jhony-bezerra-publicidade2
FABIO-PUBLICDADE-HORIZONTAL-min
PUBLICIDADE-HORIZONTAL-SEBASTIAO

Uma minuta do Ministério da Saúde deu parecer favorável pela volta do futebol no país. Em documento datado da noite da última quinta-feira (30), o órgão argumenta que a atividade é “relevante no contexto brasileiro e que sua retomada pode contribuir para as medidas de redução do deslocamento social através da ‘teletransmissão’ dos jogos para domicílio”. No complemento do parecer, no entanto, a autoridade nacional de saúde ressalta: “este Ministério é favorável ao retorno das atividades do futebol brasileiro, desde que atendidas todas as medidas apresentadas neste parecer”, diz o texto noticiado pela Globo e obtido pelo UOL Esporte.

Mesmo com o “ok” inicial para uma retomada em campo, o documento mostra uma série de ressalvas e questionamentos ao guia apresentado pela CBF solicitando o retorno das atividades. O tom geral da minuta esteve longe de uma aprovação. O órgão pede que a CBF “garanta a garanta a realização dos testes e avaliações constantes não apenas nos atletas, mas também que seja ofertado aos membros das comissões técnicas, funcionários e colaboradores, assim como os respectivos familiares e contactantes próximos”, diz o parecer, que ainda questiona. “Diante da afirmação acima, na proposta apresentada, não fica evidenciado onde serão realizados os testes, periodicidade e critérios de retestagem, e como serão assistidos caso o diagnóstico dos atletas seja positivo”.

Mais ressalvas ao documento inicial da CBF A sequência do parecer mostra uma realidade preocupante. Em que pese a orientação para testes em todos os envolvidos, o relato da situação do país se mostra longe da ideal para que tal ideia seja posta em prática. “Cabe ressaltar que no momento, a disponibilização de testes rápidos no sistema de saúde encontra-se saturado diante das necessidades da população brasileira”, frisou o Ministério.

A minuta, no entanto, está longe de ser o documento único que sustente o retorno imediato das atividades. “Ressalta-se ainda que o documento apresentado não se trata de uma guia médico, e sim de uma proposta de planejamento de retorno às atividades da classe, contemplando algumas medidas de saúde e segurança sanitária. Portanto, o Ministério da Saúde ressalta a importância de apresentação de um Plano estratégico geral detalhado, pactuado entre os diversos setores descritos anteriormente para o retorno das atividades futebolísticas sem a presença de público externo e planos de ação locais contendo a descrição das medidas de saúde, segurança e higiene, periodicidade de execução e  responsáveis, que devem ser apresentados e validados pela autoridade de saúde local”, diz o documento.

O parecer genérico do órgão federal deixa claro que a decisão final pelo retorno será dos poderes locais e estaduais. “Além disso, cabe ressaltar que a autorização acerca do início das atividades de treinamento nas localidades deve ser do Secretário Municipal, pois o Ministério da Saúde não irá contrapor uma decisão do gestor local que é quem está vivendo o problema. Somente com base na Análise de Risco da Secretaria Municipal é possível saber em quem momento cada fase pode ser adotada em cada município. O Ministério da Saúde não determinou e nem determinará fechamento ou abertura de qualquer atividade. Essa é uma decisão que cabe ao gestor local”.

Veja as recomendações finais da minuta:

“A documentação apresentada não se caracteriza como um plano de ação para a retomada das atividades de futebol em nível estadual e nacional, carecendo de ajustes direcionados para uma retomada segura e adequada considerando as diferenças epidemiológicas loco-regionais. Em que pese a importância do assunto, ressaltamos a necessidade de que os planos considerem para a definição da retomada e realização das partidas:

1. O perfil epidemiológico apurado pelas autoridades de saúde municipais e estaduais previamente às atividades de treinamento e realização dos jogos.

2. A adoção de ações que garantam o distanciamento adequado e seguro entre os profissionais que atuam na organização das  das atividades previstas;

3. A garantia de que os treinamentos e as partidas ocorram com os portões fechados;

4. A efetivação de estratégias e meios para que não ocorram aglomerações nas imediações dos locais onde as partidas serão realizadas;

5. A garantia de que os profissionais envolvidos e jogadores que apresentem sintomas sigam as orientações médicas para a quarentena.

6. Sugere-se assim o envolvimento de outros setores governamentais, tais como: Ministério da Economia Ministério da Cidadania Ministério da Justiça e Segurança Pública, Casa Civil ,Anvisa, e Entidades representativas de estados e municípios”.

Crédito da foto: Lucas Figueiredo / CBF

Pedro Ivo Almeida – Do UOL, em São Paulo