VOCÊ SE LEMBRA DE MANOEL COSTEIRA?

O polêmico e temperamental Manoel Fernandes Costeira Neto, popular  “Seu Costeira”, nasceu no dia sete de junho do ano de mil novecentos e trinta e dois, na prazerosa cidade de Campina Grande mas cresceu e foi registrado na cidade de Fortaleza, terra onde o seu avô exercia a função de Vice-Consul de Portugal.

Para a nossa alegria e o desenvolvimento do nosso rico e histórico futebol, foi na Paraíba que “Seu Costeira” viveu, plantou e colheu frutos no jornalismo e no futebol, quando ainda adolescente ingressou como revisor na Gráfica do Jornal A União, e posteriormente assumiu sua Gerência, isso por volta de 1960, no então governo de Pedro Moreno Gondim.

E foi na década de 60 que “Seu Costeira” assumiu a presidência do então Esporte Clube União, equipe que disputou por várias décadas os campeonatos juvenis e profissionais patrocinados pela Federação Paraibana de Futebol. O rubro-negro também possuiu uma forte equipe de futebol de salão.

Aquela saudosa equipe, que em seus uniformes portava as cores vermelha e preta da Paraíba, venceu várias vezes as equipes consideradas grandes do Estado; como Botafogo, Treze, Auto Esporte e Campinense. Também chegou a vencer o antigo torneio início, competição que antecedia o certame estadual.

Esses feitos eram sempre ditos, lembrados e comentados em voz alta pelo seu eterno presidente Manoel Costeira; ele presidia, administrava, organizava e quando era preciso também assumia as funções de técnico, roupeiro, motorista, enfim um faz tudo no extinto clube.

Na realidade, ao assumir a gerência do Jornal A União, o desportista Costeira também assumiu de corpo e alma a presidência do Esporte Clube União, no início da década de sessenta e, sucessivamente foi reconduzido ao cargo até o início da década de setenta, quando o rubro-negro encerrou em definitivo as suas atividades. Não nos resta dúvida, que foi em sua gestão que a equipe gráfica alcançou visibilidade no cenário do futebol paraibano.

Muitos jovens e talentosos iniciaram as suas promissoras carreiras naquela agremiação tiveram o incentivo e o apoio do dinâmico e polêmico Manoel Costeira. Jogadores como Delgado, Freire, Mineiro, Paulo Foba, Naná, Jú, Waldecir Pereira, Vicente, Lando, Biu Ferreti, Farias e Ferreira, calçaram as suas primeiras chuteiras naquela extinta agremiação.

Lando foi aquele zagueiro central que se transferiu para o Botafogo, e em 1968 marcou o histórico gol de cabeça, dentro do estádio Presidente Vargas, dando o título estadual ao alvinegro da estrela vermelha.

Delgado, foi por muitos desportistas paraibanos, escolhido como um dos melhores jogadores da história do futebol do nosso estado.   Farias jogou vários anos seguidos em Portugal. Finalmente, Ferreira, ainda menino foi jogar ao lado de Pelé, no temido Santos Futebol Clube.

Em sete de maio de mil novecentos e noventa e um o desportista Costeira faleceu em nossa capital, deixando um imenso legado de dedicação e amor ao nosso futebol, e encerrando um ciclo que podemos denominar de “Donos do time”, tamanha era a dedicação por eles em prol de seus clubes. Tínhamos Walter Marsicano (Tereré), no Santos Futebol Clube; Heder Henriques, no Botafogo Futebol Clube e  Manoel Fernandes Costeira Neto (Costeira) no Esporte Clube União.

Entre vários fatos pitorescos que me contaram sobre o lendário Manoel Costeira, consta uma passagem escrita no livro Na Boca do Gol, do competente Eudes Moacir Toscano, que nos informa o seguinte. O Esporte Clube União foi convidado para um jogo amistoso, em Recife, contra o Sport Clube. A equipe paraibana sofreu uma sonora goleada do também rubro-negro da Ilha do Retiro. Ao retornar a esta capital, o temperamental Manoel Costeira, em uma mesa de bar da cidade de Abreu e Lima, demitiu o respectivo técnico da equipe.

E no outro dia, já em nossa capital, Manoel Costeira contratou o jovem jornalista Ivan Bezerra de Albuquerque, então editor de esportes do jornal A União, para assumir o comando tático e técnico da equipe.   Ivan Bezerra não teve dificuldades em montar um esquema de jogo no time rubro-negro, até porque a qualidade técnica do elenco era muito boa e de futuro.

O problema maior que Ivan Bezerra enfrentou foi ter que impedir determinados jogadores de tomar uma após os treinos, jogos e até mesmo em dias de concentração. Pois na equipe tinha jogadores bons de bola e de copo. Naquela época, o inesquecível Ivan Bezerra também gostava de tomar umas mas ele era o técnico e treinador não precisava correr; jogador sim!

Para nós torcedores, desportistas e cronistas esportivos, ficou a certeza de que Manoel Fernandes Costeira Neto, o popular “Manoel Costeira”, escreveu o seu nome, com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Foto: Internet

VOCÊ SE LEMBRA DE FERNANDO HELENO?

Ele como muitos outros profissionais, veio do vizinho estado de Pernambuco trabalhar  na  cidade de João Pessoa e com o tempo se apaixonou por nosso povo, nossa cultura, nossa culinária e principalmente pelo nosso futebol. Daqui só saiu para o céu.

Fernando Heleno Duarte, o popular “O Autêntico”, começou a sua respeitada carreira no final da década de sessenta, em uma rádio AM da cidade de Olinda, depois se transferiu e brilhou como comentarista esportivo na Rádio Clube do Recife; quando foi na década de setenta  veio para o jornalismo esportivo da Paraíba, tendo passagens por vários veículos de comunicação da capital, como: Rádio Tabajara, Miramar, CBN, Rádio Correio, Rádio Arapuan, O Norte e Sanhauá.

Em seus comentários simples e objetivos, Fernando Heleno sempre primava pela imparcialidade e coerência, daí surgindo uma legião de admiradores do seu trabalho, chegando ao ponto de ser imitado pelos profissionais iniciantes na carreira radiofônica. Para muitos ele foi um exemplo e um grande professor. Ele imprimiu uma marca própria ao comentário esportivo.

Em várias gestões colaborou com os seus amplos conhecimentos – ele era Advogado e professor universitário – com o seu órgão de classe, a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado da Paraíba – ACEP.

O seu amor e dedicação ao futebol paraibano não se limitou ao microfone das rádios e canais de televisão. Quando necessário ele também foi investido na função de dirigente de clube, pois presidiu o Botafogo Futebol Clube, mesmo sendo por poucos meses e em época bastante difícil para a agremiação alvinegra da estrela vermelha.

E quando foi no mês fevereiro de 2016 o “Autêntico” Fernando Heleno, com setenta e cinco anos de idade, faleceu em um dos hospitais da capital, deixando viúva a ex-vereadora,  bióloga e ambientalista Paula Frassinete Lins Duarte, um filho e três netos.

O futebol paraibano ficou de luto… A imprensa esportiva ficou menor!

Eu acredito que, no dia de hoje, o “Autêntico” já deve ter se reunido com Geraldo Cavalcante, Ivan Tomaz, Hitler Cantalice, Hermes Taurino, Ivan Bezerra e Abmael Morais e começado mais uma jornada esportiva, não nas cabines de imprensa do estádio Almeidão, que por muitos anos recepcionou esses consagrados radialistas esportivos paraibanos, mas em uma nuvem branca e iluminada, lá no céu, com as bênçãos e admiração de São Pedro.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas, ficou a certeza de que Fernando Heleno Duarte, o popular comentarista esportivo “Fernando Heleno”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas, na brilhante história do futebol paraibano.

Este artigo constará no nosso próximo livro sobre o futebol paraibano.

VOCÊ SE LEMBRA DE MAZINHO?

O craque e polivalente Iomar Nascimento, o popular “Mazinho” nasceu na cidade canavieira de Santa Rita, estado da Paraíba, precisamente no dia oito de abril de 1966.  Das categorias de base do Clube de Regatas Vasco da Gama, juntamente com uma geração talentosa – que incluía Romário -, ele conquistou espaço entre os titulares daquela seleta equipe de profissionais.

Inúmeros títulos ele conquistou com a camisa da equipe de São Januário, estaduais e nacionais, sempre sendo titular e peça fundamental no esquema dos treinadores. Hoje ele faz parte da equipe considerada a melhor de todas as épocas; junto com Roberto Dinamite, Romário, Edmundo e mais sete excepcionais jogadores.

O craque em comento  mostrou as suas habilidades em equipes internacionais como o Lecce e a Fiorentina, ambas da Itália.  Valencia da Espanha, pelo Celtade Vigo, equipe na qual foi grande ídolo.

Mazinho também encantou os torcedores dos esquadrões do Elche e Deportivo Alavés, ambos sediados em terras espanholas.

O nosso homenageado foi um dos líderes de títulos conquistados pela poderosa Sociedade Esportiva Palmeiras, no início dos anos noventa. A torcida palmeirense lembra com saudade daquele jogador versátil, aplicado e conhecedor de várias posições em campo..

O coroamento de uma carreira talentosa, aplicada e vitoriosa foi a sua passagem pela seleção brasileira, na qual conquistou o Mundial de 1994 e a Copa América de 1989. E foi justamente em 89 que ele estreou pela seleção. No dia 29 de março, na Arábia Saudita, diante do Al Ahli, Mazinho fez sua primeira partida com a amarelinha. O Brasil venceu o amistoso por 3 a 1.

A última partida que Mazinho fez pela seleção brasileira foi contra a Itália, na final do Mundial dos Estados Unidos de 1994. Quem não lembra daquele título, conquistado por nossos atletas?

Ao todo, pela lateral ou pelo meio de campo, Mazinho disputou 40 jogos oficiais pela seleção brasileira. Segundo o livro “Seleção Brasileira – 90 anos”, de Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, foram 24 vitórias, 11 empates e cinco derrotas.

Tudo isso nós já sabíamos e encontramos fácil em pesquisas na net. O que eu queria saber e tinha curiosidade, amigo leitor, era se Mazinho tinha tentado carreira em seu estado natal, e se tinha jogado em nossas equipes paraibanas.

E foi conversando com o nosso craque e ídolo, graças ao não menos talentoso, e amigo, Nairon Barreto, o consagrado comediante “Zé Lezin”, que agendou um cafezinho em um shopping para termos essa conversa sensacional e marcante.

Pois bem, simples, humilde e extremamente educado, Mazinho me disse que tudo começou na equipe infantil do tricolor canavieiro, o antigo e aguerrido Santa Cruz Recreativo Esporte Clube, quando conquistaram o campeonato estadual. Quem treinava a criançada em Santa Rita era o saudoso Benedito Medeiros, o popular “Bena”, recém falecido.

Disse-me ainda que, por várias vezes – escondido do pai – pegava o ônibus em Santa Rita e descia na rodoviária do centro antigo de João Pessoa, e seguia a pé até o bairro de Jaguaribe – comendo jambos pelas ruas da cidade – para treinar futebol de salão no histórico Estrela do Mar, equipe fundada pelo Frei Albino e que foi um celeiro de craques da bola pesada.

Também lembrou da sua convocação para a seleção paraibana juvenil, que possuía vários e talentosos jogadores e era treinada por Aristávora Santos, o nosso amigo “Tavinho”.

Em 1982, com apenas dezesseis anos “Mazinho” chegou a disputar várias partidas com a equipe profissional do Santa Cruz, enfrentando Botafogo, Treze, Guarabira e o Nacional de Patos.

E por falar em Nacional de Patos, quando eu perguntei a ele qual era o jogador paraibano que lhe chamava a atenção naquela época, ele sem pensar duas vezes respondeu que admirava muito o bonito e clássico futebol jogado por Messias, um dos maiores meio campistas da Paraíba que surgiu na década de setenta com a camisa alviverde.

Com relação a torcer por uma alguma equipe em especial na Paraíba, ele me disse que toda a sua família torcia pelo Campinense Clube. Outro aspecto interessante foi o fato de não ter procurado treinar em nenhuma equipe considerada grande em nosso estado.

Finalmente, mostrou-se triste com a atual situação do futebol em sua cidade, em especial a situação do Santa Cruz. Inclusive já chegou a tentar ajudar aquela agremiação.

Entre um gole e outro de cafezinho, tive a oportunidade de entregar a ele o meu livro Causos & lendas do Nosso Futebol, e a medalha Ivan Bezerra de Albuquerque, esta referente ao “Primeiro Encontro de Desportistas do Estado da Paraíba”.

Iomar Nascimento, o popular “Mazinho”, paraibano autêntico e genuíno que muito nos orgulha, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol mundial.

Foto: Internet