Imagem: Daniel Lins
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O ano era 2008. É bem verdade que já no finalzinho. Aviões do Forró fazia sucesso e se preparava para lançar, em maio do ano seguinte, o famoso CD Volume 6. A faixa 4 trazia um single tão promissor quanto profético. Com Riquelme na batera e toda a potência do vozeirão de Solange, a canção intitulada Novo Namorado dizia: “o tempo passa, o mundo gira, o mundo é uma bola”.

Foi também em 2008 a última vez que um Clássico dos Maiorais decidiu o Campeonato Paraibano. De lá pra cá, 12 anos se passaram e nesse tempo o Botafogo/PB foi ganhando espaço, notoriedade e diante da ausência de um adversário competitivo em sua vizinhança, rompeu fronteiras municipais e passou a rivalizar de forma mais acirrada com os times da Rainha da Borborema. 

Desde 2013, o Belo sempre esteve em uma final de Campeonato Paraibano e com ele, pôde gozar dos privilégios dos finalistas. Até este ano, 2020, foram 7 temporadas seguidas disputando a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil – e consequentemente recebendo muito bem por isso. Para pôr na ponta do lápis, neste ano, o Belo recebeu R$ 540 mil pela primeira fase da Copa do Brasil e R$ 650 mil por ter sido eliminado na segunda fase, totalizando quase R$ 1,2 milhão de reais. Na Copa do Nordeste, a quantia foi mais generosa. Pelas boas campanhas nacionais nos últimos anos, alcançou colocação no ranking CBF que o elevou a um patamar superior em comparação a outras equipes da região, o qualificando a receber R$ 1,5 milhão de reais, isso só pela fase de grupos. Por avançar às quartas de final, recebeu mais R$ 300 mil. Amigos, só via cotas de participação das Copas nacional e regional, o Botafogo/PB arrecadou quase R$ 2,7 milhões de reais. Isso, sem contar com o apoio do governo do estado, receita com bilheteria, visibilidade, exploração de marketing, entre outras fontes de receita. 

Imagem: Josemarphotopress

Os planos do Botafogo/PB eram ousados. O objetivo era utilizar toda essa força de capitalização para alcançar feitos históricos e ofuscar conquistas marcantes dos clubes de Campina, como o hexacampeonato e a Copa do Nordeste pelo Campinense. Com a eliminação, o time pessoense está de volta à estaca zero, ferindo não apenas ao bolso, mas à honra.

Por ora, o alvinegro da estrela solitária só terá a participação na Pré-Copa do Nordeste, que paga cerca de R$ 100 mil reais e, evidentemente, pode garantir presença no Nordestão. É um duro golpe nas finanças do Belo, ainda mais porque diante da incerteza em que vivemos, e por termos desenhos administrativos tão voltados à receita via venda de ingressos, as cotas de participação seriam ainda mais importantes em 2021. A salvação pode ser um acesso à Série B, cuja competição paga algo em torno de R$ 6 e 8 milhões de reais. Mas pra subir, mais do que fé, vai precisar jogar a bola que não vem jogando. Sei não, viu!?

Imagem: Daniel Lins
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Agora, parcela significativa desse incentivo financeiro cairá nos cofres de um dos times de Campina Grande. Mais que um Clássico dos Maiores, a decisão do Campeonato Paraibano será um Clássico dos Maiorais verdadeiramente competitivo, que vai muito além das estatísticas. Vale muito dinheiro. Os dois já estão garantidos na Copa do Brasil. Um dos dois estará também na Copa do Nordeste. Como bem dizia o sucesso do Aviões: “o tempo passa, o mundo gira, o mundo é uma bola”. Se Treze ou Campinense farão disso bom proveito, só o tempo dirá. Pode ser um troféu. Pode ser um início. Sem dúvida, um passo importante para que se possa vislumbrar voos mais altos e resgatar o orgulho e principalmente a verdadeira essência que molda a rivalidade entre Treze e Campinense. Disputar coisas maiores. Disputar Maiorais.