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Quando Roger Milla fez o gol de honra da seleção de Camarões, na goleada de 6×1 contra a Rússia, em 1994, tornou-se o jogador mais velho a marcar em uma Copa do Mundo. Ele estava no auge dos seus 42 anos. Naquela época, jogar futebol profissional ali na faixa dos 40, era raro. Em alto nível, pouco comum. Quando o atleta passava dos 30, já começava a se preparar para pendurar as chuteiras. Às vezes, nem era porque tinha acabado o gás, o vigor, a força. Tinha e, ainda tem, o quesito preconceito mesmo. O paraibano Leovegildo Lins da Gama, ou simplesmente Júnior Capacete, deixou o Maracanã boquiaberto em 1992,  com um belo gol de falta, que ajudou ao Flamengo ser campeão brasileiro em cima do Botafogo. Foi chamado de vovô garoto, ao vibrar intensamente , pulando e mostrando sua vitalidade.

Quantos bons jogadores não deixaram de ser convocados para a Seleção Brasileira , por causa tão somente da idade? Em 1990, Zico tinha 37 anos. Roberto Dinamite, era um trintão, faltando quatro anos para virar quarentão. A imprensa até cogitou a presença deles na Itália, mas o apelo não teve força e nem surtiu efeito. Em 1998, Mauro Galvão era o melhor zagueiro do Brasil, aos 36 de idade, mas não foi chamado para a Copa da França. Romário também deixou de participar de Olimpíadas e Copas , algumas vezes por lesão e outras por opção do treinador.

Quando uma população , quase toda em uníssono, clama por uma convocação e apenas a comissão técnica não entende assim, algo está equivocado. Deixam de levar o jogador  porque ele é novo demais ou porque ele já está velho. Ricardo Oliveira tem 39 anos. Fred já está com 35. Mas, ambos sabem mandar a bola na rede. Seria vergonha chamá-los para a Copa América, nem que fosse para o banco? Naquela hora em que a derrota se mostra apenas questão de tempo, jogo difícil, sem saída, como foi com a Bélgica, você preferiria eles ou Gabriel Jesus? Olha que o trintão Renato Augusto quase salvou a pátria em 2018. Foi por um triz.

Aí vem Marcelinho Paraíba, com 44 anos, mostrando toda a sua capacidade de exercer liderança e fazer o Treze tornar-se totalmente dependente dele, para obter sua primeira vitória na Série C. Um gol de falta daquele, naquela distância, não é todo dia que a gente vê. Imagino os moleques de 20 anos que jogam contra ele , naquele diálogo que acontece no gramado e ninguém ouve -com exceção de quando o jogo é de portões fechados :”pega, marca esse véi”. Para tentar desestabilizar logo quem? Ali tem experiência nível hard. E quando se trabalha com um treinador inteligente, as chances de dar certo aumentam. Flávio Araújo não é como Vanderlei Luxemburgo, que nos times sempre ataca logo a estrela da equipe , para tentar tomar o seu esplendor.

Deixem os velhinhos brilharem! Se eles continuarem a se cuidar física e mentalmente, aproveitando também os fatores genéticos, o biótipo e a ausência de lesões, cada vez mais teremos de aplaudir os verdadeiros talentos do nosso futebol raiz. Marcelinho se junta aos heróis resistentes , quase incansáveis, que prolongam sua longevidade, mas que infelizmente uma hora terão de se resignar. Enquanto isso, podemos ainda nos deleitar com esse tempo extra, com uma prorrogação com gol de ouro no final. Fico a me perguntar se o povo brasileiro está mais desacreditado com a política ou com a Seleção Canarinha. A conquista da Copa América pode ser um bom início para a retomada do crescimento de popularidade. Quanto ao Treze, começar mal o Brasileiro, pode ter sido bom para que haja o temor da derrota com D de quarta divisão. Enquanto Marcelo Cangula aguentar o tranco, o torcedor do Galo terá um referencial não apenas no meio campo, mas no escudo a bater com o peito na camisa do seu time do coração.

Foto: Ramon Smith\Ascom Treze