VOCÊ SE LEMBRA DE TERERÉ?

O desportista José Walter Marinho Marsicano  nasceu na arborizada e então pacata cidade de João Pessoa, no dia vinte e quatro de novembro de mil novecentos e trinta e quatro. Todavia, no meio futebolístico ele ficou conhecido e admirado pelo apelido de “Tereré”.

Tereré era funcionário público, precisamente da Receita Federal, onde completou o tempo previsto necessário e se aposentou.  Porém, o que ele mais gostava era de futebol e principalmente do seu Santos Futebol Clube, que com o passar do tempo foi batizado pela voz popular como sendo o “Santos de Tereré”.

Tereré, juntamente com outros jovens fundou, no dia nove de setembro de 1949, aquela agremiação alvinegra passando a ser – ao mesmo tempo – jogador e dirigente da nova agremiação surgida na cidade de João Pessoa.

Em 1955 ele deixou de jogar futebol e passou exclusivamente a dirigir os destinos de um clube que viria a ser muito importante na formação atlética e de vida de milhares de jovens. Daí em diante nasceu uma relação cotidiana de amor, de doação e dedicação que só acabaria com a sua morte, ocorrida no dia seis de agosto de mil novecentos e noventa e nove.

Foram várias décadas de alegrias, tristezas, sonhos e realizações de um desportista que vivia para o futebol, e não do futebol, como lamentavelmente ocorre muito nos dias atuais. Ele era um abnegado pelo Santos Futebol Clube.

Inúmeras crianças calçaram pela primeira vez um par de chuteiras, vestiram um padrão oficial, Adentraram em um campo gramado por causa dos esforços daquele desportista que nos dias atuais faz muita falta.

Quem não se lembra de Val, Givaldo, Babá, Vúca, Zé Ruy, Dadá, Ademar, Zito Camburão, Vandinho, Leonardo, Raimundo, Saulo, Chico Ramalho, Eudes, Ary, Marcos do Boi, Esquerdinha e tantos outros que surgiram no Santos desta capital graças ao empenho de Tereré e seus companheiros de diretoria.

Mesmo sem os ricos patrocínios de hoje, sem o importante programa Gol de Placa, todo ano aquele time, que mesclava jogadores jovens com veteranos, disputava com raça e garra o campeonato paraibano de profissionais. Muitos ali iniciaram as suas carreiras, outros tantos ali as encerraram.

Por várias vezes assisti, no campinho da Graça, os grandes times formados pelo Botafogo, Treze e Campinense suando muito para vencer os guerreiros do Santos do saudoso Tereré.

Os títulos amadores conquistados foram muitos, pois a agremiação era uma espécie de celeiro que anualmente revelava bons garotos. Um dos títulos sempre lembrado pelos santistas foi a conquista do campeonato invicto, na época a equipe amadora era dirigida tecnicamente pelo comentarista Ivan Bezerra de Albuquerque.

Outros títulos importantes e que brilham na galeria de troféus do clube, são as taças de campeão e de vice-campeão da segunda divisão, conquistas datadas dos longínquos anos de 95 e 97.

Como não poderia deixar de ser, o Santos de Tereré enfrentou várias crises durante a sua existência, e em uma delas a equipe foi derrotada por dez a zero pelo Treze Futebol Clube, partida realizada na cidade de Campina Grande. Nesse dia ninguém se entendeu, nem dentro nem fora das quatro linhas, e a discussão foi tão calorosa que no retorno para a capital esqueceram todo o material de jogo, que ficou nos vestiários do Amigão.

Em 1998 a agremiação resolveu abandonar o seu departamento de futebol profissional. Hoje o Santos Futebol Clube concentra as suas atividades nas denominadas categorias de base mantidas através de seu CT – centro de treinamento existente no conjunto habitacional do Geisel, um patrimônio que faz jus a história do alvinegro.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas paraibanos ficou a certeza de que José Walter Marinho Marsicano, o “Tereré”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

Foto: Internet

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