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Caríssimos, na ocasião do nosso último encontro virtual, há mais de vinte dias, este que vos escreve lhes dirigia a palavra em tom de empolgação. À época, destacava a possibilidade de Treze e Campinense voltarem a decidir um título estadual. Pois bem, o negócio desandou.  Era uma conta de somar alguns pontos nos últimos jogos. O Campinense precisava vencer três dos quatro jogos restantes. Empatou dois. O Treze precisava vencer dois. Mas perdeu dois. Poderia estar tudo lindo, mas – perdoe desde já a petulância do trocadilho – ficou tudo belo. Porque a conta segue em aberto para os times de Campina Grande, mas só há o Clássico dos Maiorais no próximo domingo, 04, para fechar. E agora, complicou. Porque se a gente vislumbrou a possibilidade de Treze e Campinense estarem juntos na final, hoje, o pensamento é bem diferente, uma realidade distante.

Mas antes de pensar no amanhã, precisamos falar de hoje. O que foi isso, amigo?

Primeiro, o Treze. Não estive em Sousa. Só saio de Campina pra assistir a algum jogo, seja lá de quem for se pagarem meu lanche. O Galo, sob novo comando técnico, agora com o experiente e respeitado Flávio Araújo, saiu na frente com Vitinho numa cabeçada no ângulo, com força, praticamente um chute de cabeça. Depois, Rayro fez às vezes de goleiro, salvou o Galo mas acabou expulso. Copetti pegou o pênalti, mas depois aceitou o gol do morrinho artilheiro. Na segunda etapa, 32 minutos, Treze no ataque para cobrança de escanteio. Além do cobrador, o campo ofensivo era povoado por mais quatro jogadores do alvinegro na área e um outro na opção da bola curta. Como jogava com um a menos, restaram três lá atrás. Mas ficou tudo aberto. O Dinossauro encaixou o contra-ataque e garantiu a vitória. O Galo deu a impressão do “agora vai”, mas ainda não foi. E não foi, certamente, porque o céu não é perto. É assunto para um outro post, mais caprichado, mas as coisas precisam ser repensadas pelas bandas do São José. Não falo em comprometimento. Atletas também são pais de família, pessoas que se esforçam, trabalham e são profissionais. Tem gabarito e currículo que falam por si. Mas contra o Sousa, o que me chama a atenção foi a média de idade: 30 anos e pouco mais de um mês. E ainda pode-se dizer que foi baixa se comparando com o que acontece normalmente, muito graças à Marcelinho, 26 anos, na lateral-direita, além da presença de Júlio Machado, de 21, no miolo de zaga. Talvez seja necessário alguém que pegue o manto alvinegro e enxergue nele a oportunidade da vida. Alguém como Dico, alguém como Cléo. Flávio Araújo vai ter trabalho por lá.

Agora, o Campinense. Fui ao estádio. Seguindo a lógica, em Campina, topo futebol mesmo sem lanche. Mas hoje era melhor não ter topado. O time de Celso Teixeira tinha faca e queijo na mão. E não era para o lanche, deixemos claro. Estava a um gol de colocar as mãos no calendário de 2019. Tinha tudo desenhado para chegar à final fugindo de Treze e Botafogo, deixando que morressem entre si. Entrou pro jogo como se balançar as redes do Grêmio Serrano fosse uma questão de tempo. No primeiro tempo, sem um lateral-esquerdo de ofício em campo, ainda que tivesse Wesley no banco, o rubro-negro tinha um losango ofensivo, formado por Marcinho pelo lado esquerdo, caindo por dentro para criar, Thiago Potiguar construindo o jogo vindo de trás e Jean Carlo invertendo posições com Muller Fernandes, ora como referência, ora mais aberto pela direita, lado que ainda contava com as subidas de Alex Murici. O jogo, então, se concentrava pela destra e pelo miolo. Só que dentro de campo, o time estava perdido e pouco produziu. Chegou mesmo com Potiguar num chute de primeira e com Murici após lançamento de Neto, que fazia a reestreia. Ao contrário do que acontecera no confronto anterior, diante do CSP, quando mexeu no time trocando Mandi por Marcinho ainda no decorrer da primeira etapa, neste domingo Celso esperou até o intervalo para corrigir os erros. Tirou o capitão Jean Carlo para entrada de Tarcísio. Entrou em campo também o sobrenatural. Aquilo de a bola punir, sabe? Porque, afinal de contas, o futebol as vezes é justo. O Serrano voltou ao segundo tempo para se defender, e assim o fez, com admirável eficácia, enquanto o time rubro-negro perdia um verdadeiro caminhão de gols. Quem esteve no estádio ainda teve o prazer, digamos assim, de ver a entrada de Tiago Mandi, atacante de origem, para atuar como segundo volante. Não faltou vontade, mas faltou organização.

O Campinense não podia se dar ao luxo de não ganhar. Ainda é o time de melhor campanha no Campeonato Paraibano, com louváveis 74,1% de aproveitamento. Mas é de se lamentar que não tenha um esquema de jogo definido, e que, ainda que sendo eficiente e muito raramente passando sufoco, não apresente um futebol vistoso e tampouco convincente. Mesmo com seis vitórias em nove partidas, o torcedor está na bronca. E tem seus motivos para estar.

Os Maiorais chegam à última rodada da primeira fase pressionados. Levantam dúvidas justamente quando deveriam alçar voo. O cenário não é nada agradável. Hipoteticamente, se no próximo domingo o Treze ganhar, garante a liderança do Grupo B e vantagens na semifinal e o Campinense deve ser ultrapassado pelo Botafogo. Nesse caso, o rubro-negro vai pro mata-mata do Grupo A contra Sousa ou Nacional de Patos para tentar a vaga na semifinal justamente contra o líder do Grupo B, Treze. Se a vitória for do Campinense, é o mesmo esquema, vaga direta na semifinal jogando por resultados iguais, Treze perdendo a liderança pro CSP e disputando o mata-mata do Grupo B contra Atlético ou Serrano pra encarar o Campinense, líder do A, na semifinal. O panorama só muda em caso de empate. Aí ambos terminariam em segundo e iam pro mata-mata contra os mesmos adversários para almejar vaga na semifinal só que, dessa vez, o Treze jogaria contra o líder do Grupo A, Botafogo, e o Campinense contra o CSP, líder do B.

Ou seja, ao que tudo indica, há de se cumprir a profecia de Harry Potter: “um dos dois deverá morrer na mão do outro, pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver”. Era tudo que o Botafogo queria. Em miúdos: um abraço! Babou, amigo velho. Aquele meu papinho bonito de vinte dias atrás de Clássico dos Maiorais decidindo o estadual vai ficar pra depois.

E para o nosso futebol, aonde o estadual vale não apenas o título, mas a sobrevivência futebolística no futuro, com as vagas nas competições regionais e nacionais, essa nona rodada que passou já nos permite projetar uma visão do amanhã. E aí, é preciso cantarolar: prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar. A gente sonhou com um Clássico dos Maiorais decidindo o certame estadual, mas pode acordar com um dos dois disputando apenas o famigerado Paraibano em 2019. Haja coração.