Caldas, das Minas Gerais. Retornando ao nordeste para vestir a camisa do Centro Sportivo Alagoano, CSA de Alagoas. De 2007 a 2009 ele esteve contribuindo com as conquistas do ABC Futebol Clube de Natal.

Em 2010, Jean Carlos defendeu as cores do Centro Sportivo Capelense, da cidade de Capela, estado de Alagoas. Em 2011, novamente suando a camisa do alvinegro da estrela vermelha, o nosso homenageado sofreu uma forte contusão no joelho, que resultou em três cirurgias e no encerramento de sua carreira.

Em todas essas equipes acima citadas o meio campista Jean Carlos honrou e suou a camisa, sendo sempre um jogador aplicado e que jogava para a equipe, merecedor de elogios e reconhecimentos. Vários e importantes títulos foram por ele conquistados como o de campeão paraibano de 1999 pelo Botafogo PB. O vice-campeonato brasileiro, série C, pelo Mogi Mirim; campeão alagoano pelo CSA, vice-campeão brasileiro, série C, pelo ABC de Natal e campeão potiguar pelo ABC.

Entretanto foi no Centro Sportivo Alagoano, CSA, a equipe em que Jean Carlos jogou por mais tempo e passou a ser um dos grandes ídolos daquele Clube.  Até hoje a torcida lembra com orgulho daquela vitória contra o Santos Futebol Clube, pela Copa do Brasil. Nesta partida, o já consagrado Neymar sofreu uma implacável e leal marcação de Jean e até hoje a torcida o reconhece como sendo o “ homem que parou Neymar”.

Hoje, com a experiência de quem jogou em vários gramados deste país continental, sempre cumprindo com as suas obrigações de atleta profissional e de ser humano, Jean Carlos mantém com o seu amigo Maia, também ex-atleta bem sucedido, um projeto social no Bairro de Mandacarú, precisamente no Centro Social Urbano, local onde várias crianças e adolescentes aprendem a jogar bola e a ser cidadão.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas, ficou a certeza de que Jean Carlos da Silva, o popular “Jean” escreveu o seu nome, com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

VOCÊ SE LEMBRA DE JOSA?

Josafá Vieira de Oliveira, que ficou conhecido no futebol paraibano por “ Josa”, nasceu na cidade de Campina Grande no dia oito de janeiro de 1953, e logo cedo ingressou nas categorias de base do Treze Futebol Clube.

Josa era um ponteiro direito nato, daqueles que iam até a linha de fundo e cruzava com precisão para dentro da área, servindo e deixando o centroavante em posição privilegiada para marcar.

Aquele moreno de estatura baixa,  pernas tortas, habilidoso, que no ano de 1972 ascendeu ao time profissional do Galo da Borborema, logo caiu nas graças da torcida alvinegra deixando de ser uma promessa e passando a ser uma realidade. A imprensa do estado já o reconhecia como uma excelente revelação do início daquela saudosa década de setenta. Até mesmo os torcedores do Campinense Clube reconheciam o potencial de Josa, que já era apelidado de “Crioulo Doido” em decorrência de seus dribles magníficos e habilidade com a pelota.

Porém, infelizmente aquela carreira foi prematuramente encerrada no dia vinte e seis de março de 1973, quando aquele ponta direita entrou em campo pela última vez, na cidade de Salgueiro, estado de Pernambuco.

O Treze havia enfrentado a seleção daquela cidade sertaneja e perdido pelo placar de dois tentos a um, e quando retornava para a cidade de Campina Grande, o ônibus da Aviação Patoense que transportava a delegação, bateu na traseira de um caminhão que carregava pedras, e Josa, que tinha o costume de viajar na primeira cadeira conversando com o motorista, quebrou as pernas.

Nunca mais pode fazer o que mais sabia fazer e gostava … jogar futebol. Josa deixou os gramados e passou a freqüentar as arquibancadas, trocou as chuteiras por um par de muletas. A torcida sempre o reconhecia e o cumprimentava nos batentes do estádio Presidente Vargas.

Mesmo com essa fatalidade que encerrou a sua carreira no início, Josa não demonstrava ser um homem triste, amargurado. Ele era um ser alegre, otimista, de bem com a vida.

Quando foi no ano de 2007, o ex-jogador sofreu um ataque cardíaco, foi socorrido às pressas, porém faleceu no hospital João XXIII, em Campina Grande.

Apesar de ter jogado profissionalmente por pouco tempo, Josafá Vieira de Oliveira, o popular “Josa” escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

* Será no dia vinte e quatro de maio do presente ano, o II Encontro dos Desportistas Paraibanos, evento que reúne jogadores, cronistas, dirigentes e torcedores.

VOCÊ SE LEMBRA DE RINALDO AMORIM?

Na pequena cidade pernambucana de Jurema, precisamente no dia dezenove de fevereiro de mil novecentos e quarenta e um nasceu Rinaldo Luiz Amorim, o popular Rinaldo. Três anos depois, os seus pais se mudaram para a cidade de Carpina-PE.

Foi na cidade de Carpina-PE que Rinaldo começou a ter contato e intimidade com a bola, chegando a jogar com a camisa do Santa Cruz local, nos anos de 1957, 1958 e 1959, período em que foi observado por vários clubes profissionais da região. Em 1960, Rinaldo passou a jogar pelo Esporte Clube Maravilhas, forte equipe da então Usina Nossa Senhora das Maravilhas, com sede em Goiana-PE, cidade que faz divisa com o Estado da Paraíba; proximidade essa que despertou interesse da equipe do Auto Esporte Clube, que o contratou para a temporada de 1960. Foi no clube do povo que Rinaldo assinou o seu primeiro contrato profissional, tendo estreado com a camisa alvirrubra no dia 14\08\1960.

O futebol do ponteiro esquerdo foi uma das sensações daquele ano, o que o fez se transferir para o Treze Futebol Clube, que o contratou e o estreou  em julho de 1961. Na equipe da Serra da Borborema, Rinaldo foi vice-campeão paraibano de 1961, disputou o torneio Pernambuco\Paraíba de 1962 e participou de uma excursão que durou os meses de abril e maio de 1962, nos estados do Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará e no então Território do Amapá, onde venceram catorze partidas, perderam sete e empataram uma. O forte ataque possuía os craques Rui, Lelé, Delgado, Rinaldo e Ruivo.

Ainda no ano de 1962 o nosso homenageado foi contratado pelo Clube Náutico Capibaribe e   ajudou aquela agremiação ao luxo de conquistar o hexa-campeonato, que teve início em 1963 com Rinaldo sendo campeão pela primeira vez e ao mesmo tempo sendo artilheiro da competição com a marca de dezoito gols. A famosa linha de frente do alvirrubro era composta por Nado, China, Bita, Ivan e Rinaldo.

Em onze de abril de 1964, Rinaldo Amorim estreou com a camisa de número onze da Sociedade Esportiva Palmeiras onde conquistou vários títulos ao lado de Valdir, Djalma Santos, Servilho, Dudu e Ademir da Guia. Quando jogava no time de Parque Antarctica, o nosso craque foi convocado para integrar a seleção paulista de futebol.

Em 30 de abril de 1965, no maior estádio do mundo, Rinaldo estreou com a camisa da seleção brasileira ao lado de Pelé, Garrincha, Manga, Flávio Minuano e outras feras. O Brasil enfrentou e ganhou por cinco tentos a um a seleção da Inglaterra com dois gols marcados pelo estreante. Posteriormente foram vários jogos no país e no exterior com a camisa da então CBD.

Lamentavelmente, depois de várias convocações para a seleção brasileira nos anos de 64, 65 e 66, na véspera de viajar para a copa da Inglaterra, ele foi dispensado sem uma explicação plausível, gerando uma decepção que quase encerrou a sua carreira.

Em meados de 1967 o craque foi transferido para o Fluminense Futebol Clube, time no qual passou a ser destaque nas Laranjeiras, ao lado de Denilson, Suingue e Bauer.

A partir do ano de 1969 ele passou a brilhar nas grandes equipes formadas pelo Coritiba Foot Ball Clube ao lado de Oberdan, Pescuma, Hermes e tantos outros excelentes jogadores que ajudaram o alviverde a conquistar vários troféus.

Em 1973 ele deixou o Coritiba e passou a jogar em times do interior de São Paulo, como o Marília Atlético Clube, Garça Futebol Clube, Bandeirante Esporte Club e União Agrícola Barbarense Futebol Clube.

Rinaldo viajou o mundo com as camisas do Palmeiras, Coritiba e do Brasil. Foi treinado por grandes e vitoriosos técnicos como Vicente Feola, Mário Travaglini e Telê Santana. Fez tabelas com Dudu e Ademir da Guia, na época da primeira Academia de Futebol do Palmeiras. Esteve lado a lado de monstros dos gramados como Djalma Santos, Garrincha, Pelé, Carlos Alberto Torres e Tostão na época da seleção canarinho.

Em 1965 ele foi o primeiro jogador da seleção brasileira a marcar um gol no então Estádio Mineirão, o que lhe rendeu uma placa comemorativa.

Hoje, o aposentado Rinaldo Luiz Amorim reside com a família na cidade de Carpina-PE, onde é por todos reverenciado como “o campeão”.

Para nós torcedores, desportistas e cronistas ficou a certeza de que Rinaldo Luiz Amorim, o popular ponteiro esquerdo “Rinaldo” escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol brasileiro.

VOCÊ SE LEMBRA DE ANTÔNIO TOSCANO?

Ele nasceu na prazerosa cidade litorânea de Lucena–PB no dia quinze de fevereiro do ano de mil novecentos e quarenta e cinco.  Foi farmacêutico, vereador em três mandatos e oficial de justiça, sempre prestando relevantes serviços nas três citadas áreas e aumentando o seu círculo de amizades.

Porém, foi na área esportiva que o nosso homenageado conseguiu ser destaque em nossa Paraíba, militando por vários anos como treinador e árbitro de futebol. Em sua cidade natal  ele fundou o Lucena Atlético Clube, equipe que logo conquistou o penta campeonato local. Também em Lucena ele fundou o Vasco da Gama, equipe que oportunizou a várias crianças e adolescentes o contato inicial com a bola.

Uma de suas grandes lutas em prol do futebol paraibano foi à construção de um estádio de futebol em sua cidade natal. Hoje, Lucena possui uma excelente praça de esportes que em sua homenagem ficou popularmente conhecida como o “Toscanão”.  Na realidade, podemos creditar a ele como sendo o desportista que difundiu, incrementou e que desbravou o futebol naquela cidade litorânea.

Em João Pessoa ele dirigiu várias equipes de futebol de campo e de futebol de salão. Equipes fortíssimas e então tradicionais como o Esporte Clube Cabo Branco e o Estrela do Mar conquistaram títulos sob os seus comandos técnicos táticos, inclusive disputando a nível nacional.

 Em mil novecentos e setenta, o nosso homenageado concluiu o curso de arbitragem de futebol e em seguida construiu uma vitoriosa carreira como árbitro,  sendo conhecido em todo o nordeste do país. Em seus quinze anos como árbitro profissional, ele apitou em todos os nove estados nordestinos, e no centro-oeste, ao apitar no estádio Serra Dourada, da cidade de Goiânia, GO.

Na Paraíba ele era presença certa nos denominados clássicos e nas decisões do campeonato paraibano de futebol. Sério, discreto e conhecedor das regras do futebol, ele foi, pela imprensa especializada paraibana, escolhido como o melhor árbitro do Estado por cinco anos consecutivos, 1974, 1975, 1976 e 1977.

Também teve a honra de ser escolhido para arbitrar o jogo botafogo PB X Botafogo RJ, partida festiva e inaugural do estádio José Américo Filho, o Almeidão, em mil novecentos e setenta e cinco, jogo vencido pelos cariocas por dois tentos a zero.

Trabalhou em vários jogos do antigo campeonato nacional, em vários estados, como árbitro, como bandeirinha e como árbitro reserva. E como não poderia deixar de ser, anos depois ele usou toda a sua experiência e competência para dirigir o departamento de arbitragem da Federação Paraibana de Futebol.

E quando foi no dia seis de julho do ano de dois mil e sete, este grande desportista foi chamado para morar com Deus, deixando esposa, filhos, genros, nora, netos e bisneta orgulhosos do legado aqui construído por ele.

Torcida paraibana, estamos falando do senhor Antônio Toscano de Brito, o popular juiz “Antônio Toscano”, um profissional que nos faz bastante falta na atualidade, pois ele foi um desportista diferente, que prazerosamente vivia para o futebol e não do futebol.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas, ficou a certeza de que Antônio Toscano de Brito, o popular “Antônio Toscano”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Foto: Arquivo familiar

Você se lembra de Waldomiro Cabeção?

Ele era apaixonado por fotografias, política, carnaval e, principalmente, por futebol. Como fotógrafo foi repórter do Jornal Correio da Paraíba por vários anos, também trabalhou no governo do Estado e na Prefeitura de João Pessoa. Por ser um profissional conceituado na cidade, todo mundo conhecia o seu trabalho, que se destacava entre os demais profissionais da arte inventada pelo francês Louis Jacques Mandé Danguerre.

Foi ele quem fotografou a campanha de Jânio Quadros como candidato a presidente da república em nossa Paraíba. Também registrou a antiga pesca da baleia, do abate em alto mar até o corte do mamífero na cidade de Lucena.  A ação que culminou com a morte dos líderes da Liga Camponesa, na cidade de Mari, também em preto e branco por ele foi registrada.  Fotografias captadas por suas lentes estamparam páginas do Jornal do Brasil e da então poderosa revista Manchete.

Como representante do povo, o nosso homenageado esteve presente como vereador da cidade de João Pessoa, no período de 1982 a 1988, tendo inclusive exercido o cargo de vice -presidente daquela casa legislativa mirim.

Já a sua festa predileta era o carnaval, período em que ele desfrutava ao máximo e incentivava os blocos carnavalescos, os bailes e as escolas de samba da capital, sempre priorizando o seu amado bairro do Róger.

E foi no histórico e tradicional bairro do Roger, que o nosso homenageado fundou o Guarany Esporte Clube Recreativo, equipe amadora que muito contribuiu e contribui com o nosso futebol paraibano. Fundado no dia 15 de agosto de 1957, com as cores verde, amarela e branca, tem como símbolo o desenho do rosto de um índio Guarany. A sua sede fica localizada na Rua Dezenove de Março, nº 165, Bairro do Róger. Além de sua sede social, aquela agremiação possui um belo ginásio de esportes, onde se praticam futsal, capoeira, judô e muitas outras atividades sociais e culturais destinadas aos adolescentes em formação.

O Guarany Esporte Clube Recreativo, em um passado não muito distante, possuiu equipes amadoras fortes e temidas nos campeonatos juvenis da nossa capital.  Inclusive chegando a disputar a segunda divisão do campeonato misto de 1968, enfrentando as equipes do Cinco de Agosto, ABC Futebol Clube, Auto Esporte Clube, Bando Azul Esporte Clube, Diamante Esporte Clube, Estrela do Mar Esporte Clube, Íbis Futebol Clube e o Vera Cruz Esporte Clube Recreativo.  Todas essas equipes possuíam as suas sedes na capital paraibana. O Guarany foi o campeão do respectivo Torneio Início, o Auto Esporte Clube venceu a competição.

Torcida paraibana, estamos falando do senhor Waldomiro Ferreira dos Santos, o popular “Waldomiro Cabeção”, um cidadão que nasceu em João Pessoa, no dia vinte de setembro de 1935 e faleceu no dia dois de setembro do ano de dois mil e dois. Muitos e diversos foram os serviços prestados pelo homenageado em prol da nossa capital.

Centenas de crianças deram o seu primeiro chute em uma bola vestindo o uniforme do Guarany Esporte Clube Recreativo.  Na realidade, Waldomiro Cabeção vivia para o futebol, diferentemente dos que hoje vivem do futebol.

Waldomiro Cabeção contraiu núpcias com a senhora Daura de Souza Santos, e dessa união nasceram os filhos Aristávora de Souza Santos (Tavinho), Carlos Santos, Tânia Maria, Thelma Maria e Ricardo Santos.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que Waldomiro Ferreira dos Santos, o popular “Waldomiro Cabeção”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas, na brilhante história do futebol paraibano.

Por Bruna M. Serpa, respondendo interinamente.

Foto: Internet